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Mulheres que cuidam: 68,10% dos colaboradores da Saúde do Paraná são mulheres

Dados e importância do recorte por gênero

As mulheres representam 68,10% dos colaboradores da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa). Entre os 6.734 servidores do órgão, 4.586 são mulheres — um indicador que vai além da presença numérica e revela avanço na ocupação de funções estratégicas na gestão pública estadual.

Esse cenário demonstra uma mudança estrutural no modo como a atenção e a governança em saúde vêm sendo organizadas no estado, com crescente participação feminina em diretorias, coordenações e núcleos técnicos que definem políticas e serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) no Paraná.

Mulheres na linha de frente: o exemplo do Samu

Na prática, o protagonismo feminino aparece em funções tradicionalmente ocupadas por homens e em áreas tipicamente femininas. Um exemplo é Anna Lúcia, condutora-socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que atua há três anos e também é técnica de enfermagem.

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“É satisfatório demais, é muito compensador para quem sempre sonhou estar onde eu estou hoje. Trabalho com entusiasmo e com muita dedicação. Faço as coisas com perfeição, ajudando quem precisa”, disse Anna, destacando a transformação de percepções quando equipes formadas por mulheres chegam a atendimentos de emergência.

Ela relata situações correntes em que moradores se surpreendem ao ver duas profissionais mulheres atuando juntas: “Às vezes chegamos ao local, eu e a técnica de enfermagem, e as pessoas perguntam: ‘Cadê o motorista? São só vocês duas?’. Quando respondemos que sim, eles falam ‘como vocês são fortes, meninas, estão de parabéns!'”.

Protagonismo nas gestões e diretorias da Sesa

Além do atendimento direto, mulheres ocupam cargos de direção em áreas-chave da Sesa. No nível central em Curitiba, a Diretoria de Contratualização e Regulação é conduzida por Raquel Mazetti; a Diretoria de Atenção e Vigilância em Saúde (DAV) tem à frente Maria Goretti David Lopes; e a Diretoria de Obras é liderada por Marianna Cardoso.

Outras lideranças femininas destacadas na secretaria incluem Vivian Patrícia Raksa (diretora do Hemepar), Juliana Ribeiro Giugni (coordenadora do Sistema Estadual de Transplantes), Solange Rothbarth Bara (diretora da Escola de Saúde Pública) e Laís Alves Ventura (ouvidora-geral da Saúde).

Na área de assistência farmacêutica e gestão interna, aparecem Margely de Souza Nunes (Cemepar), Deise Pontarolli (coordenação da Assistência Farmacêutica), Zicleia Maria Schmidt Chevalier (Núcleo Administrativo Setorial) e Cynthia Akemi Endo (Núcleo de Recursos Humanos). A gerência de Urgência e Emergência é conduzida por Giovana Fratin.

Dentro da DAV, outras responsáveis por áreas essenciais são Célia Fagundes da Cruz (Lacen-PR), Tatiane Dombroski (Cievs), Aline Jarschel de Oliveira Graziani (atenção à saúde), Ivana Belmonte (vigilância ambiental) e Elaine Cristina Vieira de Oliveira (Centro de Gestão da Informação).

Relatos e percepções sobre o avanço feminino

Para servidoras com longa trajetória, os números confirmam avanços mas também ressaltam a necessidade de consolidação de igualdade de oportunidades. Patrícia Capelo, coordenadora da Vigilância Sanitária da Sesa, servidora há 22 anos, afirmou que a presença feminina vai além das estatísticas: “O reconhecimento e participação das mulheres nesses espaços de decisão são importantes para garantir cada vez mais igualdade de oportunidades”.

O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, ressaltou que “a presença crescente das mulheres em todos os níveis da Secretaria da Saúde fortalece nosso sistema e reforça nosso compromisso com um atendimento de qualidade, acessível e acolhedor para todos os paranaenses”.

Atendimento integral à saúde da mulher e iniciativas

No Paraná, a rede pública acompanha as etapas da vida feminina desde a infância: vacinação, consultas de rotina, exames preventivos como o Papanicolau e mamografia, orientações sobre planejamento reprodutivo e acompanhamento pré-natal. O estado é referência nacional em consultas de pré-natal pelo SUS, garantindo exames, vacinas e suporte em maternidades da rede pública.

Uma iniciativa emblemática é a campanha Paraná Rosa, idealizada pela primeira-dama Luciana Saito Massa. Na sétima edição, foi lançada a mais completa unidade móvel de saúde da mulher do Brasil: a Carreta Saúde da Mulher. A ação realizou mais de 19 mil atendimentos em cerca de três meses, percorrendo 13 cidades e atendendo demanda de 77 municípios.

Reconhecimento, cuidado interno e próximos passos

Em março, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, a Sesa promoveu a ação “Mulher Inteira: corpo, mente e direitos” voltada às servidoras. O evento incluiu palestras sobre saúde, dramatização, debates sobre limites e proteção, além de atividades como aula de automaquiagem, massagens e atendimento capilar com microscópio digital — iniciativas que visam acolher e valorizar profissionais que enfrentam rotinas exigentes.

Embora o crescimento da presença feminina na saúde do Paraná seja evidente e abrangente, especialistas e dirigentes citados pela secretaria destacam a importância de manter políticas que promovam igualdade de oportunidades, capacitação e condições de trabalho que permitam às mulheres seguir ascendendo em posições de decisão.

O aumento do protagonismo feminino na Sesa traz impactos práticos: gestão mais representativa, serviços com maior foco em acolhimento e prevenção, e um repertório de experiências que pode orientar políticas públicas mais sensíveis às necessidades da população. A consolidação desse cenário dependerá da continuidade de ações que incentivem a formação, a liderança e a valorização das profissionais de saúde.


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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