Levantamento inédito da CNI mostra que o regime CLT é a prioridade na busca por vagas, especialmente entre os jovens. Estudo também aponta que 95% dos trabalhadores estão satisfeitos com o emprego atual.
O barulho das redes sociais sobre o fim do emprego formal e a glamourização do trabalho autônomo parece não refletir a realidade das ruas. Ao buscar uma vaga no mercado, a prioridade absoluta dos brasileiros continua sendo a velha e conhecida carteira assinada.
É o que revela uma pesquisa recém-divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). De acordo com o levantamento, o modelo formal, regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), foi apontado como o mais atrativo por mais de um terço dos profissionais que procuraram emprego recentemente.
A garantia de direitos trabalhistas, férias, 13º salário e o acesso à Previdência Social continuam sendo os grandes diferenciais, mesmo diante do avanço de novas dinâmicas de contratação.
“Embora novas modalidades estejam crescendo, como aquelas vinculadas a plataformas digitais, o trabalhador ainda valoriza a estabilidade e a proteção social. Elas continuam sendo um diferencial relevante, mesmo em um contexto de maior flexibilização das relações de trabalho”, analisa Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI.
O que o brasileiro busca no mercado?
A pesquisa mapeou a preferência dos trabalhadores na hora de escolher a modalidade de atuação. O trabalho informal e as plataformas digitais, embora presentes, ficam bem atrás da segurança da CLT. (Nota: 20% dos entrevistados afirmaram não ter encontrado oportunidades atrativas recentemente).
Preferência de modelo de trabalho:
| Modalidade | Preferência dos Trabalhadores |
| Carteira Assinada (CLT) | 36,3% |
| Trabalho Autônomo | 18,7% |
| Emprego Informal | 12,3% |
| Plataformas Digitais (Aplicativos) | 10,3% |
| Abrir o Próprio Negócio | 9,3% |
| Pessoa Jurídica (PJ) | 6,6% |
Jovens são os que mais buscam a CLT
Ao contrário do mito de que as novas gerações fogem de vínculos empregatícios tradicionais, a escolha pelo emprego formal é ainda mais forte entre os mais novos, refletindo uma busca por segurança financeira no início da vida adulta.
- 41,4% dos trabalhadores entre 25 e 34 anos preferem a CLT.
- 38,1% dos jovens de 16 a 24 anos também priorizam o modelo com carteira assinada.
Outro dado que chama a atenção envolve a chamada gig economy (economia sob demanda). O trabalho por meio de plataformas digitais, como motorista ou entregador de aplicativos, é visto majoritariamente como um “bico” para complementar a renda, e não como plano de carreira: apenas 30% consideram essa atividade como sua principal fonte de sustento.
Alta satisfação e baixa mobilidade
O estudo da CNI também ajuda a explicar um fenômeno de baixa rotatividade atual: o elevado nível de satisfação dos brasileiros empregados.
- 95% dizem estar satisfeitos com o emprego atual (sendo que 70% se dizem “muito satisfeitos”).
- Apenas 4,6% se declaram insatisfeitos e 1,6% muito insatisfeitos.
Com tanta gente satisfeita, a mobilidade no mercado é limitada. Apenas 20% dos entrevistados buscaram outro emprego recentemente. Essa busca é liderada pelos mais jovens (35% da faixa de 16 a 24 anos procuraram nova vaga) e por aqueles com menos tempo de casa (36,7% dos que têm menos de um ano na função). Entre os trabalhadores com mais de cinco anos na mesma empresa, apenas 9% tentaram mudar de ares.
Sobre a pesquisa: Realizado pelo Instituto Nexus em parceria com a CNI, o levantamento ouviu 2.008 pessoas com 16 anos ou mais em todo o País, entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025, tendo seus dados oficiais tabulados e divulgados agora.
Com informações de Agência Brasil
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