(Foto: Geraldo Bubniak)
Para agregar valor ao grão, cooperativa inaugura complexo industrial de R$ 770 milhões em Pato Branco
Novo complexo industrial da Tradição terá capacidade para esmagar 3 mil toneladas de grãos por dia. Com tecnologia de Indústria 4.0, planta agrega valor à produção local e impulsiona a geração de empregos no Sudoeste.
O agronegócio paranaense acaba de dar um salto bilionário rumo à industrialização. A Cooperativa Tradição inaugurou na última semana, em Pato Branco, no Sudoeste do Estado, o seu mais novo e ambicioso complexo industrial voltado à extração de óleo e farelo de soja.
Com um investimento robusto de R$ 770 milhões, a megafábrica entra em operação com capacidade para processar até 3 mil toneladas de soja por dia. O movimento representa uma virada de chave estratégica para a economia da região, que passa a reter a riqueza gerada no campo em vez de apenas exportar a matéria-prima bruta.
O fim da dependência do grão in natura
A lógica econômica por trás do investimento é a agregação de valor. Ao transformar o grão cru em óleo e farelo de soja dentro de casa, a cooperativa atende a uma demanda fortíssima do próprio Estado. O farelo de soja é a base da ração animal, insumo vital para as gigantescas cadeias de produção de aves e suínos que dominam o Sul do Brasil.
Com a nova planta operando em capacidade máxima, a Tradição passará a absorver integralmente toda a produção de soja de seus cooperados. Além disso, a indústria atuará de forma integrada com outras cooperativas parceiras, ampliando a circulação de dinheiro e fortalecendo a economia circular nos municípios da região.
Indústria 4.0 e tecnologia de ponta
Para garantir a competitividade do produto final no mercado global, o complexo de Pato Branco foi desenhado sob os conceitos da Indústria 4.0.
Segundo o diretor-executivo da Tradição, Fernando Alan Tonus, o projeto, que começou a ser idealizado ainda em 2021, chega à fase de operação trazendo o que há de mais moderno no processamento de grãos. “Entramos na Indústria 4.0 com tecnologia de ponta, uso de inteligência artificial, alta eficiência operacional e baixo consumo. Isso representa competitividade, segurança e mais sustentabilidade”, explicou o executivo.
Impacto direto no mercado de trabalho
A transformação industrial traz reboques positivos imediatos para o mercado de trabalho de Pato Branco e municípios vizinhos. A operação da nova esmagadora de soja gera, de largada, 180 empregos diretos e altamente qualificados.
No entanto, o maior impacto econômico ocorre nas vagas indiretas. Uma indústria desse porte movimenta intensamente a cadeia de logística (com centenas de caminhões circulando diariamente), a prestação de serviços de manutenção e toda a rede de suprimentos locais.
A força do cooperativismo e o peso do Paraná
A Cooperativa Tradição, fundada em Pato Branco, consolidou-se como um gigante silencioso. Atualmente, a cooperativa reúne 2.898 associados e possui uma área de atuação que ultrapassa os 535 mil hectares, espalhando-se por 45 municípios do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo e Minas Gerais.
A inauguração da fábrica encontra um terreno fértil. O Paraná é hoje o segundo maior produtor de soja do Brasil. A expectativa para a safra de 2026 é de que o Estado colha cerca de 22 milhões de toneladas do grão — o que equivale a aproximadamente 13% de toda a produção nacional —, garantindo matéria-prima abundante para manter as máquinas da nova indústria rodando a todo vapor.

Com informações de Agência de Notícias da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná
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