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PL e Novo reeditam Lava Jato com Moro e Deltan após Ratinho Junior deixar disputa presidencial

PL e Novo reeditam Lava Jato com Moro e Deltan após Ratinho Junior deixar disputa presidencial

(Foto: Divulgação Novo)

PL e Novo reeditam Lava Jato com Moro e Deltan após Ratinho Junior deixar disputa presidencial


A reviravolta no cenário nacional embaralha a sucessão estadual. Enquanto o governador foca no fim do seu mandato, a aliança entre PL e Novo aposta na herança da Lava Jato para disputar o Palácio Iguaçu e o Senado em 2026.

O tabuleiro político paranaense e nacional passou por uma reconfiguração drástica nas últimas 48 horas. Na segunda-feira (23), o governador Ratinho Junior (PSD) anunciou oficialmente a sua desistência da pré-candidatura à Presidência da República.

A decisão, que o manterá no comando do Palácio Iguaçu até o fim do seu mandato em dezembro de 2026, desencadeou um efeito dominó que culminou no rompimento do Partido Liberal (PL) com a sua base governista.

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A resposta da oposição conservadora veio rápida. Já nesta terça-feira (24), em um grande evento em Brasília, o PL filiou o senador Sergio Moro e anunciou a formação de uma chapa majoritária puro-sangue da antiga Operação Lava Jato, unindo forças com o partido Novo para disputar o Governo do Estado e as vagas paranaenses no Senado Federal.

O recuo de Ratinho Junior e a pressão de Brasília

A saída de Ratinho Junior da corrida nacional surpreendeu parte dos analistas políticos, visto que ele era o pré-candidato do PSD com o melhor desempenho nas pesquisas de intenção de voto.

De acordo com o levantamento divulgado pela Quaest em março de 2026, o governador paranaense pontuava com 7% no primeiro turno, deixando para trás os governadores Ronaldo Caiado (Goiás), com 4%, e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul), com 3%. Em um eventual cenário de segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Ratinho marcava 33% (contra 42% do petista), demonstrando viabilidade eleitoral.

Embora se apresentasse como uma via alternativa à polarização política — ao mesmo tempo em que acenava ao eleitorado conservador ao defender o projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro —, o governador sofreu forte pressão dos bastidores.

Há menos de duas semanas, Ratinho recebeu o senador Rogério Marinho (PL), coordenador da campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O pedido foi direto: que o paranaense desistisse do projeto nacional para apoiar o filho do ex-presidente.

Oficialmente, a assessoria do governador informou que a decisão de recuar foi tomada na noite de domingo (22), “após profunda reflexão com a família”, sendo comunicada ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, na segunda-feira.

“Ratinho está convicto que deve manter o compromisso selado com os paranaenses nas eleições de 2018 e não pode interromper o projeto que tem garantido o ciclo de crescimento econômico do Paraná. (…) O governador continuará à disposição do PSD para ajudar o Brasil a virar a página do atraso.” — Trecho do comunicado oficial da assessoria de Ratinho Junior.

O futuro do governador e a sucessão no Palácio Iguaçu

Impedido pela legislação eleitoral de tentar um terceiro mandato consecutivo, Ratinho Junior já traçou o seu destino após deixar a vida pública em dezembro deste ano. Ele planeja retornar ao setor privado para assumir a presidência do Grupo Massa, conglomerado de comunicação fundado por seu pai, o apresentador Ratinho.

A sua saída de cena na disputa majoritária, no entanto, deixa um vácuo na sucessão estadual. Sem o peso do atual governador nas urnas, o grupo governista corre para definir um nome competitivo. Entre as opções debatidas internamente no PSD estão:

  • Alexandre Curi: Deputado estadual e atual presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), com forte trânsito entre os prefeitos do interior.
  • Guto Silva: Atual secretário de Cidades e braço direito do governo na articulação política.

Outra peça chave que movimentou o cenário estadual foi Rafael Greca. O ex-prefeito de Curitiba, e até então secretário de Desenvolvimento Sustentável do governo, deixou o PSD na última quinta-feira (19). Greca filiou-se ao MDB e anunciou, através de um vídeo nas redes sociais, a sua própria pré-candidatura ao Governo do Paraná, fragmentando ainda mais a antiga base aliada.

A filiação de Sergio Moro e o troco do PL

Aproveitando a turbulência no grupo de Ratinho Junior, o Partido Liberal agiu para consolidar o seu palanque no estado. Em um evento concorrido na capital federal nesta terça-feira (24), o PL oficializou a filiação de Sergio Moro. O ex-juiz federal deixou o União Brasil para se tornar o pré-candidato oficial da legenda de Valdemar Costa Neto ao Governo do Paraná.

O ato de filiação contou com o aval direto da cúpula bolsonarista, incluindo a presença do senador Flávio Bolsonaro, que celebrou a chegada do novo aliado.

“É uma grande alegria estar aqui com meu amigo Sergio Moro. Ele é o nosso pré-candidato a governador do Paraná. Uma pessoa que compartilha das mesmas pautas e entende o momento que o Brasil passa.” — Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Deltan Dallagnol volta ao jogo e forma a chapa “Lava Jato”

A cartada final do PL no evento em Brasília foi o anúncio dos nomes que vão compor a chapa majoritária ao lado de Sergio Moro. O ex-deputado federal Deltan Dallagnol, atualmente filiado ao partido Novo, foi confirmado como pré-candidato ao Senado Federal.

Deltan teve o seu registro de candidatura cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023, o que resultou na perda do seu mandato na Câmara dos Deputados. No entanto, a decisão da Corte Eleitoral não o tornou inelegível, garantindo o seu passaporte para disputar o pleito de 2026.

“Honra pra nós, senador Sergio Moro, caminhar mais uma vez juntos. Você será nosso governador do Paraná.” — Deltan Dallagnol, durante o evento de lançamento da chapa.

Ao lado de Deltan, o deputado federal Filipe Barros (PL) também foi anunciado como pré-candidato ao Senado, fechando a chapa que os caciques partidários já apelidam nos bastidores de “chapa Lava Jato”. A união da imagem do ex-juiz com o ex-procurador do Ministério Público Federal é a principal aposta da direita para derrotar a máquina estadual e conquistar o eleitorado conservador paranaense.

PSD reage e mantém projeto nacional

Em meio ao turbilhão paranaense, a direção nacional do PSD tentou minimizar os danos da perda do seu principal pré-candidato nas pesquisas. O presidente da sigla, Gilberto Kassab, divulgou uma nota elogiando o legado de Ratinho Junior no estado — citando avanços na educação e a redução de índices criminais — e garantiu que o partido não abrirá mão de ter um candidato próprio ao Palácio do Planalto.

“O PSD se mantém firme em sua decisão de apresentar aos brasileiros uma candidatura a presidente da República, que com certeza será a ‘melhor via’, contrapondo-se a essa polarização de propostas radicais. Eduardo Leite e Ronaldo Caiado são governadores muito bem avaliados. A escolha deve ocorrer até o fim deste mês de março.” — Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD.

PL e Novo reeditam Lava Jato com Moro e Deltan após Ratinho Junior deixar disputa presidencial
(Foto: Divulgação PSD)

Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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