(Foto: Claudio Neves)
Polo cervejeiro: Paraná importa 50 mil toneladas de cevada em um único navio
Obras de dragagem e aumento do calado permitiram a operação gigante do navio Mercury Island. Volume impulsiona o fortalecimento do Paraná como o maior polo cervejeiro do país.
A infraestrutura logística do litoral paranaense alcançou um novo marco nesta quarta-feira (18). O navio graneleiro Mercury Island, vindo da Argentina, concluiu o descarregamento de 50 mil toneladas de cevada no berço 202 do Porto de Paranaguá. A marca estabelece o novo recorde de maior volume do produto já movimentado em uma única embarcação no estado.
A carga gigante, que agora segue viagem para abastecer a indústria no interior, superou o recorde anterior registrado em janeiro deste ano pelo navio Akra, que havia movimentado 49.448 toneladas.
A matemática da dragagem: centímetros que valem toneladas
O sucesso dessa operação histórica não é obra do acaso, mas o resultado direto de investimentos pesados em dragagem e no aumento do calado operacional — a distância entre a superfície da água e o ponto mais profundo do navio.
Em menos de um ano, a empresa pública Portos do Paraná conquistou duas autorizações para aprofundar esse limite. Em dezembro de 2024, o calado passou de 12,8 metros para 13,1 metros. Já em setembro de 2025, o limite foi ampliado para 13,3 metros.
“Esses recordes sequenciais só são possíveis com o aumento do calado, que permite receber navios cada vez mais carregados.” — Luiz Fernando Garcia, diretor-presidente da Portos do Paraná.
Na prática, esses 50 centímetros adicionais no fundo do mar representam uma vantagem competitiva enorme: eles permitem que cada navio transporte, em média, 3,7 mil toneladas a mais por viagem, barateando o frete e otimizando a cadeia logística.
A sede do polo cervejeiro paranaense
Toda essa cevada importada tem um destino certo e reflete o momento de ebulição da indústria de bebidas no estado. O Paraná é o maior produtor de cevada do Brasil, mas a demanda interna das maltarias e cervejarias é tão gigantesca que exige a importação contínua do grão.
Os números confirmam esse apetite: no primeiro bimestre de 2026, a movimentação de cevada nos portos paranaenses cresceu 34% em relação ao mesmo período do ano anterior, saltando de 123.404 para 165.338 toneladas. Além de ser a alma da cerveja, o produto abastece as indústrias de ração animal e alimentação humana.
Bilhões injetados na economia estadual
Esse volume portuário é o reflexo direto de uma injeção de capital massiva que corta o mapa do Paraná, desde o Litoral até as regiões dos Campos Gerais e Centro-Sul. Entre 2020 e 2024, o setor cervejeiro investiu cerca de R$ 5 bilhões no estado.
Dois megaempreendimentos recentes ilustram essa força:
Campos Gerais: A Heineken investiu mais de R$ 1,5 bilhão na expansão de sua fábrica em Ponta Grossa. O projeto, apoiado pelo programa Paraná Competitivo, dobrou a capacidade produtiva da unidade.
Centro-Sul: Em Guarapuava, a Cooperativa Agrária e a Ireks do Brasil assinaram um protocolo de intenções no fim de 2025 para investir R$ 1,1 bilhão no distrito de Entre Rios. A nova estrutura fabricará maltes caramelizados e torrados, tornando a cooperativa a primeira a produzir maltes especiais em escala industrial no Brasil — um insumo que, até então, era 100% importado.

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