(Foto: Geraldo Bubniak)
Ratinho Junior descarta Senado, mira o Planalto e ameaça dividir votos com Flávio Bolsonaro
Governador tem Guto Silva como favorito ao Palácio Iguaçu, mas enfrenta forte pressão de aliados históricos. No cenário nacional, sua pré-candidatura ameaça dividir os votos da direita e preocupa o bolsonarismo.
O tabuleiro político do Paraná vive dias de tensão com a aproximação da janela partidária e as indefinições para as eleições gerais. O governador Ratinho Junior (PSD), que articula uma pré-candidatura à Presidência da República, vê sua própria base rachar na disputa pela sucessão estadual.
Com vários caciques políticos buscando o comando do Palácio do Iguaçu, o risco de uma debandada no PSD é real e já movimenta outras siglas no estado. Ao mesmo tempo, a consolidação do nome de Ratinho no cenário nacional altera as projeções da direita na corrida presidencial.
A disputa interna e o favoritismo de Guto Silva
Apesar de manter o tom cauteloso em público, Ratinho Junior caminha para chancelar o nome do atual secretário estadual das Cidades, Guto Silva (PSD), como seu candidato ao governo estadual.
O favoritismo de Guto Silva se apoia na sua alta capilaridade junto aos prefeitos dos municípios paranaenses, construída à frente de uma pasta estratégica — equivalente à antiga Secretaria do Desenvolvimento Urbano. Além de ser muito próximo ao governador, ele já acumulou experiência no comando das secretarias de Planejamento e da Casa Civil.
Esse movimento, no entanto, escanteia outros líderes de peso dentro do PSD, gerando insatisfações que ameaçam a unidade do partido.
O ultimato de Alexandre Curi e a janela partidária
A reação mais incisiva à possível escolha de Guto Silva vem do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Alexandre Curi. Com a intenção declarada de disputar o governo, Curi avisou aos seus interlocutores que pode deixar o PSD caso o governador não defina a situação até o final do mês.
O prazo coincide com a janela partidária (março e abril), período em que os parlamentares podem trocar de sigla sem perder o mandato. Curi avalia migrar para o Republicanos, partido onde atua lado a lado com o deputado federal Pedro Lupion e que tem o diretório estadual vice-presidido por seu irmão, Rodrigo Curi.
Em declarações recentes, o presidente da Assembleia manteve a firmeza sobre suas pretensões:
“A minha candidatura é a que hoje tem o respeito da classe política. Da minha parte, não haverá ruptura, não haverá racha. O que pode haver é uma recomposição política, sempre construída junto com o governador.” — Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná.
Curi também reforçou que o diálogo com o Executivo permanece aberto para uma decisão final nos próximos dias:
“Eu tenho conversado com o governador, antes mesmo de qualquer movimento que será feito. Nos falamos antes da viagem dele para o exterior e teremos uma conversa definitiva nesta semana.”
O xadrez de Rafael Greca e as opções da direita
Outro nome forte que pleiteia a vaga do PSD é o ex-prefeito de Curitiba e atual secretário de Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca. Embora manifeste o desejo de seguir no partido, Greca recebeu um convite oficial para disputar o governo pelo Progressistas (PP).
A oferta foi costurada pelo deputado federal Ricardo Barros, presidente do diretório do PP. A legenda, que negocia uma federação com o União Brasil, rejeita apoiar a candidatura do senador Sergio Moro (União-PR) ao governo, preferindo apostar no ex-prefeito da capital.
“Há um interesse, obviamente, na filiação de Rafael Greca. É uma grande liderança, e ele é um dos candidatos que o governador Ratinho está disposto a apoiar. Então, a vinda dele para o Progressistas não é um gesto de se tornar oposição. É apenas uma maneira de poder conciliar o prazo que o governador precisa para anunciar a sua escolha.” — Ricardo Barros, deputado federal e líder do PP.
Sem o apoio do PP, Sergio Moro passou a ser cotado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para encabeçar um palanque forte no estado, contrapondo os candidatos de Ratinho Junior e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No campo da esquerda, a chapa começa a tomar forma em torno do deputado estadual Requião Filho (PDT). O PT, por sua vez, definiu a indicação da ministra Gleisi Hoffmann para o Senado, após um pedido direto do presidente Lula para fortalecer a bancada do partido e barrar o avanço de bolsonaristas na Casa.
A corrida ao Planalto e o impacto para Flávio Bolsonaro
Além de gerenciar a crise local, Ratinho Junior tem papel decisivo no cenário nacional. Pesquisas recentes indicam que sua candidatura à Presidência pelo PSD pode tirar um volume expressivo de votos de Flávio Bolsonaro, consolidado como o herdeiro político de Jair Bolsonaro na disputa.
Se a direita, genericamente, mostra competitividade para enfrentar o presidente Lula em um eventual segundo turno, a pulverização de votos no primeiro turno preocupa os estrategistas do PL. A grande dúvida é se o eleitorado conservador migrará em massa para Flávio ou se o PSD conseguirá se firmar como a principal alternativa de centro-direita com Ratinho — mesmo com relatos de bastidores apontando que o pai do governador é contrário à sua candidatura presidencial.
O plano B de Ratinho: fora do Senado e no setor privado
Para disputar a Presidência, Ratinho Junior precisa vencer a concorrência interna no PSD, que tem como pré-candidatos os governadores Eduardo Leite (RS) e Ronaldo Caiado (GO). O paranaense garante que não há rivalidade:
“Todo mundo está bem consciente de que quem for ali o escolhido, todo mundo vai caminhar junto.” — Ratinho Junior, governador do Paraná.
O governador descartou, neste primeiro momento, a possibilidade de concorrer ao Senado caso seja preterido pelo partido na disputa ao Planalto. Uma eventual candidatura ao Legislativo o obrigaria a renunciar ao governo até 4 de abril.
Se não for o escolhido para a cabeça de chapa, Ratinho tem um plano B bem desenhado para o seu futuro:
“Eu prefiro ajudar quem for o candidato, estar em uma coordenação, ajudando a coordenar na região Sul do país, Sudeste, e depois ver o que fazer, voltar para a iniciativa privada.”

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