Regionalização na prática: Estado investe R$ 130 milhões para sanar ‘vazios assistenciais’ no Litoral e na Grande Curitiba

Regionalização na prática: Estado investe R$ 130 milhões para sanar 'vazios assistenciais' no Litoral e na Grande Curitiba

(Foto: Divulgação)

Regionalização na prática: Estado investe R$ 130 milhões para sanar ‘vazios assistenciais’ no Litoral e na Grande Curitiba


Construção de hospitais em Matinhos e Colombo busca corrigir distorções históricas no fluxo de pacientes, reduzindo a “ambulancioterapia” e a dependência da capital para média e alta complexidade.

O início de 2026 marca uma nova etapa na estratégia de gestão da saúde pública do Paraná, com foco na correção de déficits históricos de infraestrutura. Em menos de 48 horas, o Governo do Estado anunciou e vistoriou investimentos que somam mais de R$ 130 milhões para a construção de dois hospitais estratégicos: o Hospital Regional de Matinhos, no Litoral, e o Hospital Geral de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).

Mais do que obras físicas, os projetos representam uma mudança na lógica de regulação de leitos do estado. O objetivo da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) é atacar os chamados “vazios assistenciais” — regiões com alta densidade populacional ou demanda sazonal que, historicamente, dependem do deslocamento de pacientes para Curitiba ou outros centros maiores.

O fim da “anomalia” de Colombo

A vistoria realizada nesta quarta-feira (14) às obras do Hospital Geral de Colombo expõe uma das maiores distorções demográficas da saúde paranaense. Com mais de 200 mil habitantes, Colombo detinha o título negativo de único município desse porte no Brasil sem um hospital geral.

Com 35% da execução concluída e entrega prevista para janeiro de 2028, a unidade não atenderá apenas a cidade-sede. A gestão estadual desenhou o hospital para ser a referência da 2ª Regional de Saúde, cobrindo 13 municípios, incluindo Almirante Tamandaré e Rio Branco do Sul.

“Colombo está entre as maiores cidades do Paraná e não tinha um hospital à altura. A população tinha que se deslocar para a Capital para conseguir atendimento. Nós resolvemos mudar essa realidade”, afirmou o governador Ratinho Junior durante a visita.

O planejamento de gestão do hospital também chama a atenção pela visão de longo prazo: a estrutura física foi projetada com dois andares vagos, já prevendo a necessidade de expansão de leitos para os próximos 5 ou 10 anos, evitando que a obra se torne obsoleta rapidamente.

Litoral: estrutura fixa para demanda flutuante

Já no Litoral, o anúncio da construção do Hospital Regional de Matinhos (Hospital Maria José Piana), realizado na quinta-feira (15), ataca outro gargalo de gestão: a flutuação populacional.

Com um investimento de R$ 67,7 milhões e prazo de 24 meses, a unidade de 90 leitos foi dimensionada não apenas para os 120 mil moradores fixos de Matinhos, Pontal do Paraná e Guaratuba, mas para suportar a pressão do turismo, que triplica a população da região no verão.

A unidade terá UTI adulta, maternidade e centro cirúrgico. Tecnicamente, isso significa “resolutividade”. O paciente que sofre um acidente ou precisa de uma cirurgia de urgência no litoral não precisará mais disputar uma ambulância para subir a Serra do Mar, podendo ser estabilizado e tratado na própria região.

Um detalhe administrativo relevante é o modelo de financiamento do projeto arquitetônico, custeado pela Volkswagen como contrapartida fiscal do programa Paraná Competitivo, desonerando o cofre do estado nesta etapa preliminar.

O plano para 2026: 7 novos hospitais

Segundo o secretário de Saúde, Beto Preto, essas movimentações não são isoladas. O planejamento da pasta prevê o lançamento de sete novos hospitais regionais em 2026.

A estratégia é clara: descentralizar a média e alta complexidade. Ao fortalecer polos regionais (como já feito em Pinhais, com o Hospital Papa Francisco, entregue em dezembro de 2025), o Estado tenta desafogar os hospitais terciários de Curitiba, que passariam a focar apenas em casos gravíssimos, otimizando o uso do recurso público e o tempo de resposta ao cidadão.

Com informações de Agência de Notícias da Secretaria de Saúde do Paraná


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.

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