(Foto: Tomaz Silva)
Retrato da tragédia: Chuvas em MG deixam 65 mortos e moradores improvisam tendas de luto e voluntariado em meio aos escombros
Enquanto bombeiros buscam quatro desaparecidos, histórias de famílias devastadas expõem a realidade de Juiz de Fora; Governo Federal libera R$ 6,1 milhões para ações de Defesa Civil em cidades atingidas.
As sirenes ainda ecoam e o cheiro de terra molhada se mistura ao luto nas ladeiras da Zona da Mata mineira. Cinco dias após o início dos temporais devastadores, o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais atualizou, nesta sexta-feira (27), o balanço da tragédia: 65 pessoas perderam a vida em decorrência dos deslizamentos de terra e alagamentos.
O epicentro do desastre é Juiz de Fora, que contabiliza 59 mortos. A cidade vizinha de Ubá registra seis vítimas fatais. As equipes de resgate, exaustas, ainda cavam a lama em busca de quatro pessoas desaparecidas (duas em cada município).
O rastro de destruição deixou um saldo de mais de 5,4 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas na região. E o perigo não passou: o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém o alerta de perigo para chuvas intensas (de 50 a 100 mm/dia) e ventos fortes na Zona da Mata durante todo o fim de semana.
“Perdi quase 20 pessoas da minha família”
Para além dos números oficiais, a tragédia é medida pela dor de quem perdeu tudo. No bairro Parque Jardim Burnier, zona sudeste de Juiz de Fora — local com o maior número de mortes (21) —, a moradora Cláudia da Silva, de 71 anos, transformou seu próprio luto em uma base de apoio.
Em uma tenda improvisada na rua, Cláudia passa os dias distribuindo alimentos e café para vizinhos, bombeiros e voluntários. A força demonstrada esconde uma perda devastadora.
“Perdi quase 20 pessoas da minha família. Vários sobrinhos, cunhada, muita gente. Eu não tenho condições psicológicas de ir aos enterros. A gente vê isso em outras cidades e não acredita que vai acontecer com a gente. Eu prefiro ficar aqui mesmo, tentando contribuir”, desabafa.
Ela, que sempre viveu no bairro, critica a demora na chegada do socorro oficial às famílias que ficaram sem teto. “Tudo aqui é voluntário. Vemos os políticos subindo aqui, fazendo vídeos para as redes sociais, mas ainda não chegou nenhum centavo para as famílias”, cobra a moradora.
A prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, reconheceu a gravidade estrutural do problema nesta sexta-feira, afirmando que uma em cada quatro pessoas da cidade mora em área de risco, o que exigirá intervenções massivas de engenharia para evitar que o cenário se repita.
A força do voluntariado que cruza o país
Diante do desespero, a solidariedade tem chegado de longe. Um grupo de voluntários viajou mais de 500 quilômetros de Piracicaba (SP) para ajudar nas buscas em Juiz de Fora. A equipe é a mesma que, em 2024, se formou às pressas para socorrer as vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.
“Se for para cavar, vamos cavar. Se for para entrar na água, vamos entrar. No RS, a gente chegou quando as chuvas ainda estavam acontecendo. Aqui, está mais delicado lidar com as famílias e as perdas que elas tiveram. A gente acaba sentindo parte dessa dor coletiva”, relata o bombeiro civil Rodrigo Bazaglia, recém-chegado ao bairro Burnier.
A mobilização também é local. Estudantes de medicina do Centro Universitário Antônio Carlos (Unipac), em Juiz de Fora, organizaram a montagem e entrega de kits de limpeza e marmitas nas áreas mais íngremes e afetadas. “O sofrimento do próximo é nosso também. Não são só números”, diz a estudante Lívia André.
Verbas Federais Liberadas
No campo institucional, o socorro financeiro começou a ser destravado. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) autorizou nesta sexta-feira o repasse emergencial de R$ 6,19 milhões para ações de Defesa Civil em sete municípios do país atingidos por desastres naturais.
As portarias, publicadas no Diário Oficial da União, destinam os seguintes valores para as cidades mineiras afetadas pelos temporais desta semana:
- Matias Barbosa (MG): R$ 1.303.067,56 (em duas portarias).
- Ubá (MG): R$ 752.842,40.
Os recursos — liberados com base no número de desabrigados e na magnitude do desastre — devem ser usados pelas prefeituras para ações de resposta imediata, como compra de colchões, kits de higiene, alimentos e desobstrução de vias. Juiz de Fora, que já teve estado de calamidade reconhecido, aguarda a aprovação de seus planos de trabalho para acessar novos fundos federais.
Com informações de Agência Brasil
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