(Foto: Divulgação PSD)
Sucessão 2026: a “guerra fria” no PSD, a ameaça de Moro e a corrida pelas cadeiras de Oriovisto e Arns
Com o fim da era Ratinho Junior, base aliada se divide entre Greca, Curi e Guto Silva, enquanto a oposição aposta todas as fichas no senador do União Brasil; abril marca a saída de “supersecretários”.
O ano de 2026 começa com uma certeza no Centro Cívico: o vácuo de poder deixado pelo fim do ciclo de oito anos de Ratinho Junior (PSD) transformou o Paraná em um tabuleiro de xadrez onde cada movimento é calculado. Diferente de 2022, não há reeleição, e a disputa pelo Palácio Iguaçu está mais aberta – e perigosa – do que nunca. Para quem acompanha a política paranaense, desenhamos o cenário real das articulações que vão dominar o noticiário até abril.
O “Racha” na Base Governista: PSD e PP disputam o espólio
A maior dor de cabeça de Ratinho Junior está dentro de casa. A base governista, que lhe garantiu governabilidade tranquila, hoje tem três nomes fortes disputando a bênção da máquina pública para a sucessão:
- Rafael Greca (PSD): O ex-prefeito de Curitiba (que deixou o cargo em 2024 com alta aprovação) é o nome mais conhecido do eleitorado urbano. Greca aposta no recall de suas obras na capital para se viabilizar, mas enfrenta resistência da ala “municipalista” do partido, que o vê como muito curitibano.
- Alexandre Curi (PSD): O presidente da Assembleia Legislativa é a força do interior. Com trânsito livre entre prefeitos de pequenas e médias cidades, Curi domina a máquina partidária e tem a lealdade dos deputados estaduais. É o candidato dos políticos.
- Guto Silva (PP): O secretário de Cidades corre por fora, mas com força. Representa o Progressistas (PP), partido de Ricardo Barros, que é fiel da balança. Guto tenta se colocar como a “terceira via” dentro do governo, mais jovem e moderno, e sua candidatura é vital para manter o PP na base.
A Ameaça Real: Sergio Moro (União Brasil)
Enquanto o governo tenta se resolver internamente, a oposição tem nome e sobrenome. O senador Sergio Moro (União Brasil) lidera as pesquisas de intenção de voto com folga neste início de ano.
Sem a máquina do estado, Moro aposta na nacionalização da campanha, polarizando com o PT e se apresentando como o herdeiro legítimo da direita lavajatista, capturando o eleitorado conservador que pode achar a atual gestão “moderada demais”. Sua candidatura força Ratinho Junior a costurar uma aliança perfeita; qualquer racha na base governista pode entregar o Palácio Iguaçu de bandeja para o ex-juiz.
Senado: A Batalha pelas Vagas de Oriovisto e Arns
Em 2026, o Paraná renova duas cadeiras no Senado (as ocupadas hoje por Oriovisto Guimarães e Flávio Arns). É aqui que o jogo fica pesado:
- A Dúvida de Ratinho: O governador renunciará em abril para garantir uma vaga no Senado ou ficará até o fim para blindar a eleição do seu sucessor contra Moro? Se Ratinho descer para o Senado, uma vaga é virtualmente dele.
- A Segunda Vaga: Sobra uma cadeira para uma briga de foice.
- Ricardo Barros (PP): O cacique do PP quer voltar à majoritária.
- Gleisi Hoffmann (PT): A presidente do PT precisa de um mandato majoritário para fortalecer a esquerda no estado, apostando no voto de legenda lulista (cerca de 30%).
- Paulo Martins (PL): Corre como o nome do bolsonarismo raiz, caso a chapa de Moro não o absorva.
Abril: O Exôdo dos “Supersecretários”
A lei exige que secretários deixem os cargos 6 meses antes da eleição. Em abril, o governo Ratinho mudará de cara com a saída de peças-chave que voltarão às urnas:
- Beto Preto (Saúde): Deve deixar a pasta para buscar a reeleição segura como Deputado Federal (PSD), sendo um dos puxadores de voto da chapa.
- Sandro Alex (Infraestrutura): Outro que deve deixar a gestão das estradas e pedágios para garantir sua cadeira em Brasília pelo PSD, mantendo a força da família Oliveira nos Campos Gerais.
- Márcio Nunes (Turismo/Desenvolvimento): Articulador nato, também deve se desincompatibilizar para reforçar a bancada estadual ou federal.
O cenário está posto. Até abril, Ratinho Junior terá que fazer a escolha de Sofia: decidir quem será seu candidato ao governo sem implodir sua base de apoio, enquanto Sergio Moro assiste de camarote, esperando o primeiro erro.

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