(Foto: Divulgação PCPR)
Tolerância zero: ofensiva de 48 horas da PCPR prende 69 pessoas ligadas ao tráfico de drogas e armas no Paraná
Em duas megaoperações distintas, Polícia Civil desarticulou quadrilhas que atuavam em Curitiba, Campos Gerais, Oeste e Sudoeste. Líderes comandavam a logística do crime de dentro de presídios.
O crime organizado sofreu um duro golpe logístico e financeiro no Paraná entre a quarta (25) e a quinta-feira (26). Em uma demonstração de força da política de segurança pública estadual, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) deflagrou duas megaoperações quase simultâneas que resultaram na prisão de 69 pessoas envolvidas com o tráfico de entorpecentes, comércio ilegal de armas de fogo e lavagem de dinheiro.
As ações contaram com um forte aparato estatal, mobilizando mais de 200 policiais, uso de helicópteros, cães farejadores e o apoio integrado da Polícia Militar (PMPR) e Guardas Municipais.
O secretário da Segurança Pública do Paraná, Hudson Leôncio Teixeira, destacou o impacto das ações conjuntas: “Esta operação, deflagrada de forma integrada para o combate ao crime organizado, trará ainda mais segurança para a população”.
Veja abaixo como funcionava cada um dos esquemas desarticulados pelas autoridades:
A Rota dos Campos Gerais: 41 presos e arsenal apreendido
A operação mais recente ocorreu na manhã desta quinta-feira (26). O alvo principal foi uma violenta organização criminosa enraizada em Telêmaco Borba (Campos Gerais), mas que possuía células ativas em Ponta Grossa, Curitiba, Campo Largo, Jaguariaíva, Reserva e Imbaú.
A investigação de inteligência durou mais de um ano e começou de forma inusitada: a partir da apreensão de um único aparelho celular durante um mandado de busca e apreensão de rotina da PMPR. Ao puxar esse fio, os investigadores descobriram uma complexa rede de tráfico de armamentos pesados e drogas.
O saldo da operação desta quinta-feira:
- 41 pessoas presas (sendo que 10 já estavam encarceradas e receberam novos mandados dentro do sistema penitenciário).
- Cumprimento de 55 mandados de busca e apreensão.
- Apreensão de 4 espingardas, diversas munições e 28 celulares.
- Confisco de R$ 7,5 mil em espécie e 3 quilos de drogas (maconha e crack).
O delegado João Paulo Lauandos explicou que o grupo possuía uma estrutura empresarial, operando com fornecedores fixos e utilizando contas bancárias de “laranjas” para lavar o dinheiro sujo.
A Rota Sul-Mato-Grossense: Mulheres usadas como “mulas”
Um dia antes, na quarta-feira (25), a PCPR já havia sacudido o crime no interior e nas divisas do Estado. Foram 28 prisões executadas em cidades do Sudoeste e Oeste paranaense (Pato Branco, Clevelândia, Mariópolis, Cascavel e Quedas do Iguaçu), além de incursões em Concórdia (SC) e Campo Grande (MS).
Essa investigação começou em agosto de 2025, quando uma moradora de Pato Branco foi flagrada em um ônibus em Realeza transportando mais de dois quilos de crack presos ao corpo.
Como a quadrilha operava:
- O Chefe Fantasma: A liderança da facção era exercida por um detento custodiado no sistema prisional do Mato Grosso do Sul. De dentro da cela, ele determinava as rotas, coordenava a distribuição e gerenciava as contas bancárias de terceiros.
- Mães no tráfico: Mais da metade do grupo criminoso era composto por mulheres. A facção as utilizava estrategicamente para buscar a droga no Mato Grosso do Sul e trazer ao Paraná em ônibus de linha. Muitas viajavam com os próprios filhos pequenos para despistar a fiscalização nas rodovias.
Para a delegada Franciela Alberton, o foco agora é asfixiar o caixa dos criminosos. “Identificamos uma estrutura hierarquizada voltada à aquisição e armazenamento, bem como à movimentação e ocultação de ativos financeiros. Houve bloqueio e sequestro de contas bancárias para interromper esse fluxo”, pontuou.

Com informações de Agência de Notícias da Polícia Civil do Paraná
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