Turistas jovens são as maiores vítimas de afogamento no Litoral; drones viram aliados na prevenção

Turistas jovens são as maiores vítimas de afogamento no Litoral; drones viram aliados na prevenção

(Foto: Ricardo Almeida)

Turistas jovens são as maiores vítimas de afogamento no Litoral; drones viram aliados na prevenção


Análise do perfil das vítimas revela que 95% são turistas e a maioria entra no mar fora de área protegida; uso de tecnologia aérea e treinamento de elite ajudam a reduzir número de resgates.

Quem é a pessoa que corre mais risco de se afogar nas praias do Paraná? O Corpo de Bombeiros Militar (CBMPR) tem a resposta na ponta do lápis, ou melhor, dos dados: homem, jovem, turista e que entra na água à tarde, longe dos olhos de um guarda-vidas.

Este perfil detalhado é resultado do mapeamento da temporada de verão 2024/2025, divulgado para alertar a população. Os números mostram que, apesar do aparato recorde de segurança, o comportamento de risco continua sendo o fator determinante para as tragédias.

O Raio-X do perigo

Na temporada passada, o Litoral registrou 1.270 salvamentos (incluindo resgates preventivos e afogamentos). Deste total, 19 pessoas perderam a vida. Um dado chama a atenção: 100% dos óbitos ocorreram fora das áreas protegidas por postos de guarda-vidas ou fora do horário de atuação dos profissionais.

O levantamento traçou o perfil predominante das vítimas:

  • Sexo: 62,89% homens.
  • Idade: Mais de 60% tinham até 22 anos.
  • Origem: 95% eram turistas (maioria de Curitiba e RMC).
  • Habilidade: 51% não sabiam nadar.
  • Horário crítico: 75% dos incidentes ocorreram entre 12h e 18h59.
  • Causa: Em 64% dos casos, as correntes de retorno (repuxo) foram o fator principal, muitas vezes somadas ao consumo de álcool.

“O recado mais importante é que a população procure nadar sempre em áreas protegidas. No ano passado, não tivemos nenhum óbito em locais protegidos, e isso mostra que a prevenção funciona”, enfatiza o tenente-coronel Fabrício Frazatto, comandante do 8º Batalhão.

Tecnologia vigia o mar

Para combater esses números, o Paraná aposta na tecnologia. Oito drones de alta performance operam diariamente no litoral, equipados com câmeras térmicas, holofotes e alto-falantes.

A estratégia tem dado resultado. Enquanto na temporada passada foram feitos 783 resgates até meados de janeiro, neste ano o número caiu para 728 (uma redução de 6%). A grande vantagem do drone é a prevenção ativa: com visão aérea, o operador identifica uma corrente de retorno ou um banhista em perigo e usa o alto-falante para dar o alerta antes que o pior aconteça.

“Nós tínhamos uma incidência significativa de afogamentos fora do horário de funcionamento dos postos. Desde que os drones passaram a operar a partir das 7h e até às 20h, tivemos uma redução importante de incidentes”, explica Frazatto.

Formação de elite e atuação no Interior

Engana-se quem pensa que o uso dessa tecnologia é amador ou restrito às praias de mar. Para pilotar essas aeronaves, os bombeiros paranaenses passam por um treinamento rigoroso e inédito no país, com duração de três semanas.

O curso abrange desde a legislação aérea até técnicas de busca e varredura. Segundo a corporação, esse nível de especialização é obrigatório para garantir a segurança dos voos, que muitas vezes ocorrem sobre aglomerações de pessoas.

Além do Litoral, essa “vigilância aérea” foi expandida para as praias de água doce. As Costas Oeste e Noroeste do estado também contam com operadores de drone e guarda-vidas, protegendo os banhistas nos rios e prainhas artificiais, locais que historicamente registram grande movimento nesta época do ano.

Estrutura Recorde

O Verão Maior Paraná conta com a maior estrutura de salvamento da história da corporação.

  • Efetivo: 669 bombeiros militares e 362 guarda-vidas civis.
  • Postos: 133 ativos em todo o estado (110 só na Costa Leste).
  • Equipamentos: Helicóptero exclusivo (Arcanjo 01), drones, motos aquáticas e UTVs

Orientações Vitais

Para não virar estatística, os bombeiros reforçam:

  1. Nade apenas onde há posto de guarda-vidas e bandeira de sinalização.
  2. Água no umbigo, sinal de perigo.
  3. Crianças devem ficar à distância de um braço de um adulto.
  4. Se beber, não entre no mar.
  5. Em emergência, ligue 193.
Turistas jovens são as maiores vítimas de afogamento no Litoral; drones viram aliados na prevenção
(Foto: Ricardo Almeida)

Com informações de Agência de Notícias do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.

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