Pesquisa nacional aponta que 41% das líderes receberam apoio feminino para ascender na carreira, mas revela o alto preço pago pelas profissionais: 74% abrem mão do próprio autocuidado.
O velho mito da rivalidade feminina no ambiente de trabalho cai por terra diante dos dados. Um levantamento inédito realizado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados em parceria com a Todas Group revela que as mulheres são, na verdade, as principais promotoras do crescimento profissional de outras mulheres no Brasil.
A pesquisa ouviu 1.534 mulheres que ocupam cargos de liderança em todo o país. Os resultados desenham um cenário onde a sororidade corporativa é o principal motor de ascensão: quatro em cada dez entrevistadas (41%) afirmaram que a ajuda decisiva para subirem na carreira veio, preferencialmente, de outras mulheres.
A força da rede de apoio feminina
Os dados do levantamento mostram que o apadrinhamento masculino tradicional já não é a regra absoluta para o sucesso feminino. O cenário de apoio ao longo da trajetória profissional das líderes ouvidas se divide da seguinte forma:
- 41% receberam apoio principalmente de outras mulheres.
- 29% contaram com a ajuda tanto de homens quanto de mulheres.
- 14% foram apoiadas principalmente por homens.
- 13% não receberam ajuda relevante de terceiros.
- 3% não souberam distinguir a origem do apoio.
A CEO da Todas Group, Simone Murata, que lidera a organização focada em prestar consultoria para empresas interessadas em impulsionar lideranças femininas, enfatiza a importância dessa rede de contatos:
“Não adianta nós mulheres estarmos preparadas, se você não tem uma rede e uma aliança robusta por trás de você que a ajude a crescer. Quando uma cresce, todas crescem. Essa é a força da mulher. A partir do momento em que você está em uma situação privilegiada, você ajuda essa mulher a ascender. O primeiro achado nessa pesquisa é sobre isso.”
O perfil de quem recebe esse apoio muda conforme a cadeira ocupada. O patamar de ajuda predominantemente masculina é mais alto entre mulheres mais velhas (41 a 59 anos) e naquelas que chegaram ao topo máximo da hierarquia: presidentes, vice-presidentes, CEOs ou sócias (20%). Já entre as mais jovens (25 a 40 anos) e em áreas como Marketing, Publicidade e Educação, o impulsionamento feminino chega a bater a marca de 56%.
O preço da liderança: renúncias e esgotamento
Apesar da força da rede de apoio, a ascensão profissional cobra uma fatura alta. O levantamento investigou os bastidores do sucesso e descobriu que o crescimento na carreira é quase sempre acompanhado de sacrifícios pessoais profundos.
As principais renúncias apontadas pelas líderes foram:
- 74% abriram mão do autocuidado (saúde física e hobbies).
- 53% sacrificaram o tempo com a família.
- 53% relataram perdas na saúde mental.
- 37% renunciaram aos momentos de lazer.
- 25% adiaram ou abriram mão da maternidade.
“Quando a gente se coloca nessa lista de prioridades, fica lá embaixo. Eu [mulher] não abro mão dos meus filhos, não abro mão de entregas do meu trabalho, não abro mão de cuidar dos meus amigos.” — Simone Murata, CEO da Todas Group.
O reflexo desse sacrifício aparece nos hospitais. Dados do Ministério da Saúde apontam que os atendimentos por Síndrome de Burnout (esgotamento profissional) aumentaram 54% entre as mulheres no Sistema Único de Saúde (SUS) no comparativo dos últimos anos, superando amplamente os diagnósticos registrados entre os homens.
O peso da idade nas concessões profissionais
A pesquisa revela que a dor do sacrifício muda de acordo com a geração. Para as líderes mais jovens (18 a 24 anos), o peso maior recai sobre a vida social, lazer e relacionamentos afetivos. Já na faixa dos 25 aos 40 anos, o grande impacto é na saúde mental. Para as profissionais acima dessa idade, o maior lamento é a perda de tempo com a família.
Para a CEO da Todas Group, essa diferença ilustra a evolução — e a dureza — do mercado de trabalho ao longo das décadas.
“Há 20 anos, se exigia ainda mais da mulher, ela tinha que se provar muito mais. As concessões que essa mulher, que hoje tem 50 anos, teve que fazer, são superiores às dessa geração que está entrando agora. A ascensão feminina precisa ser equilibrada para que o trabalho seja sempre o nosso motor de prazer.”
Mentoria na prática: o exemplo do varejo
Fora da teoria, a união feminina já rende frutos expressivos em grandes corporações. Denise Hamano, que atuou por 15 anos no setor de tecnologia, hoje é uma das líderes do Magalu. Ao lado de Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração, ela ajudou a criar uma comunidade interna para mulheres de negócios.
O grupo reúne mais de 3 mil empreendedoras e lojistas que utilizam a plataforma da empresa. A base do projeto é a troca de experiências e o suporte mútuo.
“Elas estão ali dando dicas uma para outra de como vender mais o seu produto. Temos um programa de mentoria dentro da comunidade, em que as próprias integrantes se inscrevem para serem mentoras ou mentoradas. Totalmente de graça.” — Denise Hamano, líder no Magalu.
Mesmo com a rede de apoio estruturada, o desafio da jornada múltipla continua sendo o principal obstáculo. Denise conta que, após ouvir vendedoras de todo o Brasil, a queixa é unânime:
“A gente fez vários grupos focais, com vendedoras do Brasil inteiro, e a maior dificuldade que tinham no dia a dia era dar conta da casa, do negócio, dos filhos, ou cuidar de algum parente.”
Com informações de Agência Brasil
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