(Foto: Olivier Hoslet)
União Europeia decide aplicar acordo com o Mercosul de forma provisória para acelerar comércio
Bloco europeu não vai esperar o fim das disputas judiciais no parlamento e começará a reduzir tarifas comerciais. Medida gera forte reação e revolta do governo da França.
A União Europeia aplicará de forma provisória o acordo de livre comércio firmado com o Mercosul. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (27) pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. O objetivo principal da medida é garantir que o bloco europeu saia na frente e obtenha a vantagem do pioneirismo nas novas relações comerciais.
O que significa a aplicação provisória do acordo
O pacto comercial entre a União Europeia e os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) foi concluído após 25 anos de longas negociações. Este é considerado o maior pacto comercial de todos os tempos já feito pela Comissão Europeia em termos de reduções tarifárias.
Normalmente, a União Europeia aguarda a aprovação final dos seus acordos de livre comércio pelos governos de cada país membro e pelo Parlamento Europeu. No entanto, no mês passado, parlamentares europeus votaram para contestar o acordo no tribunal superior do bloco. Essa disputa judicial, liderada por deputados da França, poderia atrasar a implementação total do tratado em cerca de dois anos.
Com a aplicação provisória, as duas regiões podem começar a reduzir tarifas e aplicar outros aspectos do acordo antes mesmo da aprovação pela assembleia da UE. A Comissão informou que as regras podem entrar em vigor provisoriamente dois meses após uma troca de notificações com os membros do Mercosul.
A revolta da França com a decisão
A decisão da Comissão Europeia gerou forte insatisfação no governo francês. A França é a maior produtora agrícola de toda a União Europeia e tem sido a opositora mais veemente da parceria.
O país europeu afirma que o tratado aumentará drasticamente as importações de produtos como carne bovina, aves e açúcar baratos. O governo francês argumenta que isso prejudicará os produtores nacionais, que têm realizado repetidos protestos contra o acordo.
“Para a França, é uma surpresa, uma surpresa ruim, e para o Parlamento Europeu, é desrespeitoso”.
A declaração acima foi dada pelo presidente da França, Emmanuel Macron, a repórteres após uma reunião com o primeiro-ministro esloveno, Robert Golob, no Palácio do Eliseu, em Paris. Além do governo, a associação francesa da indústria da carne (Interbev) divulgou um comunicado pedindo que os parlamentares do país ajam para impedir que a Comissão contorne o que chamaram de “debate democrático”.
Por que a Europa tem pressa para fechar o negócio
A pressa para colocar o acordo em prática é defendida por países de grande peso na economia, como a Alemanha e a Espanha. Eles argumentam que a parceria com o Mercosul é essencial por três motivos principais para a economia europeia:
Redução de custos bilionários: O acordo com os países sul-americanos pode eliminar cerca de 4 bilhões de euros em tarifas sobre as exportações de produtos da União Europeia.
Compensação de perdas financeiras: O bloco europeu precisa compensar as perdas comerciais que foram causadas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos.
Independência de insumos: A aliança comercial ajuda a reduzir a dependência que a Europa tem da China em relação a minerais essenciais.
Como os países europeus votaram
Apesar da forte oposição da França, a maior parte do bloco europeu apoia a aliança com a América do Sul. Em uma votação realizada em janeiro, o cenário de apoio ficou definido da seguinte maneira:
- A favor: Um total de 21 países da União Europeia votou apoiando o acordo.
- Contra: Apenas 5 países votaram contra a medida (França, Áustria, Hungria, Irlanda e Polônia).
- Abstenção: A Bélgica foi o único país que se absteve da votação.
O andamento da aprovação no Mercosul
A decisão da Europa de acelerar a aplicação provisória ocorre logo após movimentações políticas importantes dentro do próprio Mercosul.
“Já disse antes, quando eles estiverem prontos, nós estaremos prontos. Nessa base, a Comissão irá agora prosseguir com a aplicação provisória”.
A declaração da presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, foi feita após os avanços de aprovação na América do Sul nesta semana. Veja como está a situação da ratificação nos países do Mercosul:
Argentina: Ratificou o acordo comercial na quinta-feira (26).
Uruguai: Também concluiu a ratificação na quinta-feira (26).
Brasil: A Câmara dos Deputados aprovou o acordo na quarta-feira (25). Agora, ainda é preciso que o Senado brasileiro dê o seu aval para a confirmação.
Paraguai: O país ainda precisa confirmar e ratificar o acordo junto aos outros parceiros do bloco.
Com informações de Agência Brasil
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