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Vai renovar o contrato? ‘Inflação do aluguel’ despenca em fevereiro; veja como negociar com o proprietário

Vai renovar o contrato? 'Inflação do aluguel' despenca em fevereiro; veja como negociar com o proprietário

(Foto: Alana Piovezan)

Vai renovar o contrato? ‘Inflação do aluguel’ despenca em fevereiro; veja como negociar com o proprietário


Puxado pelo recuo no preço de commodities como minério de ferro e soja, indicador reverte a alta de janeiro. Apesar do cenário de deflação, inquilinos precisam ficar atentos às cláusulas dos contratos de locação.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), tradicionalmente conhecido como a “inflação do aluguel”, registrou uma queda expressiva de 0,73% em fevereiro de 2026. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (26) pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e mostram uma reversão imediata da alta de 0,41% que havia sido observada em janeiro.

Com este novo resultado, o IGP-M passa a acumular uma retração de 0,32% nos dois primeiros meses do ano e uma deflação de 2,67% no acumulado dos últimos 12 meses. O cenário é radicalmente diferente do observado no mesmo período do ano anterior: em fevereiro de 2025, o índice havia subido 1,06% no mês, acumulando uma alta de 8,44% em 12 meses.

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Abaixo, um resumo da trajetória recente do indicador na transição de ano:

PeríodoVariação MensalAcumulado em 12 Meses
Dezembro/2025-0,01%-1,05%
Janeiro/20260,41%-0,91%
Fevereiro/2026-0,73%-2,67%

O que puxou a queda em fevereiro?

Para entender o movimento do IGP-M, é necessário observar os três componentes que formam o índice. Em fevereiro, a queda foi fortemente influenciada pelo mercado atacadista e pelas commodities agrícolas e minerais.

  • IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo): Representa 60% do IGP-M. Registrou queda de 1,18% em fevereiro, invertendo a alta de 0,34% de janeiro. Segundo André Braz, economista da FGV, o recuo foi puxado por commodities de grande peso, como o café (-9,17%), o minério de ferro (-6,92%) e a soja (-6,36%).
  • IPC (Índice de Preços ao Consumidor): Representa 30% do IGP-M. Subiu 0,30% em fevereiro, uma desaceleração em relação à alta de 0,51% de janeiro. O alívio no bolso das famílias veio da perda de intensidade nas altas das mensalidades escolares e recuos em grupos como Alimentação e Transportes.
  • INCC (Índice Nacional de Custo da Construção): Representa 10% do IGP-M. Teve alta de 0,34% em fevereiro, também desacelerando frente aos 0,63% de janeiro. A inflação da mão de obra perdeu fôlego, passando de 1,03% para 0,39%.

O meu aluguel vai ficar mais barato?

Embora o IGP-M acumulado em 12 meses esteja negativo (-2,67%), isso não garante automaticamente que o valor do aluguel será reduzido na hora da renovação do contrato.

Muitos contratos de locação imobiliária elaborados nos últimos anos incluem uma cláusula específica de “reajuste conforme variação positiva do IGP-M”. Na prática, isso significa que, se o índice acumular alta, o aluguel sobe; mas se o índice for negativo (deflação), o valor do aluguel é apenas congelado e mantido no mesmo patamar do ano anterior, sem desconto para o inquilino.

Especialistas do mercado imobiliário recomendam que os inquilinos com contratos vencendo agora revisem seus documentos e utilizem o cenário de deflação como argumento para negociar a manutenção ou até mesmo um desconto no valor da locação diretamente com os proprietários ou imobiliárias.

Contexto macroeconômico: Herança de 2025

O movimento de queda no início de 2026 consolida uma tendência que já vinha se desenhando. O IGP-M encerrou o ano de 2025 com uma baixa acumulada de 1,05%.

Segundo Matheus Dias, economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), o fechamento de 2025 refletiu um ano marcado pela desaceleração da atividade global, o que limitou o repasse de custos. Além disso, a melhora nas safras agrícolas aliviou os preços das matérias-primas, criando um ambiente de menor pressão inflacionária para 2026.

Esse cenário do IGP-M contrasta com a inflação oficial do país medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que fechou 2025 em torno de 4,32%, ficando mais próximo do limite superior da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%.

Vai renovar o contrato? 'Inflação do aluguel' despenca em fevereiro; veja como negociar com o proprietário
(Foto: Alana Piovezan)

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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