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Fim da farra extrateto: STF e Congresso fecham acordo para barrar ‘penduricalhos’ nos Três Poderes

Fim da farra extrateto: STF e Congresso fecham acordo para barrar 'penduricalhos' nos Três Poderes

(Foto: Rosinei Coutinho)

Fim da farra extrateto: STF e Congresso fecham acordo para barrar ‘penduricalhos’ nos Três Poderes


Após liminares dos ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, cúpula de Brasília define regras de transição para suspender benefícios ilegais; plenário do Supremo vota o caso nesta quarta (25).

O cerco aos supersalários no serviço público brasileiro ganhou um contorno decisivo nesta terça-feira (24). Em reunião realizada em Brasília, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, fecharam um acordo para criar regras de transição visando limitar o pagamento de “penduricalhos” nos Três Poderes.

O encontro, que também contou com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, e o vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, ocorre às vésperas de um julgamento crucial. Nesta quarta-feira (25), o plenário do STF votará de forma definitiva se mantém a decisão que suspende o pagamento dessas verbas irregulares em todo o país.

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Afinal, o que são os ‘penduricalhos’?

No jargão político e jurídico, penduricalhos são benefícios extras e verbas indenizatórias criadas por portarias, decisões administrativas ou leis estaduais específicas que são adicionadas ao salário-base de juízes, promotores, políticos e servidores de alto escalão.

O grande problema dessas verbas é que, por serem classificadas como “indenizações” (como auxílio-moradia, auxílio-saúde, auxílio-livro e até anomalias como “auxílio-peru” ou “auxílio-panetone” no fim do ano), elas não entram no cálculo do abate-teto.

Na prática, esses penduricalhos servem como uma manobra para burlar a Constituição e fazer com que a remuneração final desses servidores ultrapasse o teto constitucional do funcionalismo público, que atualmente é de R$ 46,3 mil (o salário de um ministro do STF).

A ofensiva do STF contra os supersalários

A movimentação para barrar essa prática ganhou força no início deste mês. No dia 5 de fevereiro, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão em até 60 dias de todos os penduricalhos sem previsão em lei federal, afetando o Judiciário, Executivo e Legislativo nas esferas federal, estadual e municipal. Dino classificou o cenário atual como um “fenômeno da multiplicação anômala”.

Nesta terça-feira (24), o ministro Gilmar Mendes engrossou o caldo. Ele determinou a suspensão imediata do pagamento dessas verbas a integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público (MP) baseadas em leis estaduais ou atos administrativos.

“O pagamento de quaisquer verbas em desconformidade consubstanciará ato atentatório à dignidade da justiça e deverá ser apurado no âmbito administrativo-disciplinar e penal, sem prejuízo do dever de devolução de tais valores”, alertou Gilmar Mendes em sua decisão.

Prazos e próximos passos

Para que os tribunais e órgãos se adaptem ao fim da farra extrateto, foram estabelecidos prazos rigorosos:

  • 60 dias: Prazo máximo para que Tribunais de Justiça e Ministérios Públicos estaduais suspendam pagamentos baseados em leis estaduais.
  • 45 dias: Prazo para interrupção de pagamentos baseados apenas em decisões administrativas ou atos normativos secundários.

A partir de agora, segundo a determinação, qualquer verba extra só poderá ser paga se estiver expressamente prevista em lei editada pelo Congresso Nacional, garantindo uma uniformidade do regime remuneratório em todo o país.

Fim da farra extrateto: STF e Congresso fecham acordo para barrar 'penduricalhos' nos Três Poderes
(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom)

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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