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Novo sistema da 99 pode bloquear motociclistas no Paraná por manobras perigosas

Novo sistema da 99 pode bloquear motociclistas no Paraná por manobras perigosas

Tecnologia de monitoramento via celular passa a punir excesso de velocidade e curvas bruscas; medida promete viagens mais seguras para passageiros, mas gera tensão entre os pilotos parceiros

Quem costuma solicitar uma corrida de moto pelo aplicativo 99 para fugir do trânsito — ou quem tira o seu sustento pilotando pela plataforma — vai se deparar com uma nova realidade de tolerância zero. A empresa implementou uma tecnologia de rastreamento direto no celular do motorista que funciona como um verdadeiro “radar invisível”.

A partir de agora, condutores que abusarem da velocidade, fizerem ziguezague entre os carros ou frearem de forma muito brusca poderão ser suspensos ou até banidos permanentemente do aplicativo.

A mudança inverte a dinâmica do serviço de mobilidade: o foco central agora é tentar garantir a integridade de quem está na garupa, mas impõe uma pressão inédita sobre a rotina dos pilotos de aplicativo que dependem da ferramenta para fechar as contas da família no fim do mês.

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Reflexos no trânsito paranaense e na segurança pública

Nos últimos anos, o serviço de transporte de passageiros em duas rodas teve uma explosão de demanda em cidades como Curitiba, Londrina, Maringá e Cascavel. A praticidade e o baixo custo, no entanto, vieram acompanhados de um desafio crônico para o estado: o alto volume de acidentes. Historicamente, os atendimentos do Siate a vítimas de quedas e colisões de motos lideram as estatísticas de trauma nos hospitais públicos e leitos do SUS no Paraná.

A nova ferramenta da 99 atua diretamente para frear este gargalo. Como o sistema identifica o padrão de direção em tempo real, vias expressas de tráfego rápido e pesado no estado, como a Linha Verde na capital ou a BR-277, devem registrar uma mudança de comportamento imediata dos motociclistas. Sabendo que estão sob vigilância contínua de um algoritmo que pode cortar sua renda, a margem para imprudências cai drasticamente.

O radar invisível: o que reprova o condutor?

Através dos sensores de movimento nativos dos smartphones (como o acelerômetro e o giroscópio), o algoritmo desenvolvido pela 99 capta as irregularidades na condução da moto. Para continuar operando sem restrições, o motociclista precisa manter uma nota mínima de 60% em seu perfil.

As infrações que derrubam a pontuação do piloto incluem:

  • Acelerações e frenagens bruscas;
  • Curvas muito acentuadas e manobras extremas;
  • Mudanças de faixa abruptas;
  • Ultrapassagem do limite de velocidade da via.

Em uma próxima etapa de atualizações, a plataforma também promete integrar o monitoramento para flagrar avanço de sinal vermelho, tráfego na contramão e invasão de calçadas.

A dinâmica de punição funciona em cascata. Se o motorista cair abaixo da nota de 60%, ele recebe um aviso e tem um prazo de 15 dias para melhorar. Caso o comportamento de risco persista, a empresa aplica um bloqueio inicial de 5 dias sem poder trabalhar. Havendo reincidência nos meses seguintes, o gancho sobe para 10 e depois 30 dias, podendo resultar na exclusão definitiva da plataforma.

Associação aponta falta de apoio aos trabalhadores e cobra profissionalização

Os dados da empresa apontam que a vigilância tem funcionado. Um projeto piloto iniciado no Rio de Janeiro e os relatórios do primeiro trimestre de 2026 mostram que 82% dos condutores corrigem seus erros de condução após receberem o primeiro alerta preventivo. Nacionalmente, a 99 registrou uma queda de 35% nos acidentes entre janeiro e março deste ano — um salto considerável em relação à redução de 11% vista no mesmo período do ano passado.

Apesar da evolução na segurança viária, a medida levanta debates profundos sobre o modelo de trabalho da “gig economy” no Brasil, marcado por tensões constantes entre deveres cobrados pelos aplicativos e a falta de garantias sociais.

Não deixa de ser interessante que as empresas saibam tanto sobre o que os trabalhadores fazem no trânsito e nunca saibam quando algum se acidenta. Sabe se muda de faixa, mas não sabe se está no hospital.”

A forte crítica parte de Edgar Francisco da Silva, presidente da Associação dos Motofretistas de Aplicativos e Autônomos do Brasil (AMA-BR). Para a categoria, o papel primário de fiscalizar as vias é do Estado. A associação argumenta que as gigantes da tecnologia deveriam investir na profissionalização prática e em uma rede de assistência real aos parceiros, em vez de focar energia apenas em vigilância eletrônica e punições unilaterais.

O que você precisa saber em resumo

  • Monitoramento rígido: A 99 agora usa os sensores do celular para rastrear manobras arriscadas, excesso de velocidade e freadas bruscas feitas por motociclistas.
  • Punição progressiva: Pilotos com pontuação de direção abaixo de 60% recebem advertência. Se não melhorarem, sofrem bloqueios que variam de 5 a 30 dias ou até o banimento.
  • Impacto e polêmica: A tecnologia reduziu acidentes em 35% no início de 2026, mas gera protestos da associação da categoria, que pede menos punição isolada e mais apoio hospitalar e profissionalização para os trabalhadores.

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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