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Câmeras nas fardas: a tecnologia que 82% dos cidadãos cobram das polícias

Câmeras nas fardas: a tecnologia que 82% dos cidadãos cobram das polícias

Pesquisa inédita revela que a maioria dos brasileiros rejeita extremismos e exige mais tecnologia, como câmeras corporais, para frear a criminalidade

Você provavelmente conhece a sensação de apressar o passo ao caminhar sozinho à noite, de segurar o celular com mais força no transporte público ou de sentir alívio apenas ao ouvir o barulho da tranca da porta de casa.

Para a imensa maioria da população, a tranquilidade de ir e vir tornou-se um luxo. Uma nova pesquisa do Instituto Sou da Paz comprova estatisticamente essa realidade: hoje, somente 32% das pessoas afirmam se sentir seguras na cidade onde moram.

Os dados, levantados pela Oma Pesquisa entre novembro e dezembro de 2025 com abrangência nacional, mostram que a insegurança molda o comportamento diário. Não se trata apenas de uma percepção isolada, mas de um problema estrutural que restringe o lazer, afeta a saúde mental e dita os horários em que os cidadãos ousam sair às ruas.

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O peso da violência e o cerceamento da liberdade feminina

Se o cenário é de alerta para o público em geral, para as mulheres a situação é ainda mais crítica. O levantamento indica que apenas 26% do público feminino consegue circular por sua cidade sem o peso do medo. Essa disparidade não surge do nada: 83% dos entrevistados no país relataram identificar a presença clara de violência contra a mulher em seus municípios.

Historicamente, o planejamento urbano e as políticas de segurança não priorizaram a vivência feminina. Ruas mal iluminadas, pontos de ônibus isolados e a falta de patrulhamento preventivo transformam o simples ato de voltar do trabalho em uma jornada de tensão. Esse ambiente de vulnerabilidade exige que as autoridades repensem a infraestrutura das cidades e criem redes de proteção mais ágeis e acessíveis.

A tecnologia como escudo: o cenário para as forças de segurança

Diante de índices tão altos de apreensão, a população aponta para a modernização como saída. A pesquisa mostra que 82% dos cidadãos são favoráveis ao uso de câmeras corporais (as chamadas bodycams) nos uniformes policiais, enquanto 65% exigem corporações mais bem preparadas.

Trazendo esse termômetro nacional para a nossa realidade regional, a pressão por inovação já redesenha a atuação das polícias no estado. No Paraná, o debate sobre o uso de tecnologia na farda da Polícia Militar (PMPR) ganhou força expressiva nos últimos anos, passando de uma promessa distante para uma necessidade operacional.

As câmeras atuam em duas frentes vitais: protegem o cidadão de possíveis excessos e blindam o bom policial contra falsas acusações de abuso de poder, garantindo a lisura das abordagens em cidades como Curitiba, Londrina e Maringá.

A mensagem das ruas é clara: os cidadãos esperam que o Estado invista o dinheiro dos impostos em inteligência investigativa e transparência, e não apenas na ostensividade tradicional.

Fim da justiça com as próprias mãos? População prefere a lei

Um dos achados mais surpreendentes do estudo quebra o mito de que o brasileiro é adepto do vigilantismo violento. A famosa e polêmica frase “bandido bom é bandido morto” é rejeitada pela esmagadora maioria, encontrando apoio em apenas 20% da sociedade.

Em contrapartida, 73% dos entrevistados defendem que os criminosos sejam devidamente julgados e presos. Além disso, 55% acreditam que a solução principal é aplicar as leis que já existem de forma rigorosa, enquanto uma parcela menor (39%) pede o aumento do tempo de prisão. Isso demonstra um amadurecimento do debate público, que passou a focar na eficácia do sistema judiciário em vez de soluções milagrosas ou extremistas.

A sociedade brasileira está cansada de promessas antiquadas e deseja outras formas de pensar esse tema, para além dos radicalismos cristalizados que não têm trazido resultados reais no dia a dia das pessoas. Há uma maioria silenciosa que busca resultados e eficácia, por isso apoia novas ideias sobre a segurança pública.” Carolina Ricardo, diretora-executiva do Instituto Sou da Paz

O impacto das armas e as rotas para um estado mais pacífico

A circulação de armamentos também foi pauta do levantamento. Longe de enxergar o armamento civil como política de proteção, 73% da população entende que ter mais armas em circulação gera, na verdade, mais violência. Mais de três quartos (77%) compreendem o risco do desvio, afirmando que revólveres e pistolas comprados legalmente acabam abastecendo o crime organizado quando são furtados ou roubados.

Para transformar esse cenário de insegurança nos próximos anos e devolver a tranquilidade aos bairros, o Instituto elaborou um mapa com cinco prioridades estratégicas para os governos:

Proteger meninas e mulheres com políticas de tolerância zero à violência de gênero;

Fortalecer e valorizar as polícias, garantindo melhor preparo e equipamentos tecnológicos;

Enfrentar o crime organizado focado em descapitalizar as quadrilhas;

Reduzir os roubos, que afetam diretamente o patrimônio e a rotina do trabalhador;

Retirar as armas ilegais de circulação com operações de inteligência.

O que você precisa saber em resumo

  • Apenas 32% dos cidadãos se sentem seguros em suas cidades, sendo o índice ainda menor entre as mulheres (26%).
  • Soluções baseadas em tecnologia e preparo ganham força: 82% da população apoia o uso de câmeras corporais pelos policiais.
  • A sociedade rejeita extremismos: só 20% apoiam letalidade fora da lei, enquanto a maioria cobra justiça e o cumprimento rigoroso da legislação vigente.

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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