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A importância do pré-natal contra o avanço da mortalidade materna

A importância do pré-natal contra o avanço da mortalidade materna

Centenas de mulheres ainda perdem a vida anualmente no país por complicações que poderiam ser evitadas com acompanhamento e pré-natal adequado

Para centenas de famílias brasileiras todos os anos, o momento que deveria ser a maior celebração da vida transforma-se de forma abrupta em um luto permanente. A perda de uma mãe durante a gestação, no momento do parto ou no puerpério (fase pós-parto) cria um trauma imensurável que reconfigura os laços familiares e deixa crianças recém-nascidas órfãs.

Quando uma mulher morre por causas ligadas à maternidade, toda a estrutura de cuidado ao redor dela é desfeita, exigindo uma reorganização que, na imensa maioria das vezes, sobrecarrega avós, tios e outros parentes próximos.

Além da dor incalculável da perda, a grande tragédia por trás dos dados frequentemente divulgados pelas autoridades de saúde é o fato de que a imensa maioria dessas mortes seria clinicamente evitável.

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O acesso irrestrito a um pré-natal de qualidade, diagnósticos precoces, profissionais bem treinados e hospitais bem equipados formam a linha de frente para garantir que a mulher saia da maternidade com segurança e com seu filho nos braços.

A urgência da prevenção e o reflexo nos lares

A mortalidade materna não é apenas uma estatística médica; ela é um termômetro direto da qualidade de vida e da eficiência dos serviços públicos de uma nação. Mulheres que falecem em decorrência da gravidez ou de suas complicações diretas geralmente deixam para trás não apenas o recém-nascido, mas outros filhos pequenos que dependiam integralmente de seus cuidados no dia a dia.

As principais causas que ainda interrompem a vida de gestantes no território nacional são conhecidas e amplamente estudadas pela medicina há muitas décadas. O alerta médico se concentra nos seguintes fatores de risco:

Hipertensão gestacional: quadros graves de pré-eclâmpsia e eclâmpsia, que podem causar convulsões e falência de múltiplos órgãos;

Hemorragias graves: sangramentos intensos e incontroláveis que ocorrem, na maioria das vezes, logo após a retirada da placenta;

Infecções sistêmicas: ocorrem frequentemente no ambiente hospitalar ou no período de recuperação já em casa;

Complicações decorrentes de abortos inseguros;

Agravamento de doenças preexistentes: condições crônicas como diabetes, obesidade e cardiopatias que se tornam críticas com as mudanças corporais exigidas pela gravidez.

Um desafio que atravessa décadas de políticas de saúde no Brasil

Historicamente, o Brasil trava uma longa e complexa batalha para alcançar as metas globais de saúde relacionadas à proteção da mulher. A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu, dentro de seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que até 2030 a taxa de mortalidade materna global deve ser reduzida para menos de 70 mortes a cada 100 mil nascidos vivos. O Brasil, de forma audaciosa, havia pactuado internamente reduzir essa taxa para, no máximo, 30 mortes por 100 mil nascidos vivos.

Apesar de o país ter registrado avanços muito significativos no início dos anos 2000, crises sanitárias recentes e as profundas desigualdades regionais no acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS) fizeram com que os indicadores estagnassem em várias regiões. Mulheres negras, mães de baixa renda e moradoras de áreas periféricas ou rurais continuam compondo a parcela mais vulnerável dessas tristes estatísticas.

O cenário paranaense e a interiorização da rede de proteção

Ao analisar a realidade do estado do Paraná, nota-se que a região Sul do Brasil tradicionalmente apresenta indicadores de saúde materna mais robustos em comparação às médias das regiões Norte e Nordeste. No entanto, os gargalos no estado ainda são reais e exigem ação contínua.

Para combater essa vulnerabilidade, o governo estadual atua por meio de políticas públicas focadas, como a Rede Mãe Paranaense, um programa desenhado especificamente para identificar e estratificar o risco de cada gestante logo nas suas primeiras consultas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

O Paraná concentra seus esforços estratégicos em garantir que gestantes identificadas como de “alto risco” sejam rapidamente encaminhadas para hospitais de referência, dotados de Unidades de Terapia Intensiva (UTI) neonatal e materna. Contudo, a interiorização dessa saúde especializada no estado ainda enfrenta barreiras geográficas.

Mulheres que vivem em municípios menores do interior paranaense muitas vezes precisam se deslocar por rodovias durante horas até cidades-polo para ter acesso a exames de imagem de precisão ou leitos de alta complexidade.

Para transformar definitivamente esse cenário regional, a solução passa pela expansão da infraestrutura e pela constante reciclagem no acolhimento humano. As equipes médicas nos postos de atendimento precisam garantir que as queixas de dores contínuas, mal-estar ou inchaço repentino relatadas por essas mulheres sejam investigadas com total rigor científico, jamais minimizando os sintomas.

O que você precisa saber em resumo

  • O Brasil ainda perde centenas de mulheres todos os anos por complicações relacionadas à gravidez e ao pós-parto, sendo a esmagadora maioria composta por mortes clinicamente evitáveis com acesso à saúde.
  • Quadros de pressão alta (pré-eclâmpsia), hemorragias severas e infecções continuam liderando os motivos de óbitos maternos no país, exigindo total atenção no pré-natal.
  • No Paraná, políticas de estratificação de risco buscam reduzir essas estatísticas monitorando o quadro clínico nas UBS locais e direcionando gestantes com vulnerabilidades para os grandes hospitais de referência.

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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