(Foto: Canva)
Criação de coelhos gera R$ 1,8 milhão no Paraná e busca mercado exportador
A atividade gerou R$ 1,8 milhão em 2024 no estado. Apesar das vantagens produtivas e do alto valor nutricional, a falta de hábito de consumo e de marketing ainda são barreiras para a carne de coelho chegar à mesa do brasileiro.
A criação comercial de coelhos, conhecida tecnicamente como cunicultura, é uma atividade que esconde um grande potencial econômico e nutricional no Brasil. O Paraná tem um papel de destaque nesse cenário: historicamente, o estado possui o terceiro maior plantel do país.
Os dados mais recentes sobre o desempenho do setor foram divulgados na quinta-feira (19) pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), por meio do Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral).
Os números da produção paranaense
Embora seja considerado um mercado de nicho, os números mostram que a atividade movimenta a economia local. Em 2024, a cunicultura gerou uma renda bruta de R$ 1,815 milhão no Paraná.
A estrutura produtiva do estado no último ano contabilizou:
- Um plantel de 24.170 animais.
- O abate gerou 145.660 kg de carne.
A produção está concentrada em alguns municípios estratégicos. A liderança absoluta no rebanho estadual pertence a Foz do Iguaçu, com 17 mil cabeças. Na sequência, destacam-se as cidades de Francisco Beltrão (1.150 cabeças) e Salgado Filho (700 cabeças).
Apesar do tamanho modesto da produção nacional (cerca de 12 mil toneladas ao ano), o Brasil tem demonstrado fôlego para o mercado externo. Em 2025, o país exportou 14.892 kg de carne de coelho, o que representou um expressivo crescimento de 145,5% no volume embarcado em relação a 2024.
Os principais destinos internacionais dessa produção no último ano foram :
- Ilhas Marshall (4.700 kg)
- Libéria (3.607 kg)
- Singapura (1.585 kg)
- Panamá (1.105 kg)
- Noruega (759 kg)

Um animal versátil: do couro à medicina
Para o produtor rural, o coelho oferece vantagens operacionais atrativas. É um animal herbívoro de manejo simples, dócil, que ocupa pouco espaço e possui um ciclo reprodutivo muito rápido. O abate pode ser feito precocemente, a partir dos 70 dias de vida, quando o animal atinge cerca de 1,8 kg.
Além da carne, a cunicultura é um exemplo de aproveitamento total, gerando subprodutos de alto valor agregado para diversas indústrias:
- Pele e pelos: Utilizados na indústria de vestuário para a confecção de casacos, bolsas, calçados (substituindo a camurça) e na produção de feltros.
- Cérebro: Aproveitado pela indústria farmacêutica (como na produção de medicamentos para o teste do pezinho e na extração de tromboplastina para testes de coagulação sanguínea).
- Orelhas: Destinadas à fabricação de gelatinas.
- Dejetos e vísceras: O esterco é um excelente adubo, e as carcaças podem ser transformadas em farinha e ração para outros animais.
- Urina: Utilizada na França na composição de perfumes, ajudando na fixação do aroma.
- Sangue: Utilizado para a produção de soro .
Alto valor nutricional e baixo consumo interno
Se a carne é tão boa, por que comemos tão pouco? A resposta esbarra em questões culturais. No Brasil, o coelho é visto majoritariamente como um animal de estimação e companhia, diferentemente da Europa (especialmente na Itália, França, Espanha e Portugal), onde o consumo faz parte da tradição gastronômica desde a Idade Média.
No entanto, especialistas apontam que a carne de coelho atende perfeitamente à atual demanda dos consumidores por uma alimentação mais saudável e equilibrada.
As principais características nutricionais da carne de coelho incluem:
- Alto teor de proteína (28%), superando o frango (20,8%), o boi (16,3%) e o porco (11,9%) .
- Baixo teor de gordura (10,2%), que é três vezes menor do que a carne suína (45%) e o equivalente à metade da encontrada no frango (11%) .
- Baixo teor de colesterol e de sódio .
- Taxas superiores de cálcio e fósforo em comparação com outros tipos de proteína animal.
A saída apontada para popularizar o consumo é investir em programas educativos e campanhas de marketing que destaquem justamente esse alto nível nutricional e a qualidade da carne branca, que é macia e saborosa .

Com informações de Agência de Notícias da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná
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