(Foto: Felipe Henschel)
Mais leitos e cirurgias: hospitais e AMEs mudam a vida no Sul do estado
Com aumento de 60% na capacidade de atendimento, cidades como União da Vitória, Irati e São Mateus do Sul ganham hospitais e ambulatórios que evitam o deslocamento de pacientes até Curitiba.
Imagine acordar às 3h da manhã, embarcar em uma van da prefeitura e viajar por mais de 200 quilômetros, enfrentando estradas perigosas, apenas para realizar um exame de ultrassom ou passar por uma consulta de rotina com um especialista.
Essa tem sido a realidade física e emocionalmente desgastante de milhares de paranaenses que vivem na região Sul do estado. No entanto, a inauguração de uma nova rede de atendimento regional muda definitivamente esse cenário, trazendo exames, cirurgias e internações para perto de casa.
As recentes inaugurações e autorizações de obras em saúde promovidas pelo Governo do Paraná representam uma virada de chave para a população do interior. Com a abertura de novos Ambulatórios Médicos de Especialidades (AMEs) e a construção e reforma de hospitais, a capacidade de atendimento na região saltará em 60%, colocando um fim à dependência crônica dos grandes centros urbanos.
O impacto prático na rotina e na economia local
Historicamente, a saúde pública no Brasil sofreu com a centralização de equipamentos de média e alta complexidade nas capitais. O impacto disso para o Paraná sempre foi duplo. Para o paciente, significava a perda de um dia inteiro de trabalho e o desgaste físico de viagens, muitas vezes pela rodovia BR-476 (conhecida pelo alto índice de acidentes e tráfego pesado).
Para os municípios do Sul do estado, isso representava um gasto milionário anual com combustível, manutenção de frotas de ambulâncias e contratação de motoristas — fenômeno popularmente conhecido como “ambulancioterapia”.
Ao fixar o atendimento em polos como União da Vitória e Irati, o impacto econômico e social é imediato. Os municípios passam a investir a verba que seria gasta com transporte rodoviário na melhoria dos próprios postos de saúde locais (Atenção Básica). Além disso, o paciente em recuperação pode ser visitado pela família com facilidade, mantendo sua rede de apoio emocional intacta.
A moradora de São Mateus do Sul, Jenifer Vanessa Goés, que agora conta com o novo Hospital e Maternidade Dr. Paulo Fortes na sua cidade, resume o sentimento da população:
“É um lugar maior. É uma maravilha e vai ajudar bastante, pois chega em uma boa hora para a comunidade.”
A diretriz do SUS na prática: a regionalização salva vidas
A descentralização dos serviços não é apenas uma conveniência; ela obedece a uma diretriz fundamental e histórica do Sistema Único de Saúde (SUS): a regionalização. Nos casos de urgências cardíacas ou neurológicas, por exemplo, o tempo de viagem entre o interior e Curitiba frequentemente resultava em sequelas irreversíveis ou mortes.
Ter leitos de UTI, tomógrafos e salas cirúrgicas a poucos minutos de distância significa agir dentro da “hora de ouro” da medicina de emergência.
“Temos como impacto direto a descentralização da saúde e também a redução de mortes evitáveis, como a de acidentes, além de diminuir muito a necessidade de deslocamentos para Curitiba”, explica José Alfredo Rocha Júnior, diretor da 6ª Regional de Saúde.

Raio-X dos investimentos: o que muda em cada cidade
Para que a população não precise “pegar a estrada”, uma injeção de recursos estaduais transformou canteiros de obras em estruturas já ativas ou em fase de implantação. Veja o roteiro das melhorias:
- União da Vitória: Ganhou um AME avaliado em R$ 12,8 milhões (com previsão de 4,8 mil consultas e 1,8 mil exames mensais) e terá a ampliação do Hospital Regional São Camilo (R$ 21,3 milhões investidos). O hospital passará de 62 para 101 leitos, incluindo 20 de UTI adulto e uma área de hemodinâmica para doenças cardiovasculares.
- Irati: Inauguração de um AME (R$ 15 milhões) com 43 salas e capacidade para até 15 mil atendimentos ao mês em 19 especialidades. Além disso, a cidade receberá um novo Pronto Atendimento Municipal (PAM) 24 horas.
- São Mateus do Sul: O Hospital e Maternidade Dr. Paulo Fortes já está funcionando, custeado com R$ 21 milhões, entregando 62 leitos de internação e acompanhamento completo do pré ao pós-parto.
- Bituruna: Assinatura de convênio de R$ 19,9 milhões para erguer do zero o novo Hospital São Vicente de Paula.
Nova estrutura reflete na redução do tempo de espera
O ganho em metros quadrados reflete diretamente na diversidade de diagnósticos oferecidos. Apenas no AME de Irati, equipamentos de ultrassonografia, raio-x, eletrocardiograma e eletroencefalograma passam a integrar a rotina da cidade. Esses dados e aprovações orçamentárias podem ser conferidos no portal da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná.
Quando polos regionais conseguem absorver sua própria demanda de consultas e triagens, todo o sistema estadual respira aliviado. Esse tipo de estrutura reflete de forma imediata e positiva na organização das listas de espera para procedimentos mais complexos em toda a rede de saúde.
O que você precisa saber em resumo
- Acesso ampliado: Novas unidades em União da Vitória, Irati, Bituruna e São Mateus do Sul aumentam a capacidade de exames e consultas em 60% na região Sul.
- Fim das viagens: Estruturas de alta complexidade evitam que pacientes precisem viajar horas até Curitiba para realizar raio-x, ultrassom ou cirurgias.
- Novos leitos e UTIs: Além dos ambulatórios, a região ganha novas maternidades, pronto-atendimentos 24h e um salto substancial no número de leitos de internação e UTI adulto.

Com informações de Agência de Notícias da Secretaria de Saúde do Paraná
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