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Energia limpa e comida: a engenharia por trás do paredão verde africano

Energia limpa e comida: a engenharia por trás do paredão verde africano

(Foto: Divulgação ONU)

Energia limpa e comida: a engenharia por trás do paredão verde africano


Mais do que plantar árvores, projeto liderado pela ONU freia o avanço do deserto e retira milhões de toneladas de carbono da atmosfera

A sobrevivência em uma das regiões mais áridas do planeta está ganhando um novo fôlego graças a uma barreira viva que corta um continente inteiro. Na linha de frente contra as mudanças climáticas extremas, a criação de um cinturão verde contínuo já alterou a realidade de 46 milhões de pessoas, garantindo comida na mesa, acesso inédito à eletricidade e novas fontes de renda onde antes o solo parecia exaurido.

Essa transformação profunda ocorre no Sahel, uma extensa faixa semiárida de transição espremida entre o deserto do Saara e a savana do Sudão. Historicamente castigada pelas secas, a região se tornou o palco da Grande Muralha Verde, um esforço internacional que vai além do cultivo de mudas. O foco da operação é reestruturar bacias hidrográficas, reintegrar paisagens degradadas e alavancar a economia sustentável, ações que já resultaram na criação de 4,6 milhões de empregos diretos.

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O motor econômico e social da restauração

Em áreas onde a escassez ditava o ritmo de vida, a regeneração da terra se converteu em sinônimo de desenvolvimento humano. Um dos pilares mais bem-sucedidos do projeto é a inserção produtiva das comunidades locais, com destaque para a liderança feminina no campo.

No Mali, por exemplo, mulheres receberam maquinário agrícola e treinamento técnico para expandir cooperativas de processamento de alimentos, multiplicando a produtividade local. No Chade, a revolução veio por meio da energia: trabalhadoras foram capacitadas para montar e consertar painéis solares, aliando a produção de 2.315 megawatts-hora de energia limpa a uma nova profissão permanente para centenas de famílias.

Esses avanços sociais integram o balanço de cinco anos do Acelerador da Grande Muralha Verde, um mecanismo criado em 2021 pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD). O objetivo dessa estrutura é conectar os mais de US$ 19 bilhões prometidos por financiadores globais com a vida de quem está nas aldeias, tentando reverter o histórico hiato entre o dinheiro prometido em cúpulas internacionais e a execução das obras.

Os números da barreira natural contra a seca

Desde que foi idealizada em 2007 pela União Africana e pela ONU, a meta da coalizão formada por 11 países fundadores é proteger e restaurar uma área de 156 milhões de hectares. Até o momento, o relatório oficial contabiliza 1,66 milhão de hectares em processo ativo e rastreável de restauração.

Do ponto de vista climático global, a intervenção funciona como um termostato estratégico: as áreas em recuperação já conseguiram sequestrar ou mitigar 24 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂). Esse volume diminui a pressão sobre a atmosfera e ajuda a amenizar eventos climáticos extremos no globo.

Nesse cenário de transição ecológica, inovações financeiras começam a ganhar protagonismo para manter o projeto de pé e custear a expansão florestal.

Apagão de dados e as metas para o futuro

Apesar do fôlego financeiro e dos resultados promissores, rastrear o crescimento de uma floresta que cruza tantas fronteiras esbarra na burocracia e na falta de infraestrutura tecnológica. Dos 389 projetos monitorados pelo recém-criado Observatório da Grande Muralha Verde, sediado em Burkina Faso, menos de 90 conseguem reportar seus dados alinhados aos padrões exigidos pela iniciativa.

A UNCCD reconhece que os resultados de 1,66 milhão de hectares são apenas uma fração inicial e conservadora do que está sendo feito, pois processos de restauração de terras levam décadas para produzir relatórios robustos. Para acelerar a fiscalização, coalizões nacionais já operam em nove dos 11 países parceiros.

A urgência de melhorar a gestão de dados, superar o desafio logístico e acelerar a captação de recursos será a principal pauta da 17ª Conferência das Partes (COP17) sobre Desertificação. O evento diplomático ocorrerá entre os dias 17 e 28 de agosto em Ulaanbaatar, na Mongólia, onde os países definirão os rumos para atingir a ousada meta de 10 milhões de empregos gerados até 2030.

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O que você precisa saber em resumo

  • A Grande Muralha Verde atingiu a marca de 1,66 milhão de hectares em processo rastreável de restauração na África e sequestrou 24 milhões de toneladas de CO₂.
  • O megaprojeto gerou 4,6 milhões de empregos e melhorou o acesso à energia limpa e à alimentação para 46 milhões de pessoas.
  • A busca por dados mais precisos e investimentos massivos será o foco da COP17 sobre Desertificação, sediada na Mongólia.

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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