Publicidade
Publicidade
Publicidade

El Niño extremo: calor volta no domingo, mas estado se prepara para inundações

El Niño extremo: calor volta no domingo, mas estado se prepara para inundações

(Foto: Roberto Dziura Jr)

El Niño extremo: calor volta no domingo, mas estado se prepara para inundações


Cenário climático extremo exige adaptação imediata em áreas urbanas e rurais de todo o estado.

A rotina de quem vive no Paraná passará por adaptações urgentes nos próximos meses. Com a confirmação de que o estado enfrentará um dos períodos mais chuvosos das últimas décadas, moradores de áreas com histórico de alagamentos precisam revisar calhas, telhados e sistemas de drenagem, enquanto o setor agrícola corre contra o tempo para readequar o calendário de plantio e colheita. Antes que esse cenário de longo prazo se consolide de forma definitiva, no entanto, os paranaenses terão uma breve janela de sol e calor intenso já nos próximos dias.

Trégua nas instabilidades e a volta do sol

Após uma quinta-feira (13) marcada por fortes rajadas de vento que chegaram a 68,8 km/h em Palmas e acumulados de chuva de quase 60 mm em Fazenda Rio Grande, o cenário começa a dar sinais de mudança. As tempestades, que trouxeram granizo e transtornos principalmente para o Centro-Sul, Campos Gerais e Leste do estado, estão perdendo força gradativamente.

Publicidade

A instabilidade foi impulsionada por um corredor de umidade e calor vindo da região Norte do país, um padrão comum em anos de transição climática, que frequentemente resulta em tempestades severas quando encontra massas de ar mais frias no Sul.

Onde ainda há risco de precipitação nas próximas horas

Nesta sexta-feira (14), os moradores da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) e do Litoral ainda enfrentam um dia úmido e frio. Antes mesmo das 8h da manhã, cidades como Morretes e Matinhos já registravam mais de 30 mm de chuva. Na capital, as máximas não devem ultrapassar os 19°C.

O tempo permanece instável sobretudo na metade sul do território paranaense. Para a tarde e o decorrer da madrugada de sábado (15), há previsão de pancadas isoladas e trovoadas, com maior intensidade nas áreas que fazem divisa com Santa Catarina.

El Niño extremo: calor volta no domingo, mas estado se prepara para inundações

A elevação dos termômetros a partir de domingo

A virada definitiva no tempo ocorre no domingo (16), quando a estabilidade atmosférica toma conta de todo o Paraná. O sol volta a predominar com força no interior, elevando rapidamente as temperaturas.

Nas cidades do Noroeste, os termômetros podem bater a marca dos 35°C, exigindo hidratação constante. Na RMC e no Litoral, o sol ainda disputa espaço com algumas nuvens, mas garante um clima agradável, com máximas variando entre 24°C e 25°C. A tendência de aquecimento se mantém firme para a segunda-feira (17).

Aquecimento oceânico recorde acende alerta global

Essa oscilação brusca entre tempestades intensas e ondas de calor é apenas uma amostra do que está por vir. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica Americana (NOAA) confirmou que o fenômeno El Niño se intensificou no último mês. Em julho, uma das principais áreas de monitoramento no Oceano Pacífico Equatorial registrou temperaturas 1,4°C acima da média.

Para o território brasileiro e, de forma mais aguda, para a região Sul, a alteração nos padrões de vento e pressão atmosférica global empurra frentes úmidas contínuas em direção à bacia do Rio Paraná. Há 69% de probabilidade de que este aquecimento supere os maiores episódios registrados desde 1950, trazendo à tona a memória das grandes inundações enfrentadas pelo Sul do Brasil em anos históricos como 1983 e 1997.

As chances de vivenciarmos impactos consistentes com o El Niño são maiores, mas não garantidos”, avalia a agência climática norte-americana, indicando a necessidade de preparo contínuo diante da volatilidade de eventos de proporções históricas.

O reflexo direto nas lavouras e rotina urbana

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) alerta que as chuvas ficarão acima da média até o fim de 2026, avançando pelo primeiro trimestre de 2027. O inverno já demonstrou essa força: em julho de 2026, 41 das 45 estações de monitoramento registraram volumes pluviométricos superiores à média histórica. Em Palmas, choveu 311 mm, o maior registro em 28 anos.

Para o agronegócio paranaense, a redução das áreas de seca traz alívio inicial, mas o excesso contínuo de água eleva a umidade do solo, atrapalhando o tráfego de maquinário, favorecendo doenças fúngicas e aumentando o risco de erosão. O planejamento minucioso do produtor será a linha divisória entre uma safra recorde e o prejuízo.

Medidas preventivas e estruturação nos municípios

Diante da gravidade, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) iniciou uma força-tarefa junto às 399 prefeituras paranaenses. A urgência da situação exige que as cidades adaptem suas infraestruturas para suportar a sobrecarga de água.

As principais ações já em andamento incluem:

Obras emergenciais: Limpeza de bueiros, galerias e desassoreamento de rios em 243 municípios, agora com dispensa de licenciamento ambiental pelo Instituto Água e Terra (IAT) para agilizar os trabalhos de mitigação.

Treinamento e simulados: Execução de cenários adversos de desastres (alagamentos e deslizamentos) com equipes municipais e moradores de áreas de risco, especialmente no Litoral (Morretes e Antonina).

Comunicação de risco: Instalação de 12 novas torres de telefonia móvel para garantir que cerca de 12 mil pessoas em áreas vulneráveis recebam alertas via celular em tempo real.

Assistência social: Revisão de 1.353 abrigos ativos no estado e capacitação de assistentes sociais para gestão de crises e atendimento a desabrigados.

>> Siga o canal do Jornal O Paranaense no WhatsApp

O que você precisa saber em resumo

  • As chuvas e os ventos fortes dão uma trégua a partir de sábado (15), com o sol retornando e elevando as temperaturas para até 35°C no Noroeste no domingo (16).
  • Agências globais e o Simepar confirmam 90% de chance de um El Niño “muito forte”, garantindo chuvas acima da média histórica no Paraná até dezembro de 2026.
  • Mais de 240 prefeituras já iniciaram obras de drenagem e a Defesa Civil instalou novas antenas para enviar alertas rápidos à população em áreas de risco.
Nova frente fria eleva risco de tempestades no Paraná, mas calor de 35°C continua
(Foto: Roberto Dziura Jr)

Com informações de Simepar


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
Publicidade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *