(Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom)
Queda de braço das bets: governo derruba 506 sites enquanto setor vai ao STF para barrar proibição
Força-tarefa monitora redes sociais para frear publicidade ilegal e avanço de novos domínios após veto presidencial
O governo federal iniciou uma ofensiva digital que resultou na queda de 506 sites irregulares de apostas online, logo após a edição da medida provisória (MP) que baniu as bets no país.
A ação coordenada entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Ministério da Fazenda ocorre simultaneamente a uma reação pesada do mercado, que acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar suspender imediatamente os efeitos da proibição.
Na prática, as plataformas que operavam no Brasil estão impedidas de receber novos cadastros e aportes financeiros, enquanto a publicidade do setor virou alvo de uma varredura policial.
Consumidores que participavam de grupos ou acompanhavam influenciadores no Telegram já encontram vigilância direta sobre 43 canais ativos, que concentram mais de 212 mil membros e agora estão sob análise técnica e criminal.
Monitoramento nas big techs e propagandas mascaradas
O cerco cibernético foca diretamente na responsabilidade das empresas de tecnologia. Um pente-fino governamental identificou anúncios de bets circulando ativamente nas estruturas do Google, da Meta e do TikTok. Foram flagradas campanhas prometendo lucros irreais, robôs de apostas com suposta precisão quase total e links que escondiam os verdadeiros donos dos domínios.
As empresas têm um prazo limite de dez dias, contados desde a última sexta-feira (25), para eliminar os anúncios antigos de suas plataformas. Campanhas novas estão proibidas e geram notificação imediata de remoção.
“A atuação integrada busca impedir que a retirada formal das bets seja contornada pela migração das atividades para redes sociais, aplicativos, grupos fechados, canais clandestinos ou plataformas hospedadas fora do país.”
Essa migração já começou a disparar alertas nos radares de segurança cibernética da força-tarefa.
Proliferação no mercado paralelo
O fechamento do mercado legalizado acelerou a abertura de cassinos digitais clandestinos. Dados de monitoramento técnico privado indicam o surgimento de 440 endereços não registrados no país nos dias que se seguiram aos primeiros rumores do veto estatal.
O laboratório de operações cibernéticas do governo identificou promessas enganosas de lucro mensal de 260% nas redes. O modelo dissimulado tenta captar jogadores que perderam acesso às plataformas habituais, usando identidades visuais clonadas de marcas conhecidas para mascarar o destino real do dinheiro depositado.
A batalha jurídica no Supremo
A proibição repentina provocou uma manobra judicial de urgência das entidades que representam o setor bilionário. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) protocolaram um pedido cautelar nas mãos do ministro Luiz Fux, exigindo a derrubada da MP e o retorno das regras de transição.
As organizações apontam um atropelo das decisões do Congresso Nacional, que já havia aprovado o marco regulatório de apostas em 2023. A defesa argumenta desvio de finalidade por parte do Executivo e alerta para a quebra da segurança jurídica de corporações que realizaram investimentos volumosos acreditando na abertura formal do mercado brasileiro.
A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou um prazo de 72 horas para apresentar argumentos em defesa da medida provisória antes que o relator decida o caso.
O Executivo justifica a urgência do banimento classificando o mercado de apostas como um indutor grave de ludopatia, associando o endividamento em massa das famílias aos mesmos mecanismos de destruição social causados pela dependência química.
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Com informações de Agência Brasil
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