(Foto: Divulgação CBMRJ)
Excursão para Copacabana termina com 10 vítimas fatais e alerta contundente da ANTT
Acidente com dez vítimas fatais levanta o debate sobre a fiscalização de frotas e a segurança dos passageiros em trajetos interestaduais.
A escolha por uma excursão rodoviária com preços atrativos, mas sem a devida verificação de credenciais, pode transformar um momento de lazer em uma tragédia irreversível. Para o passageiro, embarcar em um veículo não habilitado pelos órgãos de controle retira garantias fundamentais, como a certeza de que o ônibus passou por manutenção rigorosa, a presença de seguro de vida adequado e a condução por motoristas devidamente capacitados para trechos sinuosos.
Riscos ocultos na escolha de viagens não regulamentadas
O transporte clandestino de passageiros opera à margem da lei, negligenciando protocolos básicos de segurança. Sem a supervisão constante de engenheiros mecânicos e fiscais de trânsito, peças desgastadas, como freios e pneus, costumam ser o estopim para desastres em rodovias de serra. Quem contrata esse tipo de serviço muitas vezes desconhece que a empresa operadora não possui autorização para cruzar fronteiras estaduais, assumindo um risco silencioso a cada quilômetro rodado.
Passos para garantir uma viagem rodoviária segura
A prevenção começa muito antes de subir no veículo. Passageiros devem criar o hábito de exigir o número de registro da empresa e a placa do ônibus que fará o roteiro. Consultar esses dados garante que a viagem está amparada pelas normas de transporte vigente. Algumas medidas rápidas incluem:
- Solicitar o bilhete de passagem oficial com seguro incluído.
- Consultar o CNPJ da viação nos sistemas do governo federal.
- Verificar se o veículo possui o selo autêntico e atualizado da agência reguladora colado no para-brisa.
O panorama do transporte clandestino no território nacional
No Brasil, a vasta malha rodoviária e a alta demanda por viagens interestaduais de baixo custo criam um terreno fértil para a proliferação de frotas irregulares. A dificuldade de fiscalizar simultaneamente todas as rodovias federais permite que empresas inaptas continuem circulando livremente pelas estradas do país, colocando em xeque a segurança pública. Campanhas de conscientização e barreiras surpresa são estratégias utilizadas pelo poder público, mas a fiscalização esbarra no volume imenso de veículos e nas táticas de desvio de pedágios e postos policiais.
Tombamento na BR-040 interrompe trajeto para Copacabana
A face mais cruel dessa ausência de regulamentação ocorreu na madrugada de domingo (16), no Km 91 da BR-040, em Petrópolis (RJ). O ônibus, que partiu de Belo Horizonte com destino ao bairro de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, transportava 56 pessoas. Por volta das 4h30, o veículo tombou na descida da serra, bloqueando o fluxo da rodovia e exigindo uma força-tarefa que só permitiu a liberação da pista após as 7h da manhã.
Distribuição e atendimento emergencial aos feridos
A resposta ao desastre mobilizou múltiplas unidades de saúde da região metropolitana e serrana do Rio de Janeiro. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) e as equipes de resgate encaminharam os passageiros para diferentes complexos hospitalares. O Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, recebeu 14 vítimas, enquanto o Hospital Santa Teresa, em Petrópolis, atendeu 11 pessoas. Apesar de relatos iniciais mencionarem o Hospital Estadual Getúlio Vargas, a direção da unidade negou a entrada de feridos do acidente.
Identificação de falhas cadastrais pela agência reguladora
Horas após o resgate, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) confirmou que o ônibus operava à revelia da lei. O veículo de placa AKY-3454 não possuía nenhum tipo de habilitação ativa no sistema nacional para realizar transporte de passageiros entre diferentes estados, classificando a atividade inteiramente como operação clandestina.
Emaranhado de empresas e uso de adesivos inaptos
A investigação documental do veículo revelou uma teia de irregularidades. O ônibus estava formalmente registrado no nome da empresa Dinna Ellles Turismo, possuindo uma comunicação de venda para a PIT Tur Transportes Ltda. A agência constatou que nenhuma das duas empresas está habilitada. Para agravar o cenário de desinformação, a viagem era supostamente coordenada pela Estrela Guia Turismo — que também não possui cadastro — e o coletivo exibia um adesivo da ANTT pertencente a uma quarta empresa, a Samara, igualmente inapta para o serviço.
Defesa foca em esclarecimentos judiciais futuros
Diante das múltiplas constatações de irregularidade apontadas pelas autoridades, a defesa da operadora da viagem optou pelo silêncio estratégico. A Estrela Guia Turismo divulgou apenas uma nota de pesar, oferecendo suporte logístico para o translado dos corpos e o retorno dos sobreviventes para casa. Sobre as questões legais, a resposta oficial foi terceirizada.
“Eventuais esclarecimentos e manifestações serão apresentados oportunamente nos autos dos processos dos quais a empresa venha a fazer parte”, declarou o advogado Aroldo Leão Braz, da assessoria jurídica da empresa.
Confirmação do óbito de dez passageiras
O saldo do acidente escancarou a letalidade do tombamento. Dez mortes foram confirmadas, sendo todas as vítimas do sexo feminino. Oito mulheres faleceram ainda no local do acidente. A nona vítima perdeu a vida enquanto recebia os primeiros socorros em Duque de Caxias, e a décima morte foi atestada em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) em Petrópolis. A Secretaria de Estado da Polícia Civil (Sepol) conseguiu identificar nove delas após perícia no Posto Regional de Polícia Técnico-Científica (PRPTC):
- Lavinia Eduarda Souza Dias (7 anos)
- Ketelyn Polyane Alves de Oliveira (19 anos)
- Jhennifer Ferreira Carvalho (33 anos)
- Priscilla de Souza Braz (33 anos)
- Vânia Elida de Jesus Crispim (33 anos)
- Alessandra Pereira (34 anos)
- Natália Fimiano de Barros (34 anos)
- Keyla Perucci da Silva (35 anos)
- Dayanna de Lima Viana (36 anos)
- Luciana Ferreira Carvalho (53 anos)
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O que você precisa saber em resumo
- Um ônibus clandestino que saiu de Belo Horizonte para o Rio de Janeiro tombou na BR-040, resultando na morte de dez mulheres.
- A ANTT confirmou que o veículo e a empresa responsável não tinham autorização para realizar viagens interestaduais, operando com cadastros inaptos e adesivos falsos.
- Passageiros feridos foram distribuídos entre hospitais de Petrópolis e Duque de Caxias, recebendo atendimento de emergência.
Com informações de Agência Brasil
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