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Porcelanas de 1860 são resgatadas durante duplicação no Paraná

Porcelanas de 1860 são resgatadas durante duplicação no Paraná

(Foto: EPR Litoral Pioneiro)

Porcelanas de 1860 são resgatadas durante duplicação no Paraná


Escavações no Norte Pioneiro resgatam porcelanas e louças de 1860. Trabalhos de duplicação da via seguem o cronograma normal sem interrupções.

Motoristas que trafegam diariamente pelo asfalto da BR-153, entre Jacarezinho e Santo Antônio da Platina, percorrem o mesmo traçado utilizado por charretes há mais de um século. Equipes que executam as atuais obras de duplicação na via encontraram cinco sítios arqueológicos sob as camadas de terra. Os materiais resgatados comprovam que a rodovia moderna engoliu uma antiga rota rural, estabelecida durante o ciclo de expansão agrícola no Norte Pioneiro.

Apesar da magnitude histórica do achado, o cronograma das obras viárias permanece inalterado. A concessionária EPR Litoral Pioneiro isolou preventivamente as áreas localizadas nos quilômetros 7, 22 e 23. A medida cumpre rigorosamente os protocolos de preservação do IPHAN. O maquinário pesado continua operando nos trechos adjacentes para garantir a ampliação da capacidade de tráfego regional sem causar atrasos estruturais.

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Esse monitoramento ambiental preventivo durante a terraplanagem permitiu recolher fragmentos intactos de louças, porcelanas e vidros de uso cotidiano. Os itens desenterrados narram silenciosamente as dinâmicas de povoamento rural do Paraná.

Avanço das lavouras paulistas para o sul

As primeiras análises realizadas pelos arqueólogos datam as peças da segunda metade do século XIX, com forte incidência a partir da década de 1860. Esse período coincide com o deslocamento maciço de fazendeiros vindos do interior paulista. Os migrantes cruzaram a divisa em busca das férteis terras roxas paranaenses para estabelecer novas lavouras cafeeiras.

Os vestígios materiais deixados por essas famílias sugerem a existência de pequenos assentamentos comerciais ao longo da velha estrada de terra. A presença de múltiplos sítios arqueológicos com características idênticas na mesma região sustenta a teoria de uma ocupação contínua. O coordenador do projeto de salvamento arqueológico, Filipe Coelho, explica a sobreposição dos traçados na via.

O que hoje é a rodovia pode ter sido uma rota de deslocamento, um caminho para a passagem de cavalos, de charretes, que foi alargado.”

Grafismos passam por análise oficial

Além dos quatro pontos de concentração de louças, o quinto sítio arqueológico reserva características totalmente distintas da colonização cafeeira. O local fica no entorno imediato da conhecida formação rochosa da Pedra Criminosa, um imponente geossítio de Jacarezinho. Esse maciço abriga inscrições muito antigas que agora passam por um processo detalhado de documentação visual.

Os pesquisadores solicitaram as autorizações necessárias aos órgãos federais para aprofundar o estudo dessas marcações. O objetivo da equipe de campo é determinar a cronologia exata dos registros de pedra. A ação busca identificar quais grupos humanos originários habitavam e demarcavam o Vale do Paranapanema muito antes da chegada da agricultura comercial.

Destino do material e ensino acadêmico

O trabalho braçal de retirada e triagem dos artefatos prossegue pelas próximas semanas nas margens da BR-153. Cada peça removida do solo recebe uma numeração de catálogo e passa por limpeza a seco nos laboratórios de apoio da concessionária. Especialistas cruzam os formatos dos fragmentos recolhidos com mapas cartográficos antigos para reconstruir as práticas de consumo daquela época.

Após a conclusão da fase de campo, todo o acervo resgatado ganhará um destino com foco educacional contínuo. O lote completo será transferido oficialmente para a UEM. Os acadêmicos e cientistas da instituição assumirão a guarda das peças, transformando a cerâmica retirada da rodovia em fonte primária de pesquisa para as futuras gerações do estado.

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Porcelanas de 1860 são resgatadas durante duplicação no Paraná
(Foto: EPR Litoral Pioneiro)

Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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