(Foto: Navesh Chitrakar)
Enchente no Nepal mata 157 pessoas e deixa 384 turistas desaparecidos
Desastre na fronteira com o Tibete varre vilarejos e autoridades alertam para nova onda de lama
Pelo menos 157 pessoas perderam a vida e outras 384 seguem desaparecidas após uma avalanche de lama e rochas atingir a fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, nesta quarta-feira (26). A força das águas arrasou a região montanhosa dos Himalaias, isolando comunidades inteiras e destruindo a infraestrutura local. Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros que visitavam os populares circuitos de trilhas do país asiático. O cenário de destruição se estende por quilômetros ao longo dos rios da região.
As equipes de resgate enfrentam dificuldades extremas para acessar as áreas mais afetadas pelas cheias repentinas. O transbordamento dos rios impede o pouso de helicópteros em distritos como Rasuwa, que abriga cerca de 50 mil habitantes no lado nepalês. A lama engoliu estradas, pontes metálicas e projetos de energia, cortando as comunicações por tempo indeterminado. Esse isolamento logístico paralisa a contagem exata de vítimas e agrava a situação dos sobreviventes que aguardam socorro nas partes altas do vale.
Terremoto surge como principal hipótese para o colapso
O desastre teve início com o desprendimento de um enorme bloco de gelo e rochas no rio Lhende Khola. Dados do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ) indicam que um tremor de magnitude 4,4 atingiu a região exatos sete minutos antes das câmeras de segurança registrarem a primeira onda de lama.
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, informou ao Parlamento local que a atividade sísmica desponta como o provável gatilho da avalanche. A confirmação definitiva dessa dinâmica depende de avaliações de campo que ainda não podem ser realizadas.
A instabilidade do terreno impõe um risco contínuo para os moradores e para o avanço das tropas de salvamento. Uma grande massa de detritos formou uma represa natural no curso do rio que divide os dois países. O acúmulo constante de água atrás dessa barreira cria as condições perfeitas para um novo rompimento violento.
“Com uma obstrução ainda situada a montante no rio que marca a fronteira entre o Nepal e a China, as autoridades alertam que uma segunda inundação pode ocorrer“, alertou Qianggong Zhang, chefe de Riscos Climáticos e Ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas.
Devastação atinge moradores locais e alerta países vizinhos
O rastro de destruição não se limitou ao território nepalês, avançando de forma agressiva para o lado chinês. No Tibete, autoridades do condado de Gyirong registraram deslizamentos de terra diretos contra postos de fronteira terrestre, projetando um volume elevado de vítimas.
A urgência da situação forçou o administrador distrital Narendra Pariyar a ordenar a evacuação imediata de todos os moradores das margens do rio Bhote Koshi para terrenos mais elevados. As águas avançam agora rumo às planícies do norte da Índia, forçando os estados de Uttar Pradesh e Bihar a ativarem seus protocolos de alerta máximo.
Testemunhas que conseguiram escapar da zona de impacto relataram cenas de desespero enquanto as águas apagavam vilas do mapa. Imagens captadas no Tibete mostram dezenas de moradores correndo instantes antes de prédios comerciais e veículos cederem sob a pressão da correnteza barrenta. O impacto humano nas comunidades ribeirinhas ganha contornos mais dramáticos devido à falta de acesso rodoviário.
“Há devastação por toda parte. Os assentamentos próximos ao rio foram completamente arrastados. Cinco dos meus próprios parentes estão desaparecidos”, declarou Tula Bahadur BK, profissional de saúde do distrito de Rasuwa, à agência de notícias Reuters.
Operação de busca foca na localização de turistas internacionais
A autoridade de turismo do Nepal confirmou que a lista de centenas de desaparecidos concentra um grande contingente internacional. Pelo menos 105 indianos, 93 nepaleses, 12 britânicos, oito sul-coreanos e três norte-americanos constam nos registros de entrada da região atingida pelas inundações.
O levantamento detalhado das nacionalidades mobiliza as embaixadas e consulados presentes em Catmandu. As missões diplomáticas pressionam o governo local por vias alternativas de acesso aos parques nacionais.
Moradores do Paraná que possuam familiares em expedições de turismo pelo Himalaia devem contatar o núcleo de assistência do Itamaraty imediatamente. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro centraliza as buscas por cidadãos no exterior e coordena o repasse de informações junto às autoridades asiáticas de forma oficial. A orientação consular exige que as famílias reúnam dados essenciais, como o último roteiro conhecido e cópias de apólices de seguro-viagem, antes de acionar o plantão de emergência.
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Com informações de Agência Brasil
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