(Foto: Valdir Amaral)
PSD e PL lideram lista de deputados estaduais à reeleição no PR
Manutenção de mandatos tradicionais dita o ritmo da corrida eleitoral no Paraná e trava renovação no legislativo estadual.
Quem senta nas cadeiras da Assembleia Legislativa do Paraná pelos próximos quatro anos decide diretamente onde o governo estadual vai aplicar o seu dinheiro. A aprovação de novas estradas, a distribuição de viaturas policiais e o socorro financeiro aos hospitais do interior passam obrigatoriamente pelo crivo dos deputados estaduais.
Para o eleitor, a lista de candidatos protocolada no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná revela um cenário prático onde a máquina pública e o peso dos mandatos atuais tentam frear drasticamente qualquer chance de renovação política.
Uma análise detalhada das nominatas mostra que a corrida eleitoral está desenhada para proteger quem já está no poder. Deputados veteranos utilizam a estrutura de seus gabinetes e a proximidade com prefeitos para blindar suas bases eleitorais. Consequentemente, o eleitor que busca novos representantes esbarra em um sistema partidário que direciona a maior parte do fundo eleitoral para garantir a reeleição de seus caciques.
O cinturão governista do PSD na Assembleia Legislativa
O controle da base de apoio do governo estadual fica evidente na chapa montada pelo PSD. A legenda abrigou a maior concentração de parlamentares com mandato, formando um verdadeiro paredão contra a oposição. Figuras históricas que comandam as sessões e as comissões mais importantes da Alep, como Traiano e Romanelli, encabeçam a lista da sigla e monopolizam a atração de votos no interior do estado.
Essa estratégia de aglutinação garante ao executivo uma base previsível para aprovar projetos polêmicos ou impopulares no futuro. Nomes como Hussein Bakri, Artagão Júnior e Cobra Repórter também buscam a manutenção de suas cadeiras pelo partido. O peso político desses candidatos afeta o fluxo de emendas parlamentares na ponta, pois eles possuem trânsito livre nas secretarias de estado para liberar recursos aos prefeitos aliados com rapidez.
Disputa acirrada nos partidos tradicionais e oposição
Fora do guarda-chuva governista, outras legendas tradicionais tentam segurar seus espaços com unhas e dentes. O MDB, por exemplo, aposta grande parte de suas fichas financeiras na reeleição de Anibelli Neto e Tercilio Turini. Turini concentra sua força política na região de Londrina, evidenciando a dependência estrutural dos partidos em redutos geográficos bem delimitados para garantir a sobrevivência no legislativo.
O cenário estratégico se repete no Progressistas (PP). A sigla busca garantir a continuidade de Maria Victoria, que entra na disputa fortalecida por sua base consolidada na região de Maringá e na capital.
Já no espectro da oposição, o PT concentra a maior parte de sua estrutura na tentativa de reeleger o Professor Lemos. O parlamentar historicamente atrai os votos do funcionalismo público e do setor da educação em todo o estado. Pelo PDT, Goura tenta manter o mandato apostando pesado no eleitorado focado em mobilidade urbana e pautas ambientais, majoritariamente concentrado em Curitiba.
A força da segurança pública e da pauta religiosa
A reeleição também é o foco absoluto de fatias segmentadas do eleitorado paranaense, especialmente aquelas ligadas à segurança pública e às igrejas. O PL estruturou sua chapa estadual para blindar os mandatos do Delegado Jacovós e de Gilberto Ribeiro. O forte apelo da pauta punitivista mantém esses deputados em constante evidência na mídia, o que reduz drasticamente a necessidade de campanhas corpo a corpo exaustivas pelos bairros.
No Republicanos, a Cantora Mara Lima e Alexandre Amaro representam a força do voto evangélico na tentativa de manutenção de poder. Essa fidelidade quase automática do eleitorado religioso e policial cria feudos eleitorais quase intransponíveis para candidatos novatos. Para furar essa bolha, os concorrentes de primeira viagem precisam de votações maciças, algo raro sem o impulsionamento financeiro que as direções partidárias reservam exclusivamente aos já eleitos.
Lista oficial: quem busca manter a cadeira
Para facilitar a visualização do eleitor paranaense, estruturamos a relação dos principais deputados estaduais da 19ª legislatura que tentam renovar o mandato, com base nos registros do tribunal, organizados por partido:
- PSD (Partido Social Democrático): Ademar Traiano, Luiz Claudio Romanelli, Hussein Bakri, Artagão Júnior, Cobra Repórter, Evandro Araújo, Gugu Bueno, Luis Corti e Soldado Adriano José.
- PL (Partido Liberal): Delegado Jacovós, Gilberto Ribeiro, Dr. Batista e Mauro Moraes.
- MDB (Movimento Democrático Brasileiro): Anibelli Neto e Tercilio Turini.
- Republicanos: Cantora Mara Lima e Alexandre Amaro.
- PP (Progressistas): Maria Victoria.
- PT (Partido dos Trabalhadores): Professor Lemos.
- PDT (Partido Democrático Trabalhista): Goura.
- Podemos: Do Carmo.
A leitura dessa listagem evidencia o tamanho do desafio para quem tenta ingressar no legislativo paranaense pela primeira vez. O sistema proporcional garante que esses veteranos atraiam votos suficientes para eleger a si próprios e ainda puxar aliados com votações menores. Consequentemente, a engrenagem política se retroalimenta, mantendo a estrutura de poder do estado praticamente inalterada a cada ciclo eleitoral.
O cálculo matemático que pune os novatos
O sistema proporcional brasileiro pune severamente a fragmentação de votos. Quando legendas robustas como o PSD e o PL concentram veteranos na mesma lista, eles puxam a régua do quociente eleitoral para o alto. Isso significa na prática que candidatos com votações expressivas em suas cidades podem ficar de fora da Alep simplesmente porque seus partidos não atingiram o número mínimo de votos válidos exigidos pela legislação eleitoral.
Dessa forma, a eleição estadual se transforma em um jogo de previsibilidade. O eleitor paranaense vai às urnas com a sensação de pluralidade ao ver dezenas de opções, mas a matemática fria das chapas trabalha para devolver aos plenários de Curitiba os mesmos rostos que já ditam as regras políticas do estado há décadas.
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