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Explosão das bets acende alerta de saúde mental e risco de suicídio

Explosão das bets acende alerta de saúde mental e risco de suicídio

(Foto: Marcelo Camargo)

Explosão das bets acende alerta de saúde mental e risco de suicídio


Especialistas alertam para o adoecimento de apostadores e indicam caminhos de acolhimento

O acesso ininterrupto aos aplicativos de apostas esportivas e cassinos virtuais transformou os smartphones em fontes diárias de sofrimento psíquico para milhares de pessoas. O que inicialmente se apresenta como entretenimento tem levado usuários ao endividamento severo e ao desenvolvimento de quadros graves de depressão e ansiedade.

Diante do agravamento financeiro e emocional, pacientes relatam sensação de estar sem saída, o que eleva substancialmente o risco de ideação suicida. O cenário exige atenção imediata das famílias no Paraná, onde as redes de apoio psicossocial lidam com os impactos dessa dependência, clinicamente conhecida como ludopatia.

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Os familiares costumam ser os primeiros a testemunhar o declínio do apostador, observando o adoecimento comportamental que ocorre em cascata. A mudança na rotina envolve o afastamento progressivo das pessoas e alterações bruscas nas atitudes cotidianas.

O aumento repentino no consumo de álcool e as falas frequentes relacionadas à morte ou ao desinteresse pela vida representam sinais vitais que exigem alerta. Esses indicativos mostram que a pessoa perdeu o controle sobre a atividade e necessita de intervenção familiar e clínica o quanto antes.

O mecanismo biológico do vício e o ciclo de perdas

A dependência das apostas virtuais possui raízes diretas no funcionamento orgânico do cérebro humano. O neurocirurgião Orlando Maia explica que a mera expectativa de ganhar uma aposta desencadeia a liberação de dopamina. Esse neurotransmissor atua como uma recompensa instantânea para o organismo, alterando fisicamente as regiões cerebrais responsáveis pelo controle das decisões.

“O sistema de recompensa pode começar a falar mais alto do que os mecanismos de controle das decisões.”

Esse estímulo intermitente gera uma frustração contínua à medida que o apostador acumula perdas financeiras irreparáveis. A psiquiatra Giovanna Quinet detalha que a facilidade de acesso aos jogos, disponíveis 24 horas por dia no bolso do usuário, normaliza a dependência. A superexposição à publicidade e a associação das apostas ao esporte nas redes sociais dificultam que o indivíduo perceba o momento em que a recreação se transforma em um comportamento problemático.

O paciente perde mais dinheiro, aumenta os valores apostados na tentativa de recuperar o prejuízo e passa a esconder a realidade das pessoas mais próximas. A vergonha e a culpa pavimentam o caminho para o isolamento absoluto do indivíduo. Insônia crônica, conflitos domésticos e problemas graves no ambiente de trabalho sucedem a ruína financeira. A junção de todos esses fatores alimenta um estado de desesperança profunda, frequentemente associado a comportamentos suicidas.

A necessidade de quebrar o tabu nos consultórios

Profissionais de saúde mental defendem que o tema do suicídio associado às perdas no jogo precisa ser abordado de forma direta. Questionar um paciente sobre seus pensamentos não induz ao ato, mas abre uma oportunidade valiosa para que ele expresse o sofrimento silenciado. A psiquiatra Kátia Branco relata que os dependentes que buscam ajuda profissional já chegam aos consultórios com o humor deprimido pelos prejuízos adquiridos.

“A ideação suicida deve ser tratada de forma mais aberta tanto no consultório quanto nos grupos terapêuticos. Com manejo adequado, podemos reduzir o risco e tentar ajudar os pacientes.”

A psicóloga Claudia Feres ressalta que as tentativas de autoextermínio funcionam como um pedido desesperado de socorro, indicando que a pessoa se sente perdida naquele momento. O acolhimento exige a participação ativa dos familiares para a criação de estratégias conjuntas de superação. A resolução do problema ultrapassa a esfera individual do celular e demanda abordagens coletivas, incluindo acompanhamento psiquiátrico e possível uso de medicação.

Rede de proteção e novas regras para o setor

Moradores de cidades como Curitiba, Londrina e Cascavel encontram amparo na rede pública de saúde, estruturada com o apoio da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná. Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) acolhem os pacientes e oferecem planejamento terapêutico. A recomendação médica estrita é que indivíduos com ideação suicida nunca fiquem desacompanhados em casa.

Para buscar atendimento e orientação imediata, a população dispõe de canais específicos:

  • CVV: Atendimento gratuito e sigiloso 24 horas por dia pelo telefone 188.
  • Samu: Casos de urgência e emergência psiquiátrica recebem atendimento pelo número 192.
  • Caps: Unidades distribuídas pelos municípios oferecem suporte contínuo para transtornos ligados à saúde mental.

No âmbito corporativo, o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) reconhece a urgência do debate sobre a proteção de indivíduos vulneráveis. A instituição informa que o mercado federal regulado, com início previsto para janeiro de 2025, submeterá as empresas a regras rigorosas de comunicação e controle do consumidor. O setor defende que o enfrentamento adequado do jogo problemático exige atuação coordenada entre poder público, entidades e a sociedade.

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(Foto: Marcelo Camargo)

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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