(Foto: Paulo Pinto)
Chuvas intensas em São Paulo deixam 8 mortos e um desaparecido
Tempestades causam colapso de prédio irregular, enxurradas fatais e elevam rios a níveis críticos na capital e interior.
A população da região metropolitana de São Paulo enfrenta os reflexos de um dos finais de semana mais chuvosos da história recente. As fortes tempestades que atingiram o estado deixaram oito mortos e um desaparecido, além de forçar a desocupação de dezenas de residências. O volume excessivo de água provocou desabamentos mortais, arrastou pedestres e causou o transbordamento de rios que ainda ameaçam comunidades ribeirinhas.
As autoridades estaduais emitiram dezenas de alertas climáticos por SMS e Cell Broadcast para orientar os moradores sobre os riscos contínuos. A Defesa Civil estadual mantém o monitoramento constante das áreas afetadas, visto que as previsões meteorológicas indicam a continuidade de chuvas volumosas, especialmente na faixa litorânea.
Prédio irregular desaba e soterra vítimas na Penha
A tragédia com maior número de vítimas ocorreu na Rua Tequeci, no bairro da Penha, zona leste da capital. Um prédio residencial de 12 andares em fase de construção desmoronou sobre as casas vizinhas durante a madrugada de sábado (12). O colapso da estrutura matou três mulheres, incluindo uma gestante, dois homens e uma criança. As equipes de resgate localizaram duas pessoas com vida sob os escombros, sendo um homem e uma criança.
A Prefeitura de São Paulo informou que a obra estava embargada desde o ano de 2021. O município havia ingressado com uma ação judicial exigindo a demolição da estrutura irregular, após aplicar multas que ultrapassavam os R$ 119 mil. Contudo, as investigações preliminares apontam que a construtora New Home não cumpriu a ordem de demolição, mesmo após a aprovação de um novo projeto em 2022.
A Controladoria Geral do Município investiga a emissão de um laudo fraudulento por parte de uma servidora da Subprefeitura, que atestou falsamente a demolição do prédio antigo em fevereiro deste ano. O governo estadual confirmou a prisão de um dos sócios da construtora neste domingo (13), enquanto outros dois representantes da empresa seguem foragidos com mandados de prisão em aberto.
Enxurradas violentas e rios em estado de emergência
A força das águas pluviais também fez vítimas fora dos limites da capital paulista. Em Jandira, na região metropolitana, uma enxurrada repentina arrastou três pessoas na noite de sexta-feira. O Corpo de Bombeiros resgatou os corpos de uma mulher e um homem ao longo do fim de semana. Os socorristas ainda realizam buscas pela terceira vítima em um piscinão localizado na cidade de Carapicuíba.
No interior do estado, o volume de chuva elevou rapidamente o nível dos cursos d’água. Em Eldorado, no Vale do Ribeira, o Rio Ribeira de Iguape subiu cerca de nove metros e inundou a área urbana central. A situação forçou a evacuação emergencial de 54 famílias. O mesmo rio causou estragos em Sete Barras, onde o transbordamento afetou mais de 50 propriedades rurais e vias locais.
Cidades como Vargem Grande Paulista, Itu, Cotia e Osasco registraram ocorrências graves, incluindo deslizamentos de terra, queda de barreiras e desmoronamento de muros de arrimo. O monitoramento atual dos rios Tietê e Pinheiros aponta extravasamento em pontos específicos, como no Núcleo Itaim Biacica e no Jardim Helena.
Recorde histórico de chuvas no mês de setembro
Os índices de precipitação registrados superam com folga as médias históricas para o período. A estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia, localizada no Mirante de Santana, acumulou 198,2 milímetros de chuva nos primeiros 12 dias do mês. Este volume posiciona o atual setembro como o segundo mais chuvoso do ano, ficando atrás apenas do mês de janeiro.
A concentração de chuvas atingiu seu pico entre as manhãs de sexta e sábado, quando os medidores computaram 75,4 milímetros em 24 horas. Este foi o maior volume acumulado de chuva do Brasil neste intervalo específico. O coronel Araújo Monteiro, coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, reforçou a importância da conscientização pública diante do cenário climático adverso.
“Números como esses mostram por que o monitoramento não pode parar. A informação e a percepção de risco são o que permite à população se proteger neste período.”
Para garantir a segurança nas próximas horas, os órgãos de proteção exigem atenção às seguintes medidas preventivas:
- Evitar circular por áreas alagadas ou com forte correnteza;
- Não tentar atravessar vias inundadas a pé ou com veículos;
- Observar sinais de rachaduras ou movimentação de terra em encostas;
- Acompanhar os boletins oficiais e acionar o Corpo de Bombeiros em emergências.
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Com informações de Agência Brasil
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