(Foto: Divulgação MP)
Dinheiro da corrupção volta aos cofres públicos e vai bancar blindados no Rio de Janeiro
Montante resgatado após ação do MPF garante compra de veículos táticos e reforça o caixa da Controladoria-Geral do Estado.
As forças de segurança do Rio de Janeiro vão receber um reforço financeiro expressivo que sai diretamente do bolso da criminalidade do colarinho branco. Aproximadamente R$ 153 milhões, antes desviados por esquemas de corrupção, estão retornando aos cofres públicos fluminenses. O montante servirá para a aquisição imediata de veículos blindados e para o fortalecimento dos mecanismos de transparência do estado.
Essa repatriação de valores decorre de uma ação penal conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF). O modelo de rastreio e devolução de ativos ilícitos ganhou força e estrutura ao longo dos últimos anos, refletindo práticas jurídicas que se consolidaram inicialmente no Paraná, durante os grandes acordos de leniência firmados em Curitiba.
Agora, o dinheiro já se encontra disponível para o uso imediato da administração estadual. A liberação definitiva dos fundos ocorreu graças ao trabalho de articulação jurídica da Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ), que atuou para destravar os recursos nas instâncias federais.
Destino dos recursos resgatados mira o combate ao crime
A maior fatia desse bolo milionário tem um destino claro e urgente. Exatos R$ 114 milhões vão irrigar o orçamento da segurança pública fluminense. Esse valor viabiliza a renovação da frota ostensiva, com destaque para a compra de novos veículos blindados, essenciais para as operações em áreas de alta periculosidade.
Os R$ 39 milhões restantes seguirão para as contas da Controladoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro. Esse direcionamento cria um ciclo preventivo, pois financia justamente o órgão responsável por auditar contas, vigiar contratos e evitar que novos desvios milionários voltem a acontecer.
Para o procurador-geral do Estado do Rio, Bruno Dubeux, o resgate comprova a eficácia da comunicação entre diferentes órgãos de fiscalização e controle.
“A atuação coordenada é fundamental para proteger o patrimônio público e assegurar que os recursos sejam destinados a áreas estratégicas, em benefício da sociedade fluminense.”
Saúde pública também recebe injeção de valores recuperados
A devolução desses R$ 153 milhões integra uma sequência de vitórias recentes do estado nos tribunais. No início deste mês, a PGE-RJ já havia conseguido reaver outra quantia significativa ligada a fraudes que prejudicaram o sistema de saúde.
Esses recursos da saúde permaneciam bloqueados e à disposição da Justiça Federal desde 2021. A decisão recente marcou a primeira vez que o governo estadual conseguiu o levantamento financeiro nessa unidade judicial específica. O feito abre caminho para destravar outros processos de grande porte que envolvem licitações irregulares e desvios hospitalares.
Desdobramentos da Lava Jato mantêm devolução de verbas
O fluxo de recuperação de ativos ganhou tração nos últimos meses. Em junho, os procuradores estaduais anunciaram o resgate de outros R$ 70 milhões. Esse valor específico derivou de acordos de delação premiada e leniência costurados ainda sob o guarda-chuva da Operação Lava Jato.
A quantia encontrava-se travada nos tribunais até que as equipes jurídicas comprovaram o direito do estado de absorver os fundos. Com essas movimentações, o poder público consolida uma frente jurídica que transforma o dinheiro antes oculto em corrupção em orçamento real para serviços essenciais à população.
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Com informações de Agência Brasil
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