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Rota das Lavandas injeta R$ 13,2 milhões na economia agrícola do Paraná

Rota das Lavandas injeta R$ 13,2 milhões na economia agrícola do Paraná

(Foto: Canva)

Rota das Lavandas injeta R$ 13,2 milhões na economia agrícola do Paraná


Diversificação no campo atrai 256 mil visitantes e consolida novo filão para produtores rurais paranaenses

Pequenas propriedades rurais paranaenses encontraram uma nova e rentável matriz econômica sem a necessidade de expandir suas áreas de terra. O cultivo comercial da lavanda, aliado à abertura das porteiras para visitantes, gerou uma renda bruta de R$ 13,2 milhões nos últimos três anos. O montante reflete a venda de ingressos, a comercialização de produtos derivados e a oferta de experiências diretas ao consumidor final.

A mudança de rota afeta diretamente o orçamento de famílias que antes dependiam exclusivamente de oscilações no preço de comodities ou de hortaliças. O fluxo de 256 mil visitantes registrados demonstra a viabilidade do modelo de negócios em lotes que, na grande maioria dos casos, não ultrapassam a marca de um hectare. A concentração da atividade em pequenas faixas de terra exige baixo investimento fundiário e entrega uma rentabilidade proporcionalmente alta por metro quadrado.

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Adaptação da lavanda ao clima paranaense viabiliza pequenos lotes

O sucesso comercial da cultura no estado depende da escolha agronômica correta para as condições locais de solo e temperatura. A variedade Lavandula dentata, comercialmente chamada de lavanda francesa, apresenta as melhores taxas de sobrevivência e desenvolvimento nos campos do estado. A planta se destaca por folhas com bordas serrilhadas e pela capacidade de manter a floração contínua durante todos os meses do ano, desde que receba o manejo adequado.

O processo exige um trabalho manual rigoroso e constante por parte dos agricultores. A manutenção da coloração intensa das lavouras obriga os produtores a realizarem a retirada semanal de flores secas e, no mínimo, duas podas estruturais anuais. Essa exigência de mão de obra direta restringe o tamanho das plantações, mas garante a qualidade estética necessária para atrair os turistas que buscam o cenário para ensaios fotográficos e passeios.

Transição de lavouras tradicionais para o mercado de flores

A conversão das terras cultiváveis para o plantio de espécies aromáticas exige uma mudança de cultura entre as próprias famílias de agricultores. A resistência inicial ao abandono de safras alimentícias é um obstáculo comum, superado apenas quando os resultados financeiros e visuais começam a aparecer. O produtor Jacir Antonio Wiezbicki, de Araucária, enfrentou esse exato cenário ao decidir alterar o foco comercial de seu terreno.

Eu estou na terceira geração da propriedade. Meu avô plantava batata, feijão e milho, e a segunda geração já migrou para o morango. Quando eu falei em plantar flor, meu pai falou: ‘Pelo amor de Deus, flor?’. Houve uma resistência nesse primeiro momento, mas depois que ele viu a transformação de tudo, foi mudando um pouco essa ideia.”

Hoje, a propriedade de meio hectare gerencia o plantio junto com a operação de um restaurante rural, uma cervejaria e uma cafeteria. A integração dessas frentes comerciais garante a recepção de cerca de mil visitantes mensais, estabilizando o fluxo de caixa familiar.

Ações de fomento estadual e fila de espera para expansão

A articulação estrutural desse mercado ocorreu em 2022, com a criação oficial da Rota das Lavandas pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná). O projeto começou com cinco áreas mapeadas e hoje engloba 13 estabelecimentos em pleno funcionamento. O órgão estadual fornece assistência técnica e auxilia na organização burocrática para que os empreendedores acessem linhas de crédito como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

O retorno financeiro dos pioneiros despertou o interesse de propriedades vizinhas. Atualmente, 20 novos agricultores aguardam a liberação técnica para ingressar na rota turística oficial. Esses produtores conduzem fases de testes agronômicos com diferentes variedades da flor para garantir a adaptação antes de iniciar o atendimento ao público e os investimentos em infraestrutura receptiva.

Rota das Lavandas injeta R$ 13,2 milhões na economia agrícola do Paraná
(Foto: Canva)

Rentabilidade através de experiências turísticas no campo

A venda da flor representa apenas uma fração do faturamento desses negócios, que encontram no turismo de vivência sua principal fonte de receita. Em Carambeí, o produtor Lucas Los administra o maior campo do estado, com 1,5 hectare, e dobrou o número de visitantes entre 2022 e o início de 2025, atingindo a marca de 50 mil ingressos vendidos. O espaço conta com a estrutura de um museu e uma queijaria, agregando valor à visita.

Os empreendedores precisam desenvolver estratégias constantes para contornar adversidades climáticas. Geadas e quedas bruscas de temperatura chegaram a reduzir em 20% a venda de ingressos recentes e danificaram parcelas das lavouras. A manutenção da rentabilidade exige a construção contínua de novos atrativos, como moinhos cenográficos e restaurantes temáticos, que garantem o consumo mesmo quando o campo enfrenta instabilidades no clima.

Cursos e capacitação técnica abrem nova frente de receita

A falta de conhecimento técnico inicial forçou os proprietários a desenvolverem metodologias próprias de cultivo, que agora são comercializadas. Em Londrina, o casal Dóren de Andrade Faria e Marcos Paulo Romani transformou a propriedade da família em um polo de educação rural. Eles começaram com dez mudas experimentais e, atualmente, administram cerca de duas mil plantas de quatro variedades distintas.

“A gente atende escolas com o intuito de aproximar as crianças desse mundo das aromáticas e das plantas comestíveis e mostrar que tudo sai da natureza.”

Além de atender grupos escolares, os proprietários ministram workshops para agricultores interessados em replicar o modelo. A demanda pela transferência de tecnologia rural se tornou tão expressiva que o casal se uniu ao Sebrae para desenvolver um aplicativo exclusivo voltado ao manejo correto das espécies aromáticas.

Produção de itens derivados aumenta o ticket médio

A verticalização da produção garante que nenhum excedente do plantio seja desperdiçado. O gasto médio por visitante atinge R$ 51,56 devido à ampla oferta de produtos beneficiados dentro das próprias fazendas. As pequenas propriedades não cultivam em escala industrial para a grande indústria de perfumaria, mas utilizam as flores secas e o óleo essencial em linhas artesanais e alimentícias próprias.

Os cardápios rurais adaptaram receitas tradicionais para incluir a planta. Os estabelecimentos faturam com a venda direta de geleias, chocolates, queijos maturados, sorvetes (gelatos) e até chopes artesanais aromatizados. A transformação da matéria-prima bruta eleva a margem de lucro e estende a validade comercial da colheita.

Propriedades e serviços disponíveis para visitação no estado

A rota oficial abrange estabelecimentos em diversas regiões do estado. O atendimento ao público exige o agendamento prévio, pois os dias de operação variam conforme o regime de floração e o calendário de podas de cada fazenda.

  • Quinta das Lavandas (Apucarana): Oferece fonte cenográfica, passeios livres pelo campo, piqueniques e comercializa produtos artesanais, vasos e mudas.
  • Recanto das Lavandas (Araucária): Conta com restaurante rural, parquinho, trilha na mata e cervejaria especializada.
  • Capela das Lavandas (Balsa Nova): Disponibiliza caminhadas guiadas, café no campo, ensaios fotográficos e passeios de trator e cavalo.
  • Solar Águas do Ivaí (Borrazópolis): Funciona como hospedagem rural e integra observação de pássaros, passeios de caiaque e pista de ciclocross.
  • Het Dorp Vilarejo Holandês (Carambeí): Estrutura de grande porte com ordenha robotizada, museu, playground, café holandês e queijaria própria.
  • Recanto Bella Flor (Faxinal): Foco em experiências pedagógicas, hospedagem e venda de cosméticos e ramalhetes de flores.
  • Lavandário Guarapuava (Guarapuava): Oferece trilha para cachoeira, eventos intimistas, óleos essenciais e gelato da flor.
  • Santa Lavanda (Londrina): Atendimento voltado ao turismo pedagógico e roteiros sensoriais, com extração de óleos essenciais e buquês naturais.
  • Mudi UEM (Maringá): Projeto ligado à Universidade Estadual de Maringá com foco na prática de implantação de lavandários e jardim sensorial.
  • Lavandário Vale dos Sonhos (Palmeira): Localizado na Colônia Witmarsum, possui bistrô especializado, vivências sensoriais e cosméticos.
  • Kantinho do Paraíso (Rio Negro): Integra piqueniques, hospedagem rural, alimentação e vivências no campo.
  • Perau Terra Nova (São Jerônimo da Serra): Atendimento direcionado para cafés rurais (manhã e tarde) e hospedagem imersiva.
  • Alfazenda (Toledo): Dispõe de trilha com cachoeira, colheita de flores frescas, venda de mel e artesanato local.
  • Recanto Girassol (Umuarama): Foco em tratamentos terapêuticos, banho de lama negra, yoga, área de camping e trilha de plantas medicinais.

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(Foto: Canva)

Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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