(Foto: José Cruz)
Outubro Rosa: o medo da recaída após o fim do tratamento do câncer de mama
O suporte psicológico contínuo e a readaptação à rotina exigem atenção da rede de saúde após a alta oncológica.
O término das sessões de quimioterapia e radioterapia não encerra a jornada das pacientes com câncer de mama. Mulheres enfrentam a redução drástica do contato com médicos e passam a lidar com o medo constante de reincidência da doença no período pós-alta hospitalar.
O alerta da psicóloga clínica Laís Mutuberria Vieira evidencia uma lacuna nos cuidados pós-oncológicos habitualmente discutidos nas campanhas do Outubro Rosa.
No Paraná, a transição entre a rotina intensiva de hospitais e a volta para casa afeta milhares de mulheres atendidas por instituições como o Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, e o Uopeccan, em Cascavel.
Familiares e amigos retornam às suas atividades diárias e celebram a remissão, enquanto a paciente permanece isolada com inseguranças sobre o próprio corpo, fadiga persistente e o temor provocado por qualquer nova dor.
Impactos na autoestima e sexualidade
A rotina de exames de acompanhamento gera ansiedade prolongada e contínua. Pacientes utilizam medicação por até cinco anos e sofrem com efeitos colaterais que afetam a disposição diária. A transformação corporal exige adaptação a cicatrizes, à perda da mama ou à presença de próteses ainda não assimiladas.
“Essas mudanças podem afetar a autoestima, o desejo, a sensação de atratividade e a forma como essa mulher se reconhece no espelho, repercutindo também em dimensões mais amplas da sexualidade, como o toque, a espontaneidade, a confiança e a disponibilidade para o vínculo íntimo.”
O papel do acompanhamento multidisciplinar
A médica mastologista e radiologista do Instituto Nacional de Câncer, Renata Reis Pinto, aponta a necessidade de uma infraestrutura de suporte consolidada.
A presença de assistentes sociais resolve questões práticas sobre a guarda de filhos durante consultas e orienta o retorno ao mercado de trabalho. A psico-oncologia atua diretamente na contenção do pânico durante as revisões oncológicas.
Depressão e reconstrução de vida
A paciente Josiane Fernandes, de 48 anos, vivenciou um tratamento de um ano e três meses com cirurgia, quimioterapia e imunoterapia após descobrir um nódulo na mama. O processo desencadeou um quadro depressivo que demandou intervenção clínica específica para sua recuperação mental.
“O tratamento pode terminar, mas o medo nem sempre termina junto. Até hoje, numa consulta de rotina, num exame, eu entro em pânico. Existe vida depois do câncer, mas essa vida precisa ser reconstruída.”
O tumor de mama representa 30% dos casos de câncer entre mulheres. O Inca projeta 78.610 novos diagnósticos anuais no Brasil no triênio de 2026 a 2028. O volume expressivo de casos reforça a demanda por políticas de saúde que estruturem a reintegração social e psicológica dessas pacientes nas redes da Secretaria de Estado da Saúde do Paraná e demais órgãos estaduais.
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Com informações de Agência Brasil
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