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De impostos a terras raras: Lula e Flávio apresentam visões opostas para a economia do país

De impostos a terras raras: Lula e Flávio apresentam visões opostas para a economia do país

(Foto: Divulgação Sigma Lithium)

De impostos a terras raras: Lula e Flávio apresentam visões opostas para a economia do país


Candidatos apresentam propostas opostas para controle da dívida pública, impostos, leis trabalhistas e alianças internacionais.

As campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) entram no segundo turno com estratégias econômicas e diplomáticas antagônicas.

O atual presidente defende a manutenção da presença estatal na economia e o protagonismo do Brasil no eixo do Sul Global, enquanto o candidato de oposição propõe um choque de redução da máquina pública e o alinhamento comercial direto com os Estados Unidos.

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Para o Paraná, essas decisões definem desde a margem de custo para a contratação de funcionários no comércio varejista até o volume de investimentos federais destinados ao escoamento da safra recorde de grãos.

As diretrizes tomadas em Brasília ditarão as regras de jogo para os cofres do governo estadual, a carga tributária da indústria local e o planejamento das cooperativas agrícolas nos próximos quatro anos.

Visões opostas para o controle das contas públicas e corte de gastos

A equipe econômica de Lula foca na preservação do atual arcabouço fiscal. O plano estabelece o controle sobre o crescimento dos gastos, mas condiciona a melhora das contas públicas à expansão do Produto Interno Bruto (PIB) e ao aumento da arrecadação de impostos.

A campanha de Flávio Bolsonaro elabora uma nova regra fiscal atrelada diretamente à trajetória da dívida nacional. O projeto exige a redução física do Estado, estipulando um ajuste equivalente a 1,5% do PIB para 2025 (cerca de R$ 190 bilhões). A meta envolve o enxugamento de ministérios, corte de cargos comissionados e redução de despesas administrativas.

Impacto do ajuste fiscal na atração de investimentos estaduais

O arrocho orçamentário proposto pela oposição gera dúvidas sobre os repasses voluntários da União para os estados. Um bloqueio mais rígido das despesas pode afetar cronogramas de grandes obras logísticas que interessam ao setor produtivo paranaense, monitoradas de perto por entidades como a Fiep.

A plataforma petista, por sua vez, promete acelerar as entregas do Novo PAC para fomentar a infraestrutura. O risco associado a essa política de expansão é a pressão inflacionária caso o crescimento econômico não suporte os gastos estatais.

Propostas para a política tributária e poder de compra

A cobrança de impostos revela o maior abismo ideológico entre as chapas. Lula foca na tributação progressiva, forçando uma contribuição proporcionalmente maior sobre rendimentos e patrimônios elevados, enquanto mantém estímulos e subsídios focados na indústria de base.

Flávio prioriza a diminuição geral da carga tributária sobre o consumo e o encargo empresarial. O plano aposta na simplificação regulatória pesada para compensar a perda momentânea de arrecadação do governo federal e estimular a recontratação de mão de obra.

Reflexos das mudanças trabalhistas no comércio de Curitiba

A pauta de emprego da atual gestão defende a manutenção do ganho real acima da inflação para o salário mínimo e propõe a transição para uma jornada semanal de 40 horas, proibindo cortes na remuneração. Essa mudança afeta diretamente o custo da folha de pagamento na indústria metropolitana de Curitiba.

O PL trabalha na lógica de reduzir o custo de empregar. A proposta flexibiliza os formatos de contratação atuais e cria novos modelos focados em determinados recortes etários (como o primeiro emprego para jovens), entregando uma legislação com menos encargos fixos aos empregadores.

Planos divergentes para o agronegócio e escoamento em Paranaguá

A campanha de Lula aposta na retomada de grandes rodovias e ferrovias pelo Novo PAC para facilitar o escoamento de mercadorias, enquanto direciona o foco rural para o financiamento da agricultura familiar e combate à fome.

Flávio concentra seus esforços no agronegócio de larga escala, prometendo facilitar linhas de seguro e incentivar a fabricação nacional de fertilizantes. O plano bolsonarista mira a ampliação da capacidade de armazenagem privada, demanda histórica das cooperativas vinculadas à Ocepar. Ambas as frentes precisam destravar obras em direção ao Porto de Paranaguá para evitar gargalos na safra.

Futuro dos programas sociais e habitação popular

A campanha de reeleição crava a expansão imediata de programas de distribuição de renda, fomento à agricultura familiar e incentivos do Minha Casa, Minha Vida.

O projeto de oposição confirmou a intenção de preservar o Bolsa Família e a distribuição de medicamentos pelo Farmácia Popular. O desafio da equipe, no entanto, é justificar a matemática financeira para sustentar os repasses assistenciais diante de um ajuste fiscal engessado e severo na casa dos R$ 190 bilhões.

Política externa e a divisão entre Sul Global e alinhamento aos EUA

Lula orienta o Itamaraty para uma diplomacia “universalista”, dando prioridade comercial ao fortalecimento do Brics, do Mercosul e às relações com o continente africano. O foco é a projeção geopolítica entre os países em desenvolvimento.

A equipe de Flávio condena o que chama de viés ideológico da política atual. O projeto planeja alinhar o Brasil fortemente ao bloco composto por Estados Unidos, Israel e Argentina, priorizando relações que facilitem o comércio direto e a absorção de tecnologias de defesa.

Ingresso na OCDE e padrões de governança nas estatais

O planejamento diplomático do PL foca na homologação do Brasil como membro oficial da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A entrada na organização força o país a adaptar suas normativas a padrões rigorosos dos países ricos. Esse movimento exige ajustes profundos nas regras de compliance e governança das estatais, o que impactaria diretamente companhias de capital misto locais, como a Copel e a Sanepar.

Disputa global por terras raras e a relação comercial com a China

O controle de reservas minerais de terras raras, matéria-prima para tecnologia de ponta, expõe o choque de soberania entre os candidatos. O PT sugere que a região mapeie e processe o material em solo sul-americano, forçando a venda com alto valor agregado tecnológico, evitando a mera exportação do produto bruto.

Flávio propõe usar essas mesmas reservas, estimadas em 21 milhões de toneladas no Brasil, como moeda de troca estratégica com o governo de Washington. A oferta visa ajudar a indústria militar dos Estados Unidos a quebrar a dependência global de fornecimento controlado atualmente pela China.

Planilha comparativa de propostas para economia e comércio exterior

TemaProposta de Lula (PT)Proposta de Flávio Bolsonaro (PL)
Contas PúblicasManter arcabouço fiscal, focar no crescimento econômico para arrecadar mais.Nova regra atrelada à dívida, corte de ministérios e ajuste de 1,5% do PIB.
ImpostosAprofundar tributação progressiva, cobrando mais das rendas altas.Reduzir impostos gerais e simplificar regras para as empresas.
Trabalho e RendaReduzir jornada para 40h semanais sem corte salarial; ganho real do mínimo.Flexibilizar contratação por hora e reduzir custo patronal em grupos etários específicos.
Setor ProdutivoAmpliar infraestrutura viária por meio do Novo PAC; investir em reindustrialização e energia renovável.Focar no agronegócio exportador; melhorar logística de safras e incentivar fertilizantes nacionais.
Programas SociaisManter e expandir Bolsa Família, políticas habitacionais e combate à fome.Manter programas sociais, mas condicionar financiamento ao ajuste fiscal.
DiplomaciaFoco no Sul Global, integração sul-americana e comércio com todos os países.Aproximação direta com EUA e Israel, entrada na OCDE e atração de capital.
Defesa NacionalFortalecer indústria bélica nacional, comprando caças e navios fabricados aqui.Incentivar uso de drones, inteligência artificial e tecnologias militares globais.
Terras RarasMapear e beneficiar na região para agregar valor antes de exportar.Usar reservas para suprir os EUA e quebrar o monopólio da China.

Punição do TSE contra a Meta por desigualdade nas redes sociais

O cenário de polarização também afeta o controle das plataformas digitais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sob o comando do ministro Marco Aurélio Bellizze, determinou um prazo de 24 horas para que a Meta (dona do Facebook e Instagram) comprove a distribuição isonômica de anúncios políticos no segundo turno.

A empresa falhou em atender o primeiro prazo estipulado pelo tribunal, o que resultou no aumento da multa diária de R$ 500 mil para R$ 1 milhão. A Justiça exige a abertura dos dados sobre o sistema de recomendação orgânica de publicações e relatórios de combate ao uso de perfis falsos que favorecem uma candidatura em detrimento da outra.

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De impostos a terras raras: Lula e Flávio apresentam visões opostas para a economia do país
(Foto: Divulgação EBC)

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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