(Foto: Abdul Saboor)
Protestos na França: governo impõe toque de recolher e mobiliza Exército contra saques
Forças militares reforçam segurança enquanto governo tenta conter distúrbios a seis meses das eleições presidenciais
O governo da França determinou a imposição de toques de recolher localizados e o envio de forças militares para conter a onda de saques e tumultos que atinge o país.
A decisão, anunciada pelo ministro do Interior, Laurent Nuñez, tenta frear os atos de violência decorrentes de manifestações estudantis e protestos contra o alto custo de vida, que deixaram quase mil policiais feridos e cerca de 2,4 mil pessoas presas no último fim de semana.
Moradores de bairros afetados em cidades como Paris, Marselha e Lille já enfrentam restrições de circulação noturna, com policiamento ostensivo e verificação de identidades pelas ruas.
O comércio varejista sofre com a destruição de quase 3 mil lojas, levando empresários e trabalhadores a amargarem perdas financeiras diretas, com a Federação do Comércio e do Varejo pedindo isenção imediata de impostos para evitar falências no setor.
Mobilização militar e falhas de inteligência
Para as manifestações previstas para o próximo sábado (24), a força militar Sentinelle atuará de forma massiva. O objetivo da manobra é liberar a polícia e os gendarmes exclusivamente para o controle de distúrbios civis, segundo orientações prestadas à Assembleia Nacional.
A tática busca corrigir a desproteção vista em centros urbanos nos dias anteriores, que permitiu a ação livre de saqueadores durante a madrugada e gerou forte desgaste interno.
O presidente Emmanuel Macron recusou o pedido de renúncia de Nuñez, exigindo o fim imediato das barricadas e transparência sobre o que classificou como falhas de previsão.
Os ativos financeiros do país registraram desempenho inferior aos mercados europeus na reabertura semanal, reflexo da incerteza sobre a capacidade governamental de aprovar um projeto de lei orçamentária indispensável para o controle da dívida pública.
Tensão política e troca de acusações
O cenário de instabilidade ocorre a apenas seis meses da próxima eleição presidencial francesa. O primeiro-ministro Sébastien Lecornu responsabilizou grupos radicais por inflamar os distúrbios na reta final do calendário eleitoral, elevando a temperatura do debate público.
“Afinal, existe um movimento de extrema-esquerda que quer causar — não podemos ser mais enfáticos — profundos distúrbios no país na reta final para a eleição presidencial.”
A resposta da oposição foi imediata. Jean-Luc Melenchon exigiu provas públicas das acusações, declarando que o primeiro-ministro deveria se calar caso não consiga sustentar as alegações. O embate institucional acirra a disputa política em um momento de esgotamento das forças de segurança interna.
Reivindicações nas ruas e efeito dominó
As ruas concentram queixas múltiplas. Estudantes protestam contra a degradação estrutural do ensino, enquanto trabalhadores reagem à corrosão do poder de compra e à inflação. Movimentos que estavam desmobilizados ganham sobrevida, com chamados esporádicos para ações contra a alta dos combustíveis.
O balanço oficial das autoridades francesas revela o saldo do confronto:
- Quase 3 mil estabelecimentos comerciais vandalizados.
- 2.400 pessoas detidas, com 149 já aguardando julgamento nas prisões.
- Um manifestante morto por parada cardíaca.
- Implementação governamental de suspensão temporária de contratos de trabalho para socorrer empresas atacadas.
A convulsão social cruza as fronteiras e atinge nações vizinhas. A Itália prepara o envio de 500 soldados para defender o centro de Milão, alvo de vitrines depredadas, com reflexos documentados também em Bolonha, Brescia, Bérgamo e Turim.
Na Albânia, a capital Tirana registra o sétimo dia consecutivo de marchas estudantis contra o governo, impulsionadas pela mesma indignação com a disparada dos preços e o custo de vida europeu.
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Com informações de Agência Brasil
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