(Foto: Abdul Saboor)
Greve geral na França: sindicatos marcam paralisação nacional após protestos e prisões
Efetivo de 70 mil policiais conteve saques na capital, mas convergência de categorias amplia pressão sobre o governo e agenda greve para 5 de novembro
Mais de 410 mil manifestantes tomaram as ruas de diversas cidades francesas neste fim de semana, resultando em 1.314 prisões sob um esquema de segurança que mobilizou 70 mil agentes. A onda de insatisfação com o custo de vida e os salários deflagrou confrontos e forçou o governo a blindar áreas comerciais para evitar a repetição dos episódios de vandalismo registrados em 17 de outubro.
Sindicatos e grupos independentes reagiram ao cerco policial convocando novas marchas para o próximo sábado, 31 de outubro, e uma greve nacional para 5 de novembro. Trabalhadores, estudantes e turistas que dependem do transporte e dos serviços públicos enfrentarão novas interrupções, enquanto o comércio projeta manter o funcionamento restrito nos dias de mobilização para mitigar prejuízos.
Comércio blindado e turismo interrompido
Grande parte do centro de Paris amanheceu com vitrines cobertas por tapumes e mais de 20 estações de metrô interditadas. O bloqueio preventivo ordenado pelo Ministério do Interior forçou o fechamento de instituições culturais como o Louvre, o Musée d’Orsay e a Ópera de Paris, frustrando os planos de milhares de visitantes internacionais.
A rota original da marcha parisiense sofreu alteração de última hora por determinação da polícia, afastando a multidão das áreas empresariais do sudeste da capital. Forças de segurança utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar aglomerações em Lyon, enquanto em Marselha a presença ostensiva reduziu as ocorrências a conflitos isolados.
O ministro do Interior, Laurent Nuñez, justificou as revistas preventivas que confiscaram fogos de artifício e rolamentos de esferas ao longo do dia.
“Temos que ser extremamente ágeis. Recebemos muitos avisos sobre desordem, tanto de grupos políticos quanto, simplesmente, de criminosos.”
Reorganização sindical e pressão política
A mobilização estudantil iniciada no mês passado unificou as pautas de diferentes categorias profissionais. A central sindical Solidaires e o sindicato de professores SUD Education confirmaram adesão aos próximos atos, e a organização CGT submeterá sua participação a votação interna.
Líderes de esquerda criticaram a estratégia de contenção do governo. O representante da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, acompanhou os atos parisienses e acusou as autoridades de criarem entraves jurídicos para desarticular as organizações. Em Orléans, um protesto paralelo contestou a realização do congresso do partido Reagrupamento Nacional.
O presidente Emmanuel Macron dispõe de margem estreita para atender às exigências financeiras dos manifestantes. Sete anos após conter os Coletes Amarelos com subsídios aos combustíveis, o governo lida hoje com o esgotamento das contas públicas e a ausência de maioria parlamentar, a poucos meses do fim do mandato.
O próprio movimento dos Coletes Amarelos programou concentrações em frente a prefeituras e à Assembleia Nacional para o próximo fim de semana.
Expansão das tensões no continente europeu
O clima de instabilidade nas ruas francesas encontrou reflexos diretos em nações vizinhas. A polícia da Bélgica disparou gás lacrimogêneo e spray de pimenta contra grupos que protestavam contra o governo em Bruxelas.
Confrontos violentos também substituíram as marchas pacíficas na Albânia ao longo deste mês. Na Itália, diversas cidades registraram o segundo fim de semana consecutivo de atos organizados por frentes de oposição.
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Com informações de Agência Brasil
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