(Foto: José Fernando Ogura)
Curitiba concentra maior proporção de cristãos no Sul e Sudeste, aponta IBGE
Capital paranaense soma mais de 80% de católicos e evangélicos, mas dados revelam avanço de pessoas sem religião nas últimas décadas.
Curitiba desponta como a capital com a maior proporção de cristãos entre as regiões Sul e Sudeste do Brasil, concentrando 81,05% da população sob essa fé. Os dados integram os recortes inéditos do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam 55,45% dos moradores como católicos e 25,60% como evangélicos. No cenário nacional, a maior concentração católica absoluta pertence a Teresina, no Piauí.
Essa demografia influencia de forma direta a economia e a estrutura urbana da cidade, ditando a demanda do mercado imobiliário por novos espaços de culto e guiando o calendário oficial do município. A forte base cristã espelha o modelo de formação do Paraná, estruturado por fluxos migratórios europeus de italianos, poloneses e ucranianos, que consolidaram as paróquias locais, aliados a imigrantes alemães que introduziram o protestantismo histórico no estado.
Mudanças no perfil evangélico e protestante
O raio-x do IBGE detalha uma forte fragmentação dentro do segmento evangélico. A maior fatia (14,83%) declara-se como “evangélico não determinado”, englobando cidadãos que professam a fé sem vínculo presencial com uma igreja específica. Na sequência, aparecem os praticantes do pentecostalismo (6,65%), vinculados a congregações clássicas de grande porte.
Os evangélicos de missão, ligados às correntes da Reforma Protestante, somam 4,10% da sociedade curitibana. Essa categoria envolve luteranos, metodistas e presbiterianos, grupos com tradição centenária em Curitiba e historicamente responsáveis por fundar colégios e hospitais tradicionais da capital. O censo ainda contabiliza as Testemunhas de Jeová (0,47%) e membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (0,34%).

Queda do catolicismo e avanço da secularização
A comparação com levantamentos anteriores escancara a mudança de comportamento espiritual na cidade. A hegemonia da Igreja Católica sofre erosão contínua, abrindo espaço tanto para o crescimento evangélico quanto para o distanciamento institucional da fé:
- Ano 2000: Católicos somavam 70,64% dos habitantes, contra 18,9% de evangélicos e 5,83% sem religião.
- Ano 2010: O índice católico recuou para 62,12%, enquanto os evangélicos subiram para 24,24% e o grupo sem vínculo alcançou 6,76%.
- Ano 2022: O catolicismo atinge 55,4%, a fatia evangélica chega a 25,6% e as pessoas sem religião saltam para 9,94%.
Esse último estrato já engloba quase um décimo da capital. A estatística divide-se de forma clara entre os habitantes que não possuem qualquer vínculo religioso (6,86%), ateus declarados que rejeitam divindades (2,02%) e agnósticos (1,06%).
Crescimento das crenças de matriz africana
Fora da esfera cristã, as crenças de matriz africana registraram o avanço estatístico mais expressivo. O candomblé e a umbanda, que juntos abrigavam apenas 0,22% dos residentes curitibanos no ano 2000, multiplicaram seu alcance e agora congregam 1,3% da população. Apenas a umbanda responde pela esmagadora maioria desse contingente (1,17%).
O quadro de diversidade local finaliza com a estabilidade do espiritismo, adotado por 2,73% da população. Outras tradições milenares marcam presença na cidade com números mais restritos, mantendo pequenas e ativas comunidades de budistas (0,27%), judeus (0,11%) e islâmicos (0,09%).
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Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba
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