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Rebanho de búfalos cresce 160% na RMC e transforma economia do Vale do Ribeira

Rebanho de búfalos cresce 160% na RMC e transforma economia do Vale do Ribeira

(Foto: Divulgação PMC)

Rebanho de búfalos cresce 160% na RMC e transforma economia do Vale do Ribeira


Rentabilidade do leite bubalino e rusticidade dos animais impulsionam a agricultura familiar em municípios vizinhos à capital paranaense.

A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) concentra agora 47,6% de todo o rebanho de búfalos do Paraná, totalizando 22.266 cabeças em 2025. O volume representa um salto de 160% na última década, impulsionado pela migração de produtores de gado bovino para a bubalinocultura nas áreas rurais e no Vale do Ribeira.

O foco absoluto dessa transição é a produção de leite e seus derivados, cujo rendimento industrial supera a média bovina e garante pagamentos superiores pelos laticínios.

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A mudança no campo altera a matriz financeira das propriedades e impacta a oferta no varejo. Com maior teor de gordura e proteína, o leite de búfala permite a produção de queijos, iogurtes e doces com metade da matéria-prima exigida pelo leite de vaca. Essa eficiência enxuga os custos operacionais da indústria e eleva diretamente a margem de lucro de pequenos pecuaristas locais.

Concentração produtiva no Vale do Ribeira

Cinco municípios vizinhos à capital respondem por 83% de todo o rebanho bubalino metropolitano. Cerro Azul lidera o ranking estadual com 5.662 cabeças, seguida por Rio Branco do Sul (4.769), Adrianópolis (3.798), Itaperuçu (2.923) e Doutor Ulysses (1.348). O relevo mais acidentado dessa porção do estado, que historicamente limitou o ganho de escala na pecuária bovina tradicional, revelou-se altamente compatível com a criação de búfalos devido à força física e adaptabilidade da espécie.

A matemática industrial justifica a adesão acelerada ao manejo. Enquanto o leite bovino apresenta em média 3,5% de gordura, o produto extraído das búfalas atinge a marca de 8%. A médica-veterinária da Secretaria de Agricultura de Rio Branco do Sul, Inara Corrêa de Almeida, quantifica o impacto dessa concentração no chão de fábrica.

“Para produzir um quilo de muçarela são necessários aproximadamente cinco litros de leite de búfala, enquanto que com leite bovino podem ser necessários dez litros.”

Migração de rebanhos e acesso a crédito

Pecuaristas que abandonaram os bovinos relatam ganhos operacionais imediatos e menor incidência de gastos veterinários. A transição costuma exigir adequações estruturais nos galpões de ordenha, movimentando linhas de financiamento oficiais.

Welinton Eduardo Cardoso, produtor rural em Itaperuçu, acessou recursos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para bancar a troca de matrizes e direciona seu excedente lácteo para a fabricação própria de doce de leite.

“A fertilidade é muito acima do bovino, cuidando bem, é um animal muito fácil de manter, muito rústico. Além disso, o leite rende muito mais que o de vaca para fazer a mesma quantidade de queijo, praticamente o dobro.”

Escoamento industrial e eventos locais

A capilaridade produtiva na RMC atraiu operações logísticas para escoar a produção ao Sudeste do país. Um entreposto instalado em Rio Branco do Sul capta o leite das pequenas fazendas da região e realiza o envio para uma indústria processadora paulista. A estruturação do setor originou o 1º Festival do Búfalo no município, evento que reuniu cinco mil pessoas em agosto para consolidar o consumo da proteína na cultura gastronômica metropolitana.

A longevidade dos rebanhos garante a estabilidade do fluxo de caixa nas propriedades, mesmo durante oscilações climáticas que afetam as pastagens. Izima de França de Jesus, criadora em Itaperuçu, iniciou o plantel com dez novilhas em 2013 e hoje administra 70 animais, somando a venda de terneiros desmamados como receita complementar fixa.

“Perda é muito pouco, é um gado muito forte, não ficam doentes, o lucro é bem maior.”

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Rebanho de búfalos cresce 160% na RMC e transforma economia do Vale do Ribeira
(Foto: Divulgação PMC)

Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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