2025: O Ano dos Extremos Climáticos no Paraná com Tornados Históricos e Temperaturas Recordes

2025: O Ano dos Extremos Climáticos no Paraná com Tornados Históricos e Temperaturas Recordes

Estado registrou temperaturas mais altas e baixas da série histórica, além de eventos de tornados sem precedentes e variações drásticas no volume de chuvas.

Tornados e Chuvas Irregulares Marcam o Ano

O ano de 2025 foi marcado por eventos meteorológicos extremos no Paraná. O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) classificou quatro tornados, um número expressivo que reflete a intensidade das mudanças climáticas. Paralelamente, o estado vivenciou as temperaturas mais altas e mais baixas registradas em suas séries históricas em diversas estações. O volume anual de chuvas apresentou um cenário misto, com algumas regiões superando a média e outras enfrentando períodos de seca.

Um total de 23 estações meteorológicas registraram um volume de chuva acima da média anual, com destaque para Pinhão, Santa Helena e São Miguel do Iguaçu, que acumularam cerca de 400 mm a mais que o histórico. Em contrapartida, 20 estações tiveram precipitação abaixo da média, com Pinhão registrando 2.177,6 mm contra uma média de 1.774,7 mm, e Ponta Grossa com 992,6 mm frente a uma média de 1.415,1 mm.

Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar, explicou que houve períodos de chuvas irregulares, especialmente no Litoral, o que levou a uma seca fraca que se estendeu por várias regiões do estado, evoluindo para moderada e, em alguns pontos próximos à divisa com São Paulo, para grave no segundo semestre.

Verão Quente e Outono com Recorde de Temperatura Máxima

Fevereiro de 2025 foi o mês mais quente da série histórica em 23 cidades, embora o verão 2024/2025 não tenha superado o anterior em temperatura geral. O outono, por outro lado, trouxe um registro notável: a temperatura mais alta do ano em Capanema, com 42.5°C no dia 27 de abril, a maior marca desde a instalação da estação em 2017. Apesar disso, a temperatura média do outono ficou dentro do esperado na maior parte do estado e a estação foi mais fria que a de 2024.

Inverno Rigoroso com Múltiplas Geadas e Temperaturas Abaixo de Zero

O inverno de 2025 contrastou com os anos anteriores, apresentando temperaturas dentro ou abaixo da média em todas as regiões. Os dias 24 e 25 de junho foram os mais frios do ano, com a temperatura mais baixa registrada em General Carneiro (Inmet) em -7,8°C. As estações do Simepar também registraram números negativos, como -5.2°C no Distrito de Horizonte, em Palmas. Foram emitidos 28 alertas de geada, com General Carneiro registrando seis dias consecutivos em agosto.

Primavera Intensa com Vendavais e Granizo

A primavera de 2025, estação tradicionalmente de tempestades, mostrou sua força com 224 ocorrências registradas pela Defesa Civil, um aumento expressivo em relação ao ano anterior. Os episódios de vendaval saltaram de 72 para 150, e de granizo, de 11 para 53. Em setembro, um tornado categoria F1 foi classificado pelo Simepar em Santa Maria do Oeste, no dia do início da estação. Outubro trouxe temperaturas médias abaixo do esperado em diversas estações, com mínimas recordes em cidades como Cornélio Procópio e Laranjeiras do Sul.

Novembro: Três Tornados Devastam Municípios

Novembro foi particularmente impactante com a passagem de três tornados no dia 7, que causaram destruição em 11 municípios. Rio Bonito do Iguaçu foi a cidade mais atingida. O evento severo foi impulsionado pela fase negativa da Oscilação Antártica. O laudo técnico do Simepar indicou que este evento pode ser um dos maiores de sua categoria no Paraná nos últimos 30 anos, considerando a quantidade de tornados, pessoas afetadas e a extensão da destruição.

Dezembro: Chuvas Intensas em Algumas Regiões e Calor Recorde em Outras

O último mês do ano apresentou cenários climáticos contrastantes. Enquanto cidades como Guaíra registraram o maior acumulado de chuvas desde 2020 (517,2 mm), outras enfrentaram pouca precipitação. As temperaturas máximas se destacaram em dezembro, com Telêmaco Borba registrando 38°C em 26 de dezembro, a mais alta desde 1997. O meteorologista Reinaldo Kneib apontou que um bloqueio atmosférico no Oceano Pacífico Sul contribuiu para a intensificação do calor e a escassez de chuvas em algumas áreas no final do ano.

Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.

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