Paraná Livre da Malária Nativa: Um Marco em Saúde Pública
O Paraná se consolida como uma área livre da transmissão nativa (autóctone) da malária há mais de sete anos. Dados preliminares do Sistema Nacional de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) revelam que, em 2025, o estado registrou apenas 63 casos confirmados da doença, todos com origem em outras regiões do Brasil ou no exterior. Este cenário é um reflexo da eficiência e da vigilância constante adotadas pelas autoridades de saúde paranaenses.
Perfil dos Casos Importados e Espécies Predominantes
A maior parte dos casos importados no último ano foi causada pela espécie *Plasmodium vivax* (36 ocorrências). Em seguida, aparecem o *Plasmodium falciparum* (20 casos), a espécie *Ovale* (4 casos) e infecções mistas (*Falciparum* + *Vivax*) com 3 registros. Os dados indicam uma concentração de casos em adultos em idade produtiva, com maior incidência nas faixas etárias de 20 a 29 anos (21 casos), 40 a 49 anos (14 casos) e 30 a 39 anos (10 casos).
Vigilância Constante e Prevenção: Chaves do Sucesso
O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, destaca que o status de área livre de transmissão nativa reforça a importância da vigilância contínua e da prevenção, especialmente para quem viaja para áreas de risco.
“O monitoramento constante é vital devido ao intenso fluxo migratório e turístico vindo de áreas com transmissão ativa, como a região amazônica e o continente africano”, afirma o secretário.
Ele ressalta que o sistema de monitoramento está alerta e capacitado para identificar as diferentes espécies do parasita, oferecendo suporte imediato, principalmente nos casos de *Falciparum*, que podem evoluir rapidamente para quadros graves.
Entendendo a Malária e Seus Sintomas
A malária é uma doença parasitária transmitida pela picada do mosquito *Anopheles*. Os principais sintomas incluem febre alta, calafrios, tremores, sudorese e dor de cabeça, que podem ocorrer de forma cíclica.
A malária grave pode apresentar prostração, alteração da consciência, convulsões, edema pulmonar e hemorragias. Casos suspeitos envolvem pacientes com síndrome febril e histórico de viagem a áreas de transmissão nos 30 dias anteriores. É fundamental procurar um serviço de saúde ao apresentar os sintomas, informando sobre o histórico de viagem, para diagnóstico e tratamento precoces, evitando complicações.
Diagnóstico e Tratamento Gratuitos pelo SUS
O Governo do Estado oferece o exame de gota espessa e testes rápidos de forma descentralizada. A Secretaria da Saúde reforça que a rede privada deve notificar imediatamente qualquer caso suspeito à Vigilância Epidemiológica municipal.
O tratamento é gratuito e oferecido exclusivamente pelo SUS, com medicamentos antimaláricos disponíveis nas Farmácias Regionais de Saúde. Como não há vacina eficaz para uso amplo, as medidas de prevenção individual, como o uso de repelentes, roupas compridas e telas em residências, especialmente ao entardecer e à noite, continuam sendo essenciais.
Malária e as Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs)
Esta matéria sobre a malária inaugura uma série especial sobre Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs), em alusão ao Dia Mundial das DTNs. As DTNs são enfermidades transmissíveis que afetam mais de um bilhão de pessoas mundialmente, predominantemente em países tropicais e subtropicais.
O Brasil possui um programa de controle consolidado para a malária, classificada como DTN por afetar populações vulneráveis. Apesar dos avanços globais, a redução de mortes por doenças transmitidas por vetores ainda é lenta, reforçando a necessidade de vigilância constante.
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