(Foto: Divulgação)
Samba de Zé Pelintra: evento gratuito movimenta o Centro Histórico de Curitiba neste sábado
Inspirada na boemia carioca, a 5ª edição do Samba de Zé Pelintra leva música popular, acolhimento e diversidade para o Largo da Ordem.
Neste sábado (8), os curitibanos que buscam uma opção diferente de lazer e cultura têm um encontro marcado no Centro Histórico. Com entrada gratuita, das 17h às 23h, o bar Brasileirinho será palco da quinta edição do “Samba de Zé Pelintra”. O evento oferece muito mais do que apenas música ao vivo: é uma oportunidade acessível para confraternizar, escapar do estresse da semana e experimentar a diversidade religiosa e cultural em uma das regiões mais tradicionais da capital.
A importância de celebrar a diversidade no coração do Paraná
A ocupação do Largo da Ordem por um evento de raízes umbandistas representa um marco sociológico importante para a cultura paranaense. O estado, frequentemente associado a um perfil mais conservador, ganha um espaço de diálogo direto através da arte.
A iniciativa, promovida pelo Terreiro Pai José (TPJ), localizado em Piraquara, na Região Metropolitana, cria uma ponte cultural entre os municípios vizinhos e o centro da capital. A roda de samba atrai não apenas praticantes de religiões de matriz africana, mas também católicos, evangélicos e pessoas sem religião, provando que a música é uma ferramenta eficaz para derrubar muros erguidos pelo preconceito estrutural. Para quem consome e vive a noite curitibana, a festa enriquece e democratiza o acesso ao lazer.
Quem é Zé Pelintra e a conexão histórica com o samba
Para entender a força deste evento, é enriquecedor mergulhar no contexto da figura homenageada. Na Umbanda, Seu Zé Pelintra é a representação máxima do arquétipo do “malandro” em seu sentido mais nobre: a capacidade de sobreviver às adversidades com um sorriso no rosto, empatia e solidariedade. Ele é reverenciado como o padroeiro dos bares, dos boêmios, das ruas e das pessoas marginalizadas.
Historicamente, o samba e os terreiros cresceram nas mesmas raízes, especialmente nos subúrbios e na Lapa carioca do início do século XX, servindo de refúgio e resistência para as classes trabalhadoras. O evento em Curitiba busca exatamente resgatar essa atmosfera acolhedora dos morros e guetos do Rio de Janeiro, transportando a sabedoria das ruas e a filosofia da tolerância para o sul do Brasil.
Um enredo de alegria guiado pela música popular brasileira
Desde que começou em 2023, o projeto tem funcionado conceitualmente como um desfile de escola de samba, onde cada edição apresenta uma “ala” e conta um novo capítulo com base em canções icônicas da MPB. Guiados agora pelo famoso verso de Gonzaguinha, “Viver e não ter a vergonha de ser feliz”, a roda foca em valorizar as alegrias simples do cotidiano, ensinando que a espiritualidade se faz na convivência.
A evolução cronológica do projeto seguiu os seguintes passos nas edições passadas:
- Edição 1: Inspirada em “Vocês estão vendo aquela casa pequenina?”, marcando a abertura de caminhos e das portas da casa de Seu Zé.
- Edição 2: Baseada no “Hino da Umbanda”, fazendo um chamado explícito para o respeito às crenças.
- Edição 3: Guiada por “É meu último cigarro, é meu último gole”, abordando os ciclos e as despedidas da vida.
- Edição 4: Inspirada em “Naquela Mesa” (famoso samba de Sérgio Bittencourt), discutindo o valor das memórias, do afeto e de como lidamos com a saudade.
A voz de quem faz o projeto acontecer
Formado majoritariamente por jovens, o Terreiro Pai José alia a produção musical do evento a ações sociais contínuas de amparo à comunidade. O dirigente da casa reforça a essência humanizada e popular que norteia o encontro, destacando a conexão entre a fé e a classe trabalhadora.
“O Seu Zé sempre nos ensinou que a espiritualidade caminha ao lado do povo. Ela está na vida do pai e da mãe que acordam cedo, enfrentam o trabalho, vencem dificuldades e fazem o impossível para cuidar da família. Está no sorriso de quem divide o pouco, no abraço, na música e na esperança. O Samba do Seu Zé leva essa espiritualidade para a rua porque é na rua que a vida acontece. E, se a vida acontece ali, é ali também que queremos celebrar o amor, a cultura e a alegria do povo brasileiro“, explica Pai Cleiton Vargas, dirigente do TPJ.
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O que você precisa saber em resumo
- A quinta edição do “Samba de Zé Pelintra” ocorre neste sábado, 8 de agosto de 2026, das 17h às 23h, no bar Brasileirinho, no Largo da Ordem (Curitiba).
- A entrada é gratuita e o ambiente é totalmente laico e receptivo a pessoas de qualquer crença ou classe social.
- O objetivo central é unir cultura popular, sociabilidade e desmistificação das religiões de matriz africana, tendo como tema central a música de Gonzaguinha sobre a alegria de viver.

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