(Foto: Ricardo Stuckert)
Discurso de Lula na ONU pressiona por cadeiras no Conselho de Segurança
A diplomacia brasileira prioriza a negociação de conflitos internacionais e a reestruturação da governança global durante a 81ª sessão das Nações Unidas.
A posição do Brasil diante de conflitos armados e a exigência por maior representatividade global ditam o rumo dos acordos comerciais e políticos do país para o próximo ano. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarca neste domingo (20) para os Estados Unidos com a missão de reafirmar a neutralidade ativa da política externa nacional. Ele discursa na terça-feira (22) na abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, sediada em Nova York.
Historicamente, cabe ao chefe de Estado brasileiro proferir o primeiro discurso do evento, uma tradição mantida desde os primórdios da fundação da entidade. Nesta que será sua 11ª participação no evento, o foco da fala presidencial recai sobre o esgotamento do atual modelo de governança global.
A proposta do governo baseia-se na negociação diplomática contínua para solucionar disputas territoriais e no respeito rigoroso ao direito internacional humanitário. A estratégia articulada pelo Itamaraty repudia a interferência externa em assuntos domésticos de outras nações e busca consolidar o país como um mediador viável em crises externas.
A urgência por um novo formato de decisão global
A reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas pauta a diplomacia nacional há décadas, mas ganha traços de urgência diante da multiplicação de embates bélicos sem resolução. O órgão demonstra extrema lentidão para coordenar o fim de hostilidades e impor sanções efetivas.
O Brasil argumenta que a inclusão de países em desenvolvimento na tomada de decisões moderniza a estrutura da entidade e garante respostas ágeis às crises internacionais.
Durante sua passagem de pouco mais de 48 horas pelo território estadunidense, a agenda oficial do presidente lista reuniões bilaterais fechadas ao longo da segunda-feira (21). Na terça-feira pela manhã, o compromisso agendado ocorre com o secretário-geral da instituição, António Guterres, que vive a fase final de seu mandato. Logo depois, o líder brasileiro sobe à tribuna do plenário.
O fator norte-americano nos bastidores do evento
A dinâmica do evento coloca o Brasil ao lado dos Estados Unidos no cronograma de falas. O presidente Donald Trump discursa imediatamente após o líder sul-americano. O Palácio do Itamaraty não confirma uma reunião oficial entre os dois chefes de Estado, mas o encontro nos bastidores do plenário gera expectativas devido à proximidade das agendas.
No ano passado, os dois líderes se cruzaram rapidamente na transição do púlpito, gerando um ambiente diplomático favorável. Na ocasião, o político republicano classificou o contato de forma altamente positiva.
“Química excelente” — Donald Trump, sobre o contato com Lula na edição anterior da assembleia.
Desde aquele breve cumprimento, outras três conversas ocorreram entre os governantes, consolidando um canal de diálogo. Além da movimentação no âmbito federal, o presidente do Brasil tem um encontro programado com o atual prefeito de Nova York, o democrata Zohran Mamdani, que assumiu o cargo no início deste ano.
Extensão da agenda ministerial e presidência de blocos
Após o retorno do presidente a Brasília na própria terça-feira, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, assume a liderança da comitiva durante o restante da semana. O chanceler coordena encontros vitais do Brics, do G77 e atua na articulação da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos.
Na quarta-feira (23), os esforços se concentram na Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Esta iniciativa, consolidada sob a presidência brasileira do G20, terá um painel liderado por Vieira e pelo ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias. O foco do grupo recai sobre o destravamento de financiamentos diretos para a proteção social de populações vulneráveis.
No dia seguinte, a delegação nacional comanda a reunião da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul. O Brasil assumiu a presidência da organização em abril e detém a posição executiva pelos próximos três anos.
Para ampliar o alcance das rodadas de negociação, os ministérios da Gestão e Inovação (Esther Dweck), dos Povos Indígenas (Luiz Eloy Terena) e da Igualdade Racial (Rachel Barros) também enviam seus titulares para integrar as mesas de debate sobre redução da desigualdade.
>> Siga o canal do Jornal O Paranaense no WhatsApp

Com informações de Agência Brasil
- Discurso de Lula na ONU pressiona por cadeiras no Conselho de Segurança - 20 de setembro de 2026
- Doenças respiratórias caem no Paraná, mas risco ainda ameaça crianças e idosos - 20 de setembro de 2026
- Dinamarca e Groenlândia barram controle dos EUA em novo acordo militar no Ártico - 20 de setembro de 2026





