Por Arthur Figueiredo – Cronista sensível, nostálgico e poético.
Há uma cadeira vazia na varanda da casa da minha avó.
Ela está lá desde que me entendo por gente — de madeira escura, encurvada pelas estações, com os braços gastos pelo tempo e pelas mãos que um dia a seguraram. Nunca ninguém a jogou fora. Nunca ninguém ousou trocá-la por uma mais nova, mais bonita, mais confortável.
Era o lugar do meu avô. Era onde ele sentava todas as tardes para ver o sol se esconder atrás das araucárias, escutar os sons das galinhas no terreiro e, vez ou outra, cochilar com o jornal aberto sobre o colo.
Depois que ele se foi, a cadeira permaneceu. Imóvel. Silenciosa. Mas cheia de histórias invisíveis que ainda habitam suas frestas.
Na última visita, me sentei nela.
Demorei um pouco. Parecia desrespeito, como invadir um espaço sagrado. Mas, uma vez sentado, senti algo estranho. Um acolhimento antigo, um cheiro de madeira e lembrança, uma paz que só os domingos de infância sabiam oferecer.
Às vezes penso que a vida também é assim: um conjunto de cadeiras vazias esperando que a gente se lembre de onde veio. Não para viver no passado, mas para sentir que ainda há raízes, mesmo quando tudo parece girar rápido demais.
A cadeira continua lá. E talvez siga assim, imóvel, por muitos anos ainda. Mas agora sei que, toda vez que me sento ali, volto a ser parte de um tempo que nunca me deixou.
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