(Foto: Isabella Mayer)
Além da tradição: pinhão vira motor econômico para municípios da Região Metropolitana
Além da tradição cultural e gastronômica, a semente da araucária impulsiona o turismo rural, o comércio local e garante renda sustentável para milhares de famílias produtoras na região metropolitana.
O pinhão é, indiscutivelmente, o maior símbolo cultural e gastronômico do outono e do inverno paranaense. No entanto, para a Região Metropolitana de Curitiba (RMC), a semente da araucária representa muito mais do que tradição: trata-se de uma engrenagem fundamental para a economia local, movimentando cifras milionárias, gerando empregos sazonais e impulsionando o turismo rural.
Para se ter uma dimensão do impacto financeiro dessa cadeia produtiva, a cultura do pinhão movimentou R$ 25,7 milhões em 2024 (dado consolidado mais recente), segundo o Valor Bruto de Produção (VBP) apurado pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Integração metropolitana e turismo de negócios
O lançamento oficial da safra de 2026 já começou a movimentar os produtores locais. Em eventos recentes de integração na capital, como o Domingo no Centro, municípios como São José dos Pinhais e Agudos do Sul aproveitaram a vitrine para comercializar não apenas a semente in natura, mas toda uma rede de produtos com valor agregado, como doces, molhos e artesanatos temáticos.
Essa dinâmica de integração entre as cidades produtoras e a capital é uma estratégia econômica de alto impacto. O secretário para o Desenvolvimento da RMC, Thiago Bonagura, destaca que a união metropolitana abre as portas para um gigantesco mercado consumidor de quase 4 milhões de pessoas.
“Cada município tem seu potencial, seus produtos, suas particularidades, e valorizamos essa riqueza a cada evento que pode ser compartilhado com a metrópole”, avalia Bonagura.
O turismo atrelado à colheita também é um forte motor de arrecadação para as prefeituras:
- Piraquara: A cidade aposta no turismo de eventos e realiza a sua 2ª Festa do Pinhão nos dias 12, 13 e 14 de junho. Criada em 2025, a festividade já se consolidou como um atrativo que injeta dinheiro na economia local ao atrair visitantes de cidades vizinhas.
- Rio Negro: Famoso pelo turismo histórico, o município desponta como o 10º maior produtor de pinhão do Brasil. A cidade conta com cerca de 3 mil hectares de florestas nativas e 100 propriedades rurais dedicadas à extração sustentável, aliando preservação ambiental e rentabilidade.
Mudança nas regras da Safra 2026 protege o futuro do negócio
Para garantir que a economia do pinhão continue rendendo frutos milionários nas próximas décadas, o Governo do Estado adotou uma medida protetiva importante para a safra de 2026. A temporada oficial para colheita, transporte, comercialização e armazenamento (tanto para consumo humano quanto para uso em sementeiras) sofreu alteração no calendário.
| Regra da Safra | Como era | Como ficou em 2026 |
| Data de liberação | 1º de abril | 15 de abril |
| Base legal | Regras estaduais antigas | Instrução Normativa nº 03/2026 |
O motivo da mudança: A alteração busca alinhar a legislação estadual ao regramento federal. O adiamento em 15 dias garante a extração verdadeiramente sustentável da semente e protege o ciclo reprodutivo da araucária. Do ponto de vista econômico, essa proteção é vital: conciliar a geração de renda imediata das comunidades com a conservação da espécie é a única forma de garantir que o produto não entre em escassez, o que inflacionaria os preços e prejudicaria o mercado a longo prazo.

Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba
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