Alívio para o Paraná: celulose, madeira, autopeças e suco de laranja escapam do tarifaço dos EUA

Alívio para o Paraná: celulose, madeira, autopeças e suco de laranja escapam do tarifaço dos EUA

(Foto: Jaelson Lucas)

Alívio para o Paraná: celulose, madeira, autopeças e suco de laranja escapam do tarifaço dos EUA


Na lista final de produtos isentos, governo americano poupa setores que somam centenas de milhões de dólares na pauta de exportação do estado; no entanto, café e carnes foram taxados.

Em uma decisão que trouxe alívio para setores-chave da economia paranaense, a lista final de exceções ao “tarifaço” de 50% dos Estados Unidos, divulgada nesta quarta-feira (30), poupou alguns dos principais produtos exportados pelo Paraná.

Itens como celulose, produtos de madeira, peças de veículos e suco de laranja foram incluídos na lista de isenção, garantindo a continuidade de um comércio que movimenta centenas de milhões de dólares. A notícia, no entanto, não foi totalmente positiva, já que produtos importantes como café em grão e carnes ficaram de fora e serão sobretaxados a partir de agosto.

A Indústria da madeira e celulose são isentas

O setor mais beneficiado pela isenção foi, sem dúvida, o de base florestal. Segundo dados da Fiep e do MDIC, a madeira e seus derivados representam cerca de 40% de tudo o que o Paraná exporta para os Estados Unidos, com algumas indústrias de molduras e compensados destinando quase a totalidade de sua produção ao mercado americano.

A inclusão de madeira tropical serrada, polpas de madeira e celulose na lista de exceções foi celebrada como uma vitória que salva milhares de empregos e evita uma crise sem precedentes no setor, que já cogitava demissões e férias coletivas.

Indústria automotiva e o alívio para as autopeças

Outro setor que escapou do impacto direto foi o automotivo, um dos pilares da indústria paranaense. A lista final isentou peças e componentes para veículos de passageiros e caminhões leves, uma notícia crucial para as fábricas da Região Metropolitana de Curitiba que integram a cadeia de suprimentos de montadoras norte-americanas. A manutenção do fluxo de exportação de autopeças garante a estabilidade de um setor de alto valor agregado e intensivo em mão de obra qualificada.

Alívio para o Paraná: celulose, madeira, autopeças e suco de laranja escapam do tarifaço dos EUA
(Foto: Jonathan Campos)

Suco de laranja fica de fora

Apesar de a maior produção de laranja para suco estar concentrada em São Paulo, o Paraná é o terceiro maior produtor nacional e também se beneficia da isenção. O suco de laranja congelado e não congelado, um importante item na pauta de exportação do agronegócio paranaense para os EUA, foi poupado da tarifa extra. Em 2024, segundo dados do Sistema Faep, o Paraná exportou mais de 29 mil toneladas do produto, com uma receita de US$ 141 milhões, sendo o mercado americano um dos destinos relevantes.

O lado negativo: café e carnes foram taxados

Apesar das boas notícias, a lista final trouxe preocupação para outros setores importantes. Produtos de grande relevância para o agronegócio paranaense, como o café não torrado e as carnes bovina e de frango congeladas, não entraram na lista de exceções e serão afetados pela sobretaxa de 50%. A medida deve impactar fortemente a competitividade desses produtos no mercado americano, forçando os produtores paranaenses a buscarem a diversificação de mercados como estratégia de sobrevivência.


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.

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