(Foto: Pedro Ribas)
Bastidores da sucessão: Ratinho Junior tenta convencer Eduardo Pimentel enquanto prefeitos abandonam o PL
A desistência da corrida presidencial fez o governador focar na própria sucessão. Com Guto Silva escanteado e o PL lançando Sergio Moro, a disputa pelo Palácio Iguaçu ganha novos e dramáticos contornos.
O cenário político paranaense entrou em ebulição nesta última semana de março. A decisão do governador Ratinho Junior (PSD) de abandonar a pré-candidatura à Presidência da República e focar integralmente na conclusão do seu mandato mudou as regras do jogo para a eleição estadual de 2026.
Com a obrigação de fazer um sucessor para manter a hegemonia do seu grupo político, o governador tem articulado nos bastidores para encontrar um nome capaz de bater de frente com a chapa de oposição encabeçada pelo senador Sergio Moro (PL). As negociações envolvem renúncias de prefeitos, escanteamento de aliados e uma verdadeira debandada de prefeitos do Partido Liberal.
A pressão sobre Eduardo Pimentel
O principal alvo da articulação do Palácio Iguaçu no momento é o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD). Na noite de segunda-feira (24), Ratinho Junior se reuniu a portas fechadas com Pimentel para tentar convencê-lo a renunciar ao mandato municipal e assumir a cabeça de chapa na disputa pelo Governo do Estado.
Até o momento, Pimentel resiste à ideia. Eleito em 2024, o prefeito completaria apenas um ano e três meses de gestão caso precisasse se desincompatibilizar do cargo (o prazo limite encerra na próxima semana). Em entrevistas recentes, ele foi enfático ao afirmar que está “focado e tranquilo” na gestão da capital.
Para Ratinho, no entanto, Pimentel seria a “solução salomônica”. O prefeito de Curitiba goza de 80% de aprovação popular e tem excelente trânsito no interior do estado, herança do período em que comandou a Secretaria de Estado das Cidades (Secid), quando viabilizou R$ 4 bilhões em investimentos para os municípios.
O risco Paulo Martins e o aceno ao bolsonarismo
A possível renúncia de Eduardo Pimentel carrega um forte simbolismo político. Caso ele deixe a prefeitura, quem assume o comando da capital paranaense é o vice-prefeito Paulo Martins.
Atualmente filiado ao partido Novo, Martins tem ligações umbilicais com o PL e com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Entregar a chave de Curitiba a um aliado direto do bolsonarismo seria um aceno (ou um apaziguamento) do governador Ratinho Junior ao PL, partido que rompeu com a sua base para lançar Sergio Moro ao governo estadual.
Guto Silva fora da cabeça de chapa
A busca por Pimentel ocorreu logo após uma dura definição interna no PSD. O secretário das Cidades, Guto Silva, que sempre foi a opção número um de Ratinho Junior para sucedê-lo, foi avisado pelo próprio governador que não será o candidato ao Palácio Iguaçu.
A leitura do núcleo duro do governo é pragmática: o jogo ficou pesado demais com a entrada de Sergio Moro na disputa, e as pesquisas internas mostraram que Guto Silva ainda não possui a viabilidade eleitoral necessária para um embate dessa magnitude. Apesar do revés, Guto não está fora do jogo e deve compor a chapa majoritária, seja como candidato a vice-governador ou como um dos nomes para o Senado.
Curi reafirma pré-candidatura e cobra unidade
Enquanto Pimentel hesita e Guto é realocado, o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), deputado estadual Alexandre Curi (PSD), corre por fora e reafirma publicamente o seu desejo de disputar o governo.
Curi tem evitado o confronto direto, mas cobra uma definição rápida. Em entrevista nesta quinta-feira (26), ele afirmou que a escolha deve ocorrer de forma unificada até a próxima quarta-feira.
“Tenho conversado muito com o governador e vamos tomar essa decisão em conjunto. Não pode ser um projeto individual, estamos buscando essa unidade. Eu já afirmei que sou pré-candidato e gostaria de permanecer no PSD.” — Alexandre Curi, presidente da Alep.
A debandada dos prefeitos do PL
A movimentação nacional do Partido Liberal para impor a candidatura de Sergio Moro no Paraná gerou uma fratura exposta na base do partido no estado. Inconformados com a decisão imposta “de cima para baixo” pelo cacique Valdemar Costa Neto, 53 prefeitos e mais de 80 vice-prefeitos anunciaram que vão deixar o PL para se manterem fiéis a Ratinho Junior.
O motim foi liderado pelo presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e prefeito de Assis Chateaubriand, Marcel Micheleto.
“Ninguém vai fazer goela abaixo mudar o caminho que nós estamos. Os prefeitos desmarcaram reuniões e vieram dizer que ninguém vai soltar a mão de Ratinho Junior. Prefeitos estão recebendo dinheiro como nunca na história.” — Marcel Micheleto, presidente da AMP.
A pesquisa AtlasIntel que pode definir o rumo
Todas essas peças no tabuleiro podem ser movimentadas (ou travadas) na próxima terça-feira (31), quando o instituto AtlasIntel promete divulgar a primeira grande pesquisa de intenção de voto para o Governo do Paraná e para o Senado.
O levantamento, aguardado com ansiedade no Centro Cívico, testará Eduardo Pimentel, Alexandre Curi e Guto Silva como opções do PSD contra a oposição liderada por Sergio Moro (PL), Requião Filho (PDT), Rafael Greca (MDB) e Luiz França (Missão).
Há, no entanto, um risco jurídico pairando sobre o levantamento. A Justiça Eleitoral do Paraná já barrou pesquisas anteriores que vinculavam candidatos a padrinhos políticos (ex: Requião Filho apoiado por Lula, Moro por Bolsonaro) e que excluíam candidatos menores de cenários de segundo turno. Se o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) não intervir, os números da AtlasIntel deverão ditar quem será o escolhido de Ratinho Junior.
Projeção: Como se desenham as possíveis chapas ao Governo do Paraná
Com base nas intensas movimentações desta semana, o cenário eleitoral aponta para uma polarização acirrada e a fragmentação da antiga base aliada. Confira as prováveis composições:
– A Chapa da Máquina Governista (PSD / União Brasil / Republicanos):
Candidato a Governador: Eduardo Pimentel (caso ceda à pressão de Ratinho) ou Alexandre Curi (caso Pimentel decida continuar na prefeitura).
Provável Vice: Guto Silva. Escanteado da cabeça de chapa, o atual secretário das Cidades é um nome de extrema confiança de Ratinho Junior e possui o perfil técnico ideal para a vice-governadoria, garantindo a continuidade do projeto. Outra opção forte para a vice seria um nome do interior, como o próprio prefeito Marcel Micheleto, para selar o apoio dos municípios.
– A Chapa da Direita Conservadora (PL / Novo):
Candidato a Governador: Sergio Moro (PL).
Provável Vice: Paulo Martins (Novo). Atual vice-prefeito de Curitiba, Martins tem a chancela da família Bolsonaro e faria a ponte perfeita entre o PL e o partido Novo, consolidando o eleitorado conservador da capital e atraindo a ala mais ideológica para a chapa do ex-juiz.
– A Via Independente (MDB):
Candidato a Governador: Rafael Greca (MDB).
Provável Vice: Um nome estratégico do agronegócio. Como Greca tem um peso eleitoral massivo (porém restrito) na capital e Região Metropolitana, o MDB precisará compor a vice com uma liderança forte do interior do estado — possivelmente das regiões de Cascavel ou Maringá — para equilibrar a chapa e penetrar no reduto hoje dominado por Ratinho.
– A Frente Progressista (PDT / PT / Federação Brasil da Esperança):
Candidato a Governador: Requião Filho (PDT).
Provável Vice: Um quadro puro-sangue do PT. Para garantir a transferência direta dos votos e da imagem do presidente Lula no Paraná, a vice-governadoria deve ser entregue a um nome tradicional do Partido dos Trabalhadores, chancelando a união da centro-esquerda estadual contra a hegemonia conservadora.

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