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Brasil vira modelo na ONU com soluções urbanas para países em desenvolvimento

Brasil vira modelo na ONU com soluções urbanas para países em desenvolvimento

(Foto: Nilton Souza)

Brasil vira modelo na ONU com soluções urbanas para países em desenvolvimento


Iniciativas de sustentabilidade e inclusão social em Salvador e Recife foram selecionadas para inspirar nações do Sul Global através do programa Simetria Urbana.

O Brasil consolidou sua posição como laboratório de inovação social e urbana para o mundo. Uma parceria entre o governo federal e o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) selecionou 16 projetos brasileiros que servirão de modelo para outros países em desenvolvimento, o chamado Sul Global.

As iniciativas, que variam desde o saneamento ecológico até a capacitação profissional de mulheres, mostram como soluções locais podem resolver problemas globais complexos, como a desigualdade e a crise climática.

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O programa Simetria Urbana

A seleção faz parte do Programa Simetria Urbana, lançado em 2023. A iniciativa é fruto da cooperação entre a Agência Brasileira de Cooperação (do Ministério das Relações Exteriores) e a ONU.

O objetivo é claro: identificar políticas públicas que deram certo no Brasil e transformá-las em “produtos de exportação” diplomática. A ideia é que países com desafios semelhantes aos nossos — na África, Ásia e América Latina — possam adaptar essas ideias.

A arquiteta urbanista Laura Lacastagneratte de Figueiredo, analista do ONU-Habitat, explica a importância dessa sistematização:

“Ao sistematizar soluções que já apresentaram resultados, amplia o potencial dessas experiências como referências para a cooperação e como modelos adaptáveis e inspiradores de políticas públicas, capazes de dialogar com realidades semelhantes.”

Desenvolvimento na Ilha de Maré

Um dos destaques vem da Bahia. O projeto Planos de Bairro, da Prefeitura de Salvador, transformou a realidade na Ilha de Maré, na Baía de Todos-os-Santos. A ação envolveu diagnóstico e planejamento participativo com líderes comunitários, universidades e ONGs.

O impacto foi direto na vida de cerca de 4 mil moradores de 12 comunidades, incluindo seis quilombolas. Para quem vive ali, a preservação ambiental não é apenas um conceito, mas uma questão de sobrevivência econômica e cultural.

“A gente não enxerga a natureza só como um espaço de exploração (…) a gente não consegue desassociar o que é natureza da gente, da vida da gente. Então a gente é a natureza, né?”, reflete a pescadora quilombola Marizélia Lopes.

Jardins filtrantes no Recife

Outra solução inovadora vem de Pernambuco e aposta na própria natureza para limpar a água. O projeto Jardins Filtrantes, no Parque do Caiara, em Recife, utiliza plantas para tratar o esgoto.

Executado pela Agência Recife para Inovação e Estratégia (Aries), o sistema foi implantado na foz do Riacho do Cavouco. Em uma área de 7 mil metros quadrados, foram plantadas 7,5 mil mudas de espécies aquáticas nativas.

Essas plantas funcionam como um filtro natural, limpando a água do riacho antes que ela deságue no Rio Capibaribe. Além da função ambiental, a obra revitalizou o espaço de lazer.

“O Jardim do Caiara, inaugurado e renovado, é um espaço que posso curtir do lado da minha casa, um lugar da minha região, que traz valor para minha região”, conta a moradora Gabriela Machado.

Mulheres na construção civil

A sustentabilidade social também é um pilar do programa. O projeto Marias na Construção, também de Salvador, ataca duas frentes: a falta de mão de obra qualificada e a violência doméstica.

O programa oferece cursos de construção civil para mulheres em situação de vulnerabilidade ou vítimas de violência. Em dois anos, mais de 600 alunas foram formadas, ganhando autonomia financeira para romper ciclos de dependência.

“Já terminei um curso agora e vou começar outros dois. Aprendi muita coisa. Quero crescer na área. Futuramente, quero fazer um curso técnico, se assim Deus me permitir, fazer uma faculdade e ser uma grande mulher na construção”, projeta a aluna Janaína dos Santos.

Foco nos Objetivos Sustentáveis

Todas as iniciativas selecionadas estão alinhadas com o ODS 11 (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU, que trata de cidades e comunidades sustentáveis. Os projetos abrangem temas vitais como:

  • Habitação digna;
  • Mobilidade urbana;
  • Planejamento participativo;
  • Igualdade de gênero;
  • Preservação do patrimônio cultural e ambiental.

A expectativa agora é que essas “tecnologias sociais” brasileiras comecem a ser replicadas internacionalmente, fortalecendo a cooperação Sul-Sul.

Com informações de Agência Brasil


Alfredo R. Martins Jr. é jornalista e a voz principal do Jornal O Paranaense. Formado em Comunicação Social com especializações em Marketing e Gestão de Comunicação, possui mais de 17 anos de experiência na análise do cenário paranaense. Sua missão é traduzir a complexidade da política, economia e cultura do estado em informação clara, acessível e relevante para o leitor.
Alfredo R. Martins Jr.
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