(Foto: Ricardo Stuckert)
De Maringá a Paranaguá: Governo Federal anuncia pacote de R$ 2 bilhões para obras de infraestrutura e logística
Pacote de investimentos destrava a concessão do canal do Porto de Paranaguá, duplica a capacidade do aeroporto de Maringá e garante a conclusão da Estrada Boiadeira.
A tarde desta quinta-feira (12) no Palácio do Planalto foi marcada por um forte componente político e por cifras bilionárias direcionadas à infraestrutura do Paraná. Em uma cerimônia liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo federal autorizou o início de um amplo pacote de obras viárias, aeroportuárias e portuárias que somam mais de R$ 2,08 bilhões em investimentos no Estado.
O evento, que contou com a presença de ministros-chave da Esplanada, serviu não apenas para destravar gargalos logísticos históricos do Sul do país, mas também como um palanque para duras críticas à capacidade de investimento da gestão presidencial anterior.
O embate político e as críticas diretas de Renan Filho
O tom do encontro foi ditado pelo ministro dos Transportes, Renan Filho, que utilizou os números paranaenses para estabelecer um contraponto direto com o governo passado. Ao destacar a liberação de R$ 752 milhões destinados especificamente a duas obras rodoviárias (o Contorno de Maringá e a Estrada Boiadeira), o ministro apontou que o valor equivale a quase quatro anos de orçamento da gestão anterior para o Estado.
Renan Filho fez eco à fala da titular da Secretaria de Relações Institucionais, a paranaense Gleisi Hoffmann, que havia afirmado que o governo passado investia uma média de R$ 200 milhões por ano na malha viária do Paraná.
“Veja bem, a ministra Gleisi disse aqui que o governo passado investia R$ 200 milhões, por ano, no Paraná. Só essas duas obras, elas serão R$ 752 milhões. Se pegasse todo o dinheiro que era investido no governo passado, levaria quatro anos para terminar só essas duas. E aí eu pergunto: como fazer as obras que o Estado do Paraná precisa com aquele investimento? Não dava para fazer”, provocou Renan Filho.
A projeção de R$ 100 bilhões no maior ciclo de concessões do país
Além dos recursos públicos diretos (orçados via Novo PAC), o governo federal aproveitou o momento para exaltar a atração de capital privado. Segundo o ministro dos Transportes, o atual conjunto de projetos logísticos paranaenses prevê a alocação de impressionantes R$ 100 bilhões em parcerias público-privadas (PPPs).
Dirigindo-se ao presidente Lula, Renan Filho traçou um comparativo em escala nacional: “Três vezes mais do que o governo passado fez com recursos públicos no Brasil todo, no Brasil inteiro, eles investiram cerca de R$ 30 bilhões de reais. No governo do senhor, nós vamos investir R$ 65 bilhões a R$ 70 bilhões. […] Só no Paraná, com o esforço nessa parceria, nós vamos investir 100 bilhões de reais agora e vamos atrair 400 bilhões de reais ao longo desse ciclo, que é o maior ciclo de concessão rodoviária da história do país”.
A ministra Gleisi Hoffmann também aproveitou o espaço para enumerar outras frentes de investimento da União no Paraná que correm em paralelo às rodovias:
- Unila: Retomada das obras da universidade latino-americana com injeção de quase R$ 800 milhões via Itaipu Binacional.
- Fafen: Reabertura da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados, com projeção de chegar a R$ 1 bilhão em investimentos.
- Repar: Novos aportes na Refinaria da Petrobras.
Contorno Sul de Maringá: alívio de R$ 409 milhões para o tráfego
Entrando no detalhamento técnico das obras autorizadas, a primeira grande ordem de serviço assinada visa resolver um problema crônico de mobilidade urbana no Norte do Estado. O Contorno Sul Metropolitano de Maringá (BR-376/PR) sairá do papel com um orçamento de R$ 409 milhões.
A obra consistirá na implantação de aproximadamente 13 quilômetros de pista dupla. O escopo do projeto inclui serviços complexos de terraplenagem, nova drenagem, iluminação de ponta, sinalização, dispositivos de segurança viária e a construção de pontes e viadutos.
O objetivo estratégico é desviar o fluxo intenso de veículos pesados (especialmente caminhões de carga) da malha urbana de Maringá, reduzindo congestionamentos, acidentes e melhorando a fluidez. A obra impactará positivamente também os municípios vizinhos de Paiçandu, Sarandi e Marialva.
Estrada Boiadeira (BR-487): o fim de uma espera histórica
A segunda ordem de serviço destrava o quarto e último trecho da BR-487/PR, a famosa Estrada Boiadeira. O segmento de 37 quilômetros, localizado entre Serra dos Dourados e Cruzeiro do Oeste, receberá R$ 321,2 milhões para serviços de pavimentação, terraplenagem e drenagem.
A importância desta via para o agronegócio é imensurável. A sua conclusão sela definitivamente o corredor viário que conecta Campo Mourão à divisa com o Mato Grosso do Sul. Atualmente, cerca de 3,6 mil veículos circulam diariamente pela estrada, transportando soja, milho, cana-de-açúcar e carne bovina.
Com o asfaltamento completo, o trajeto logístico entre a cidade de Naviraí (MS) e o Porto de Paranaguá será encurtado em cerca de 80 quilômetros, reduzindo brutalmente o custo do frete para os produtores do Sul e do Centro-Oeste.
Porto de Paranaguá: concessão inédita e avanços no Moegão
No setor litorâneo, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, e o ministro da Casa Civil, Rui Costa, chancelaram a assinatura do contrato de concessão para a exploração do acesso aquaviário ao Porto de Paranaguá. O contrato de 25 anos está estimado em R$ 1,23 bilhão.
A medida é um marco na logística portuária, pois garante a terceirização da dragagem de manutenção de forma contínua. Com isso, o canal de acesso terá o seu calado ampliado de 13,5 metros para 15,5 metros.
“Isso vai dar segurança e previsibilidade para o setor produtivo. O Porto de Paranaguá é o segundo maior do Brasil e tem uma característica estratégica nas operações de granéis vegetais e na importação de fertilizantes”, enfatizou Silvio Costa Filho.
Em paralelo à concessão marítima, o porto avança nas obras do Moegão — o novo sistema de descarga ferroviária do corredor de exportação. Com R$ 650 milhões investidos via BNDES, o projeto já superou 95% de execução e aumentará em 60% a capacidade ferroviária do terminal, saltando de 550 para 900 vagões descarregados por dia.
Aeroporto de Maringá receberá R$ 129 milhões para dobrar de tamanho
Fechando o megapacote estrutural, o modal aéreo também foi prestigiado. O Governo autorizou a licitação para a reforma e ampliação do terminal de passageiros do Aeroporto Regional de Maringá, além da modernização completa de sua torre de controle. O custo total é de R$ 129,1 milhões (sendo R$ 100,4 milhões do Fundo Nacional de Aviação Civil – FNAC, e R$ 29,1 milhões de contrapartidas do Estado e do Município).
As intervenções, que devem ser concluídas até 2030, transformarão a realidade do aeroporto. A área do terminal passará dos atuais 4 mil metros quadrados para 8,5 mil metros quadrados. A capacidade operacional saltará de 855 mil passageiros (registrados em 2025) para cerca de 1,4 milhão de usuários anuais.
Para que as operações não parem, a obra será dividida em quatro fases e incluirá:
- Construção de pontes de embarque (fingers) e totens de autoatendimento.
- Implantação do sistema common use (balcões compartilhados por várias companhias).
- Instalação de uma sala multissensorial exclusiva para passageiros com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
- Nova estação de tratamento de efluentes, modernização de toda a rede elétrica e climatização, além de uma torre provisória durante as obras na torre principal.
Resumo dos Investimentos Autorizados
| Setor Logístico | Obra / Projeto | Investimento Previsto |
| Rodoviário | Contorno Sul de Maringá (BR-376) | R$ 409 milhões |
| Rodoviário | Estrada Boiadeira (BR-487) – Último trecho | R$ 321,2 milhões |
| Aéreo | Aeroporto Regional de Maringá | R$ 129,1 milhões |
| Portuário | Concessão do Canal do Porto de Paranaguá | R$ 1,23 bilhão |
| TOTAL | R$ 2,08 bilhões |

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