(Foto: Valter Campanato)
Gastos e juros recordes levam dívida dos EUA a US$ 40 trilhões
Custo de vida e inflação sofrem impacto direto com o endividamento acelerado do governo norte-americano
A conta do endividamento público norte-americano chega diretamente ao consumidor comum por meio da inflação persistente e do encarecimento do crédito internacional. O Departamento do Tesouro dos EUA confirmou nesta semana que o país ultrapassou a marca de US$ 40 trilhões em dívida total.
Esse volume histórico afeta a economia global, pressiona as taxas de câmbio e força as empresas a repassarem os custos das operações financeiras para as prateleiras.
O descontrole orçamentário não fica restrito aos cofres federais e já desperta temor sobre a sustentabilidade econômica a médio prazo. Especialistas apontam que o aumento contínuo da dívida corrói o poder de compra das famílias e limita severamente a capacidade do governo de responder a novas crises globais.
“A dívida de US$ 40 trilhões não existe apenas nos livros contábeis do governo; ela se faz sentir em toda a economia e, de uma forma ou de outra, chega ao bolso das pessoas.” – Maya MacGuineas, presidente do Comitê para um Orçamento Federal Responsável.
Explosão de gastos e o salto em menos de dez anos
O governo federal dobrou o próprio endividamento em um intervalo inferior a uma década. Quando o presidente Donald Trump assumiu o primeiro mandato em janeiro de 2017, o valor das obrigações federais estava na casa dos US$ 19,95 trilhões. Aproximadamente um terço do salto para os atuais US$ 40 trilhões ocorreu devido às pesadas injeções de capital durante a pandemia de Covid-19, aprovadas de forma emergencial.
As gestões de Trump e Joe Biden mantiveram um ritmo agressivo de gastos mesmo após o fim da emergência sanitária. Enquanto a gestão democrata priorizou investimentos bilionários em infraestrutura e subsídios para o setor de energia limpa, os republicanos aprovaram seguidos cortes de impostos que reduziram a base de arrecadação.
Além disso, o novo pacote legislativo promovido no segundo mandato de Trump adicionará mais US$ 4,7 trilhões à conta, segundo dados do Escritório de Orçamento do Congresso. [INSERIR IMAGEM: fachada do prédio do Tesouro dos EUA em Washington ou gráficos mostrando a escalada da dívida].
Juros superam orçamento militar e pressionam sistema de saúde
O financiamento dessa montanha de dinheiro tornou-se um dos maiores ralos de recursos públicos da história. Apenas o pagamento de juros consome atualmente cerca de US$ 1,1 trilhão por ano. Esse custo engessa o Estado e sobe automaticamente à medida que o saldo devedor se acumula e as taxas do mercado reagem à alta oferta de títulos.
No ano fiscal recente, as despesas com o serviço da dívida superaram o financiamento integral do Pentágono pela primeira vez na história. Os custos com juros também ultrapassaram os gastos com assistência médica do Medicare. A manutenção das taxas ocupa agora a segunda posição entre as maiores despesas federais, ficando atrás somente do repasse de aposentadorias da Seguridade Social.
Os programas obrigatórios representam 60% dos US$ 7 trilhões gastos anualmente pelo país. O envelhecimento da geração “baby boom” exige cada vez mais fundos para a manutenção da Previdência. Enquanto isso, as receitas oriundas de impostos sobre salários e renda continuam insuficientes para cobrir o custo de vida crescente desses programas.
Reação do mercado internacional e fuga de investidores
A desconfiança dos credores internacionais agrava o cenário de instabilidade, exigindo prêmios maiores para financiar o país. Investidores estrangeiros, que historicamente detêm quase um terço de todos os títulos públicos norte-americanos, reduziram a demanda ao longo do último ano. Essa retração deixa os papéis vulneráveis a compradores sensíveis a preços, elevando os rendimentos dos títulos de longo prazo para os maiores níveis em quase duas décadas.
Para tentar frear a volatilidade do mercado, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, tomou medidas agressivas de intervenção. Ele anunciou a duplicação do volume de recompra de títulos federais, injetando pelo menos US$ 4 bilhões por operação em papéis com vencimento entre 10 e 30 anos.
A radiografia da dívida atual ilustra o tamanho do desafio fiscal:
- Títulos detidos pelo público: US$ 32,266 trilhões.
- Dívida intragovernamental: US$ 7,782 trilhões.
- Déficit isolado de julho: US$ 432 bilhões, o quarto maior rombo mensal da história do país.
A velocidade da perda de controle orçamentário impressiona o mercado financeiro. O país levou até o ano de 1981 para registrar o primeiro trilhão em dívida, mas viu o montante saltar de US$ 39 trilhões para os atuais US$ 40 trilhões em menos de cinco meses. A ausência de austeridade fiscal coloca os parlamentares contra a parede, forçando um debate iminente sobre aumento de impostos e cortes drásticos antes que o colapso trave as engrenagens governamentais.
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Com informações de Agência Brasil
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