(Foto: Luiz Pacheco)
Casa Romário Martins recebe imagens inéditas sobre o passado de Curitiba
Arquivo visual do criador da Biblioteca Pública ganha mostra em Curitiba
Moradores e turistas que transitam pelo Centro Histórico de Curitiba agora possuem um novo roteiro cultural gratuito para explorar a evolução urbana da capital. A exposição “Romeu Paulo da Costa: O Olhar Construído” ocupa as salas da Casa Romário Martins, oferecendo ao público acesso a um acervo de imagens até então restrito ao ambiente familiar.
O material apresenta o olhar fotográfico de quem desenhou parte do cenário modernista local, permitindo aos visitantes confrontar a configuração da cidade de ontem com as ruas que percorrem hoje.
Consequentemente, o projeto organizado pela Fundação Cultural de Curitiba retira do anonimato a faceta fotográfica do profissional responsável por edifícios emblemáticos. As obras em exibição compreendem registros feitos entre as décadas de 1940 e 2000. Durante esse período de sessenta anos, o arquiteto catalogou as transformações das vias urbanas, documentou cenas cotidianas e capturou os bastidores de construções que redefiniram o traçado central do município.
O acervo resgatado de quatro mil slides
Romeu Paulo da Costa circulava diariamente com sua câmera fotográfica a tiracolo, integrando o equipamento à sua rotina de vistorias em canteiros de obras. Ele não limitava os registros aos próprios projetos, documentando também o avanço estrutural de prédios desenhados por colegas construtores, a exemplo das obras de Oscar Niemeyer. O arquiteto mantinha um laboratório de revelação dentro da própria residência, onde processava os filmes capturados em suas viagens técnicas ou momentos de lazer.
O acervo pessoal deixado por ele ultrapassa a marca de quatro mil slides, configurando um material primário sobre o desenvolvimento do município que permaneceu guardado por décadas após seu falecimento em 2014.
Posteriormente, os arquitetos Paula Morais e Fábio Domingos Batista localizaram essa coleção durante a pesquisa de campo para a publicação de um livro biográfico. A curadoria da mostra atual, assinada por Ângela Morais e Mayra Pedroso, selecionou um fragmento exato desse banco de imagens para compor o circuito de exibição.
“Quando estávamos fazendo o livro, a Lauri [filha de Romeu] abriu esse acervo. Daí surgiu a ideia dessa exposição e aqui tem apenas um recorte bem pequeno do que ele registrou.”
A família transferiu a versão digitalizada de todo o material para a guarda definitiva da Casa da Memória, garantindo a preservação deste documento histórico. Lauri da Costa acompanhou a abertura da mostra no Largo da Ordem neste final de semana. Durante a cerimônia, ela confirmou que a dimensão da produção imagética do pai surpreendeu os próprios familiares.
“Eu sabia que ele era apaixonado por fotografar, mas só fui perceber recentemente que ele, além de um grande arquiteto e engenheiro, era também um grande fotógrafo. É muito emocionante ver essas imagens. Elas trazem tantas recordações.”
Marcos de concreto no cenário paranaense
O trabalho técnico de Costa mudou a forma como a população interage com o espaço público. Ele elaborou o projeto do atual prédio da Biblioteca Pública do Paraná em 1951, atendendo a uma demanda do então governador Bento Munhoz da Rocha Netto para compor as comemorações do Centenário da Emancipação Política do estado. A obra finalizada consolidou os preceitos da arquitetura moderna no cenário estadual, substituindo traços antigos por linhas retas e funcionais.
Logo depois, o engenheiro assinou o planejamento do Edifício Marumby, erguido na Praça Santos Andrade. Essa estrutura detém o registro histórico de primeiro edifício residencial vertical da capital. A assinatura técnica dele também está presente em outros pontos de grande circulação habitacional e religiosa.
O Edifício João Alfredo, localizado na Praça Zacarias, o Rosa Perrone, na Rua São Francisco, e a sede principal da Sinagoga de Curitiba evidenciam a versatilidade de suas plantas estruturais.
Da prancheta às salas de aula da UFPR
A carreira do arquiteto extrapolou os limites dos escritórios particulares de engenharia. O profissional figurou entre os fundadores do primeiro curso de graduação em Arquitetura do estado, promovendo a formação de uma nova geração de construtores locais. Ele atuou como professor da Universidade Federal do Paraná entre os anos de 1950 e 1983, aliando o ensino teórico à vivência prática dos terrenos em desenvolvimento.
Nesse período, conviveu e trabalhou ao lado de profissionais que também alteraram o perfil construtivo da capital, como Rubens Meister, o responsável pelo projeto arquitetônico do Teatro Guaíra. Essa rede de contatos profissionais, somada à visão técnica adquirida em anos de serviço na Secretaria de Viação e Obras Públicas, reflete diretamente no enquadramento, na luz e na geometria das fotografias que agora integram o circuito cultural do município.
Serviço e roteiro de visitação
A exposição tem classificação indicativa livre e atende moradores ou turistas em passeio pela região central. O acesso às salas exige apenas atenção aos horários, visto que o espaço histórico possui pausas no expediente durante os dias úteis.
- Local: Casa Romário Martins (Rua Coronel Enéas, 40 – Largo da Ordem)
- Dias úteis: Terça a sexta-feira, com funcionamento das 9h às 12h e reabertura das 13h às 18h.
- Finais de semana: Sábados e domingos, com período contínuo de visitação das 9h às 14h.
- Custo: A entrada é totalmente gratuita.
>> Siga o canal do Jornal O Paranaense no WhatsApp

Com informações de Agência de Notícias da Prefeitura de Curitiba
- Coritiba vira sobre o Remo nos acréscimos e salta para a sétima posição - 31 de agosto de 2026
- Islândia diz não à União Europeia para salvar pesca local - 31 de agosto de 2026
- Sintomas invisíveis da esclerose múltipla confundem médicos e pacientes - 31 de agosto de 2026





