(Foto: Sergio Acero)
Medida de Espriella encerra telejornais da mídia pública colombiana
Substituição de jornalismo por música afeta acesso à informação em comunidades rurais e indígenas.
Mais de 463 mil pessoas residentes em áreas rurais, terras indígenas e comunidades camponesas da Colômbia perderam sua principal fonte de informações locais. O governo do presidente Abelardo de la Espriella determinou o fim do jornalismo nas 20 Emissoras da Paz, redes de rádio criadas para atender populações afetadas por décadas de conflito armado.
A medida retirou do ar o tradicional noticiário das 20 horas. Agora, as estações transmitem apenas programação musical, gerada de forma centralizada a partir da capital, Bogotá. O fim da produção jornalística regional elimina um dos pilares do Acordo de Paz de 2016, que previa espaços para educar sobre a convivência e divulgar o andamento das políticas de pacificação no país.
Justificativas do governo e acusações de propaganda
O Ministério da Tecnologia, Inovação e Comunicações da Colômbia argumenta que a mudança integra uma transformação profunda do sistema de mídias públicas. A pasta acusa a antiga estrutura jornalística de atuar como aparato de propaganda para interesses políticos particulares, além de consumir cerca de 90% dos recursos humanos e financeiros disponíveis.
“A entidade será um Sistema de Mídia Pública, não um instrumento político.”
A declaração partiu da equipe responsável pela Inravisón, empresa que administra a comunicação estatal colombiana. Apesar do discurso oficial de recuperação da independência do sistema, a decisão governamental gerou forte reação de entidades ligadas à liberdade de expressão e monitoramento democrático.
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Reações das entidades e o apagão de notícias
A Fundação para a Liberdade de Imprensa, a Missão de Observação Eleitoral e a Associação Mundial de Rádios Comunitárias publicaram comunicados rejeitando a nova política. As organizações alertam que a medida desconsidera o propósito original das rádios e agrava drasticamente o isolamento informacional das regiões periféricas.
O cenário de comunicação na Colômbia já apresenta alta concentração nas mãos de três grandes conglomerados empresariais. Dados da organização Repórteres Sem Fronteiras indicam que 60% do território colombiano não possui cobertura constante da imprensa local.
A manobra de Espriella, classificada pelo governo como transitória, reflete ações recentes de outros países vizinhos na América do Sul. Na Argentina, o governo de Javier Milei executou política semelhante ao fechar a Agência Telám, principal canal de mídia estatal do país, no início de 2024.
Com informações de Agência Brasil
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